Por Assad Frangieh.
A palavra de ordem do governo de Almunssef Al-Marzouki é que a “Tunísia não é o Egito”. Há cinco meses Chukri Baliid foi assassinado. Ontem foi Mohamad Al-Barahami. Ambos eram opositores, líderes da revolução de “14 de janeiro”, progressistas, arabistas e laicos. Em menos de 24 horas, o governo apresenta o assassino foragido. Um salafista que estava sendo observado e perseguido, hospedado na casa de sua tia no subúrbio norte da Capital onde morava Al-Barahami. Descuido policial ou cumplicidade embutida?
Mohamad Al-Barahami
Al-Marzouki não passa de uma máscara que esconde o vazio político e o autoritarismo do partido Al-Nahda. A justificativa dada pelas autoridades ao crime hediondo executado em plena luz do dia não passa de um discurso folclórico cheio de acusações a terceiros. Uma redação ao modelo da irmandade egípcia. A ira deflagrada pelo assassinato de Al-Barahami incendiou sua terra natal de Sidi Bouzid, berço da revolução tunisiana e deve aumentar durante seu funeral declarado dia de luto nacional e de greve geral convocada pela União Geral dos Trabalhadores.
Chukri Baliid
Será que o assassinato é outra mensagem preventiva dos salafistas locais vendo os acontecimentos na terra do “Irmão mais Velho” como é chamado o Egito pelos tunisianos? As forças populares culpam diretamente ou indiretamente o Governo pelo sangue derramado de um ativista nacionalista, arabista que apoia a resistência secular e denuncia as conspirações contra o povo sírio. O partido Al-Nahda vem mantendo um discurso violento e no qual, em sua essência, defende o projeto salafista de burlar a Constituição e monopolizar o poder retrocedendo o País para um período sombrio.
A reivindicação atual das ruas é pela queda do Governo, a resolução da Assembleia Constituinte e a saída do Presidente. Assim como no Egito, os membros do Governo devem se esconder atrás da legitimidade e as ameaças de uma guerra civil. E assim também, o Exército será o elemento de desequilíbrio. O movimento Tamarod iniciou seus apelos pela mobilização popular. Cedo ou tarde o Governo deverá ceder. Talvez através de uma solução política: um governo de Unidade nacional, novas eleições parlamentares e um novo Presidente da República… ou talvez no braço mesmo.
Tudo começa após o funeral.