Síria – No New York Times, a verdade infiltra-se nas entrelinhas. E OTAN Prepara-se para fazer guerra ao Irã e à Rússia

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26/5/2017, Moon of Alabama

Traduzido por Vila Vudu


The New York Times Magazine
traz artigo interessante sobre o leste de Aleppo. Robert Worth lá esteve recentemente e falou com várias pessoas. Editores/censores empregados do NYT rechearam o artigo com as mentiras e calúnias de sempre contra o governo sírio, mas já não conseguem soterrar as realidades que deveriam estar à tona, mas não estão.

A manchete diz: Aleppo depois da Queda, mas uma das frases mais destacadas do texto diz o contrário:
Yasser disse que foi um dos primeiros a poder voltar [para Aleppo-leste], imediatamente depois do que ele – como todos com quem falei — chamavam de “a libertação.”
Nada pode ser ao mesmo tempo “queda da cidade” e “libertação da cidade”. Não, pelo menos, no mesmo ‘relato’.

A propaganda pró jihadistas de que o governo teria bombardeado hospitais sem motivo, notícia ‘confirmada’ por um telefonema por Skype a algum propagandista a favor da al-Qaeda em Idleb – mistura-se ao que parece ser constatado em relato de campo:
No meu segundo dia na cidade, fui ver o Aleppo Eye Hospital, imenso complexo que os rebeldes usaram como quartel-general. Andando pelo prédio calcinado e destruído, meu guia do governo e os soldados que guardam o local iam selecionando ‘registros’ da tendência islamista dos rebeldes. Estavam por toda parte e não eram difíceis de ver. Um carro queimado na frente do prédio ainda exibe o logotipo da al-Qaeda na carroceria (…).
Infelizmente, o artigo também inclui erros factuais:
O repórter Rida al-Basha, nascido em Aleppo, descreveu a vizinhança [onde houve saques] e citou as milícias, inclusive as conhecidas “Forças Tigre” [ing. Tiger Forces], entre cujos líderes há bandidos conhecidos.
Não duvido que tenha havido saques depois da libertação de Aleppo leste. Os que apoiaram a invasão dos ‘rebeldes’ contra sua própria cidade com certeza perderam tudo. Mas soldados das Forças Tigre não são saqueadores. As Forças Tigres são a Divisão de Operações Especiais do Exército Árabe Sírio, não são “milícias”. São comandadas por oficiais altamente treinados, não por “bandidos conhecidos”. O comandante-chefe das Forças Tigre, general Suheil al-Hassan, está no exército há mais de 26 anos. As Forças Tigre são armadas com tanques russos T-90 e outros equipamentos pesados de assalto. São unidades ofensivas que têm atuado em vários fronts. Não são forças de fechamento de combate nem de ocupação para áreas urbanas, que teriam tempo para saque organizado em Aleppo. A matéria é contraditória e caminha em direção oposta aos fatos.

Mas ainda assim – o artigo da Magazine traz histórias detalhadas de pessoas que narram o que os “rebeldes” realmente fizeram na cidade. Como saquearam cada fábrica, cada casa, até os fios de cobre, e venderam na Turquia tudo que saquearam. Em todos os pontos em que a matéria realmente reporta o que disseram pessoas da ampla maioria síria que apoia o governo e não apoia nem ‘rebeldes’ nem terroristas. Depois de anos de repetir o exato contrário disso, em centenas de peças de pura propaganda anti-Síria, chega a ser estranho que os editores de NYT tenham deixado ‘passar’ algumas informações verdadeiras.

Mais um ponto em que se vê realmente quem os sírios escolherão como próximo presidente:
“Meu amigo empresário sírio contou que se reuniu para jantar duas vezes com uma dúzia de pessoas que conhecia bem e lhes propôs uma pergunta clara, sob o compromisso de que as respostas não seriam divulgadas. “Pedi que cada um dissesse em quem votará para ser o próximo presidente da Síria” – disse ele. – Perguntei ‘Em quem você votará?’ Todos os convidados eram sírios e nenhum apoiava o regime”. Para grande surpresa dele próprio, quase todos disseram que votarão em Assad.
E esse, caro leitor, é o motivo pelo qual os EUA e seus agentes e procuradores locais são contra qualquer tipo de eleição verdadeiramente democrática na Síria. A nêmese deles todos será facilmente eleita e poderá impedir que prossiga o planejado saque pelos neoliberais de tudo que resta do estado sírio.

As forças islamistas que operam como agentes locais do ‘ocidente’ – a al-Qaeda sob todos os seus mais diferentes disfarces –, Ahar al-Sham e até o ISIS estão na maior parte completamente destruídas. O ISIS, especialmente, já não é força militar capaz, e está-se reduzindo a operações em nível de guerrilha, nada além disso. A derrota final ainda demora um pouco, mas tem de ser e será vitória a ser obtida por forças locais.

Apesar disso, os EUA pressionaram os estados-membros da OTAN para que ordenem que a própria OTAN engaje-se na luta dos norte-americanos “contra o ISIS“. Individualmente, os estados-membros da OTAN já eram parte da coalizão dos EUA. Mas a OTAN como organização acrescenta capacidades de comando e controle e recursos adicionais (todos essas capacidades sob controle dos EUA).

Que ninguém se engane: o real objetivo da manobra dos EUA não é “combater contra o ISIS“. EUA querem que a OTAN apoie uma invasão da Síria pelo norte, por Idleb e simultaneamente pelo sul, perto de Deraa, e pelo sudeste, começando na estação de fronteira de al-Tanf para o Iraque.

Síria e seus aliados serão atacados agora sob o disfarce de “luta contra o ISIS” a qual, evidentemente, como o comprovam incontáveis fatos, não pode mais ser objetivo daqueles ataques. Por isso a OTAN e forças wahhabistas do Golfo serão empurradas para uma guerra expandida, não só contra o governo sírio, mas especialmente contra seus aliados Rússia e Irã.

Trump e o reforço de sua retórica anti-Irã, na recente visita à Arábia Saudita, serviram ao mesmo objetivo.

A Síria e seus aliados tentarão impedir a invasão, fechando al-Tanf e defendendo a cidade de Deraa – num esforço para bloquear movimentos militares mais amplos. Mas essas medidas serão provavelmente em vão. A menos que vozes sãs intervenham, estamos já nos primeiros movimentos de uma guerra muito mais ampla e muito mais perigosa, que pode facilmente escapar de todos e quaisquer controles.*****

 

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