Por vezes, tardiamente, tomamos consciência dos crimes cometidos pelo governo de Benjamin Netanyahu contra civis gazenses, libaneses, sírios e iranianos. Nenhum outro governo no mundo considera que eliminar os que lhe resistem justifica todas as ditas perdas colaterais, não importando quantas. Devíamos tomar consciência também que esta maneira de pensar não surgiu do nada, que ela tem uma longa e abominável história. Devemos assumir as nossas responsabilidade e intervir antes que este governo comece a atacar os seus próprios cidadãos. Não porque estes tenham mais valor que os árabes e os persas, mas porque são idênticos : também são humanos.
A opinião pública internacional mudou claramente de opinião sobre Benjamin Netanyahu, Primeiro-Ministro de Israel. Agora, está claro para a maioria que ele não busca a paz, mas sim que apenas tenta aniquilar a população do Sul do Líbano, como tentou fazer com a população de Gaza.
Esta evidência só ficou explícita quando ele se opôs ao plano de paz dos Estados Unidos com o Irã, porque, pela primeira vez, o seu principal aliado mostrou que uma outra via era possível.
Não nos cansamos de explicar, desde a chegada ao Poder da coligação (coalizão-br) Likud /Kahanistas [1], que o actual governo israelita prosseguia o projecto «sionista revisionista » de Ze’ev Vladimir Jabotinsky [2].
Embora tenhamos longamente sublinhado que o projecto «sionista revisionista» de «Império Judaico» não tem nenhuma relação com o do «sionismo» de Theodor Herzl, alguns leitores rejeitaram os nossos argumentos pensando que mascaravam um preconceito anti-semita. Para além disso ser insultuoso, ignora o nosso trabalho em favor da igualdade de todos.
Recordamos, pois, uma evidência escondida durante muito tempo : os sionistas revisionistas eram aliados do “Duce” Benito Mussolini, e negociaram com próximos ao “Führer” Adolf Hitler durante toda a Segunda Guerra Mundial e mesmo para lá dela. Eles organizaram, com o SS Adolf Eichmann, a deportação de milhares de judeus húngaros para Auschwitz [3].
Após a Operação «Torrente de Al-Aqsa», de 7 de Outubro de 2023, instalou-se uma confusão. Surgiu então um debate para saber se a resposta israelita devia ser qualificada como genocídio ou não. Alguns argumentaram que, por um lado, as Forças de Defesa israelitas claramente não procuravam matar alvos em função da sua pertença a uma etnia e que, por outro lado, não havia nenhuma ordem governamental nesse sentido.
Este plano foi primeiro aplicado em Gaza, nos últimos três anos, e no Líbano, nos últimos meses. Trata-se de crimes de guerra que são publicamente reivindicados por um militar árabe-judeu, que foi Chefe do Estado-Maior das FDI, de 2015 a 2019, e que, a partir de 11 de Outubro de 2023, se tornou Ministro sem pasta para participar no gabinete de guerra.
Ora, estes crimes de guerra têm por fim esmagar a resistência popular dos Gazenses e dos Libaneses. Confundir os resistentes e a população civil, é afirmar que se vai aniquilar todos os Gazenses e todos os Libaneses do Sul. O que constitui, sem qualquer dúvida, um genocídio.
Cabia ao Tribunal Internacional de Justiça (o tribunal interno das Nações Unidas) afirmá-lo. Foi o que a África do Sul, já vítima dos sionistas revisionistas durante o período do apartheid, tentou obter a partir de 29 de Dezembro de 2023. Infelizmente, a maioria do Tribunal opôs-se a isso sob influência do seu presidente, o Libanês Nawaf Salam. O qual deve a sua fortuna familiar à compra das terras da burguesia palestiniana pelo seu avô, por conta de Lord Lionel Walter Rothschild. A seguir à sua intervenção, ele foi nomeado Primeiro-Ministro do Líbano… onde deve enfrentar o que não foi capaz de decidir para Gaza.
A questão que se põe agora é : «Deve-se “desfascizar” o Estado de Israel ? », como se pretendeu desnazificar a Alemanha. Todos, com efeito, devem estar cientes que Benjamin Netanyahu e seus aliados têm a intenção de transformar em profundidade o Estado de Israel, que definiram já como «o Estado Judeu», e do qual eles afirmaram que queriam fazer, não uma «Atenas», mas uma «Super-Esparta» [5]
Esta questão arrisca tornar-se vital : a coligação de Benjamin Netanyahu envolveu-se, até à data, na prática de tortura, de crimes de guerra e de genocídio, mas jamais atentou contra a vida dos seus opositores. É, no entanto, a próxima etapa na sua captura do Poder e na concretização dos seus objectivos. Não foi por humanidade que ela ainda não o fez, mas por uma outra razão : para manter a unidade do povo israelita de modo a usar a imagem para mascarar os crimes.
Todos devemos compreender, Israelitas e não Israelitas, judeus e não-judeus, que os «sionistas revisionistas» são os inimigos do género humano. Eles não tiveram quaisquer escrúpulos em assassinar os judeus ucranianos pró-soviéticos entre 1921-1923 [6], depois os judeus húngaros mais ricos, em 1942-1945. E, eles não os terão amanhã para matar aqueles que lhes resistem, pouco lhes importando quem sejam. Devemos encarar lucidamente os factos e travá-los.

