Safia Antoun Saadah
“Israel” estabeleceu-se como uma colônia estrangeira na região com a ajuda e o apoio da Grã-Bretanha, que buscava controlar o legado do “Homem Doente” — ou seja, o Império Otomano — no início do século XX. Devido ao seu status de colônia de origem ocidental e por não possuir território próprio, recorreu à apropriação da Palestina, forçando seus habitantes a fugir ou enfrentar a morte e o extermínio.
Assim, o projeto fundamental de um “Estado nacional para os judeus” baseia-se na expansão e na tomada do máximo de território possível dos Estados árabes vizinhos, anexando-o à sua entidade fabricada com o apoio irrestrito do Ocidente colonial. Seus líderes declararam abertamente, sem medo ou vergonha, que as fronteiras de 1948 são insuficientes e que têm o direito de anexar terras alheias com base em um decreto divino. É por isso que Israel se recusa a estabelecer uma constituição para um país que não tem fronteiras definidas!
Israel não possui uma única constituição oficial escrita; o Estado opera sob uma constituição não escrita, baseada em uma série de leis especiais, e esse conjunto de leis especiais não define as fronteiras oficiais do país. Em vez disso, Israel traça suas fronteiras internacionais por meio de guerras perpétuas e aproveitando-se de oportunidades para anexar novos territórios — como a ocupação das Colinas de Golã, das sete aldeias libanesas ou de Sabá — ou, como tenta hoje, a anexação da área ao sul do rio Litani, no Líbano, sob vários pretextos, de modo que os habitantes nativos que vivem em suas terras há séculos sejam rotulados de “agressores” e “terroristas”, enquanto Israel se declara vítima!
- Safia Antun Saade, professora universitária
