O livro mais importante de 2026: “Israel’s Lobby”, de Clifton e Lustick

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TRITA PARSI

11 de agosto

Era 2018, e eu estava cogitando a ideia de fundar um novo *think tank* em Washington — um que pudesse ajudar a mudar a grande estratégia dos EUA, afastando-a de guerras intermináveis ​​e de envolvimentos externos desnecessários.

Eu estava frustrado. Mais de uma década de trabalho para garantir o acordo nuclear com o Irã havia sido em vão quando Trump simplesmente abandonou o pacto. A maioria das pessoas via a explicação para isso na personalidade de Trump.

Embora a maioria atribuísse a explicação à personalidade de Trump, eu percebia um problema sistêmico mais profundo: para que um acordo como o JCPOA sobrevivesse, ele precisava estar inserido em uma grande estratégia mais ampla, capaz de sustentar tais conquistas. A Hegemonia Liberal sustentava guerras intermináveis ​​no Afeganistão e no Iraque, mas não protegeria um acordo diplomático que evitasse a guerra.

Se um novo *think tank* quisesse desafiar esse sistema, teria de exercer uma influência muito maior do que o seu porte sugeria.

Então, comecei a estudar os *think tanks* de Washington: como eram administrados, suas estratégias de comunicação, como captavam recursos e — talvez o mais importante — quem realmente os financiava.

Essa última questão era mais difícil do que parece. Muitos *think tanks* são extremamente opacos quanto à origem de seus recursos. Eu precisava de alguém que soubesse rastrear o dinheiro.

Foi então que liguei para Eli Clifton.

Eli era um jornalista investigativo especializado em rastrear redes de financiamento e revelar os verdadeiros detentores de poder por trás das instituições de Washington. Ele era, como se costuma dizer, um dos melhores da área.

Eli, naturalmente, tornou-se cofundador do Quincy Institute.

Conto essa história de bastidores porque ela está diretamente ligada à importância do novo e extraordinário livro que Eli escreveu em parceria com Ian Lustick, professor da Universidade da Pensilvânia (UPenn): *Israel’s Lobby: America in the Grip of a Foreign Power* (“O Lobby de Israel: A América sob o domínio de uma potência estrangeira”), lançado oficialmente hoje.

Acredito que ele se tornará o livro mais importante de 2026.

Se você ainda não comprou o livro, deveria fazê-lo agora mesmo! *Israel’s Lobby* não é uma sequência do livro pioneiro de 2007 de John Mearsheimer e Stephen Walt, *The Israel Lobby and U.S. Foreign Policy*, nem tampouco uma simples atualização dele. A obra faz algo diferente.

Eli e Ian apresentam um histórico sistemático dos momentos em que — segundo a narrativa deles — Israel e seus apoiadores americanos agiram contra os interesses dos EUA. Mas eles também acrescentam uma dimensão que Mearsheimer e Walt não exploraram a fundo: o dinheiro — e, especificamente, a maquinaria financeira por trás dos esforços para colocar os interesses de Israel acima dos da América.

Eles rastreiam esse dinheiro.

Eli e Ian mapeiam o financiamento que impulsiona o lobby pró-Israel, identificando grandes doadores por trás de fundos geridos por doadores (*donor-advised funds*) e outros mecanismos capazes de ocultar o rastro do dinheiro. Com base em e-mails vazados e em um extenso trabalho investigativo, eles mapeiam as conexões dos doadores com Israel e documentam os métodos pelos quais dinheiro e influência política são utilizados para exercer pressão sobre a política externa dos EUA.

Em seguida, eles sobrepõem essa investigação financeira a um argumento histórico mais amplo: o de que Israel e o lobby pró-Israel buscaram repetidamente frustrar presidentes americanos, pressionar legisladores e inviabilizar políticas que consideravam contrárias aos interesses de Israel — mesmo quando tais políticas atendiam aos interesses da própria América.

O livro examina os esforços para alimentar a islamofobia, disseminar boatos falsos sobre presidentes americanos e instrumentalizar acusações de antissemitismo para marginalizar e silenciar críticos de Israel.

Como Ian explica no vídeo abaixo: “O objetivo deste livro é dizer ao povo americano que ele enfrentou, e continua enfrentando, um perigo representado pelo lobby de Israel nos Estados Unidos — um perigo que não apenas compromete os interesses americanos no exterior, mas também ameaça as liberdades americanas internamente.”

No entanto, a razão pela qual acredito que este se tornará o livro mais importante de 2026 reside no choque entre suas descobertas e o momento atual. Nunca antes os americanos estiveram tão dispostos a debater abertamente a questão — antes um tabu — da influência de Israel na política americana.

De fato, chegamos a um ponto de inflexão. A relação dos EUA com Israel — e o genocídio em Gaza — tornou-se um teste decisivo em eleições primárias importantes tanto do Partido Democrata quanto do Republicano. A disputa pela prefeitura de Nova York e as primárias para o Senado em Michigan não foram episódios isolados. São indicadores de uma tendência emergente. Durante anos, Washington operou sob uma assimetria peculiar: o que era uma política ruim para os Estados Unidos ainda podia ser uma boa estratégia política para políticos individualmente. Alinhar-se ao lobby pró-Israel podia prejudicar uma política americana sensata, mas ajudava a garantir a permanência dos legisladores em seus cargos.

Essa equação está mudando. Políticas ruins estão se tornando, cada vez mais, uma má estratégia política.

O apoio da AIPAC e de outros segmentos do lobby pró-Israel pode, agora, acarretar um custo político em vez de oferecer proteção política. E políticos que questionam a conduta de Israel em Gaza — ou a influência de seus apoiadores na política americana — estão descobrindo que tal postura pode lhes render não apenas votos,

mas sim de doações essa é uma mudança profunda na política americana. E é precisamente nesse cenário que entra o livro *Israel’s Lobby*.

Uma mudança de paradigma nas relações entre os EUA e Israel está a caminho. E suspeito que o livro de Eli e Ian desempenhará um papel importante para acelerá-la — e para tornar impossível que Washington ignore essa mudança, que já tarda a acontecer.

P.S.: Se você quiser ter uma amostra do livro antes de mergulhar na leitura, o *The Guardian* publicou um trecho fantástico, adaptado de *Israel’s Lobby*: “O lobby pró-Israel tem influenciado presidentes dos EUA desde Truman. Isso precisa acabar com Trump.”

Fonte: https://open.substack.com/pub/tritaparsi/p/the-most-important-book-of-2026-clifton

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