Aviões de guerra dos EUA são ‘provavelmente responsáveis’ pelo massacre na escola de Minab, no Irã, revela investigação interna
Diversas investigações concluíram que o massacre de dezenas de meninas foi resultado de um ataque duplo, planejado para maximizar o número de vítimas civis.
Redação The Cradle
6 de março de 2026

(Crédito da foto: Anadolu/Getty Images)
Investigadores dos EUA que apuram o ataque mortal à escola primária feminina Shajareh Tayyebeh, na cidade iraniana de Minab, acreditam que um ataque militar dos EUA seja a causa mais provável do atentado que matou mais de 180 pessoas, das quais pelo menos 165 eram crianças, segundo autoridades americanas que falaram à Reuters.
Duas autoridades americanas disseram à agência que a investigação continua em andamento e que ainda não se chegou a uma conclusão definitiva.
No entanto, as conclusões preliminares sugerem que o ataque foi provavelmente realizado por forças americanas, embora tenham acrescentado que novas evidências ainda podem surgir e alterar a conclusão.
Reportagens e investigações de diversos veículos de comunicação chegaram a uma conclusão semelhante.
Uma investigação do New York Times (NYT), baseada em imagens de satélite, vídeos verificados e material de redes sociais, concluiu que a escola foi atingida por um ataque de precisão no mesmo instante em que alvos próximos ligados à Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) também foram atacados.
Uma investigação recente semelhante, conduzida pelo Middle East Eye (MEE), indicou que o local foi atingido duas vezes, descrevendo o incidente como um ataque duplo.
Um ataque duplo é uma tática destinada a maximizar as baixas civis, na qual um segundo míssil atinge o mesmo local logo após o primeiro, matando deliberadamente sobreviventes e socorristas que correm para o local para ajudar os feridos.
A BBC noticiou posteriormente que imagens de satélite e evidências de fontes abertas sugeriam que a área foi atingida por múltiplos ataques simultâneos ou quase simultâneos.
A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, rejeitou as acusações de ataque deliberado, declarando à Reuters que “o regime iraniano ataca civis e crianças, não os Estados Unidos da América”.
Entretanto, o escritório de direitos humanos da ONU pediu uma investigação independente sobre o incidente. A porta-voz Ravina Shamdasani declarou a jornalistas em Genebra que “a responsabilidade de investigar o ataque recai sobre as forças que o realizaram”, sem nomear nenhum responsável.
Menos de uma semana após o ataque conjunto dos EUA e de Israel ao Irã, as autoridades iranianas afirmaram que pelo menos 1.230 pessoas foram mortas, milhares de edifícios residenciais e comerciais foram destruídos e repetidos ataques foram relatados contra infraestrutura civil, incluindo escolas, hospitais, instalações esportivas e patrimônios históricos.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou pelo menos 13 ataques a instalações de saúde no Irã, enquanto a Sociedade do Crescente Vermelho Iraniano informou que 3.646 casas, 528 unidades comerciais e 14 centros médicos foram danificados, com três hospitais completamente inutilizados.
Fonte: The Cradle
