A Conferência de Genebra sobre a Síria

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Por Lejeune Mirhan.

A presente Conferência começa em 22 de janeiro, na cidade interiorana da Suíça de Montreux. Ela vem sendo chamada de Genebra 2 porque a primeira ocorreu em 2012. Foi organizada por 11 países que se autointitulam “amigos da Síria”. A primeira havia tirado uma pauta que afirmava que o governo legítimo da Síria, sob a presidência do Dr. Bashar Al Assad deveria caminhar para uma “transição” e ver formas de que ele deixasse o poder e o entregasse à oposição. Aliás, foi nessa 1ª Conferência que eles formaram um “governo sírio no exílio” e indicaram um “primeiro Ministro”, nascido no Texas, EUA vinculado à petroleira Exxon.

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Essa 1ª Conferência aprovou “ajuda não letal” ao que a mídia vem chamando de “rebeldes”. Indagamos sempre o que seria exatamente essa ajuda? Eles falam em sistemas de comunicação, “inteligência” (sic), treinamento, veículos leves etc. A Arábia Saudita e o Qatar à época já jogavam bilhões de dólares no conflito, comprando equipamentos militares, blindados leves e muitas metralhadoras e fuzis AK-47 (ele custava n mercado paralelo 200 dólares e agora não sai por menos de 1,5 mil).

Nunca saberemos ao certo quantos mercenários e terroristas de fato ingressaram na Síria desde o início do conflito em março de 2011. Alguns analistas falam em 40 mil, mas já li os que arriscam até 160 mil jihadistas ou takfiristas (os que seguem ao pé da letra a letra do livro sagrado dos muçulmanos e são todos sunitas). É certo que nas fronteiras da Turquia e da Jordânia, países que mais os apoiam e que possuem vastas fronteiras com a Síria devem existir até cem mil. Vindos de 83 países distintos em todo o mundo, inclusive na Europa Ocidental e até EUA.

Quando publiquei na revista Princípios em agosto de 2012 meu primeiro artigo mais de fundo sobre a crise na Síria, eu relacionei o que lá ocorre com a eclosão de uma nova Ordem Mundial, um reordenamento geopolítico no planeta, com o surgimento de novos blocos e polos e o declínio dos Estados Unidos. Naquele trabalho eu listava oito motivos/razões pelas quais achava que Bashar não cairia. Continuam válidas praticamente todas as razões.

No entanto, mesmo sem saber dos resultados do que vai sair de Genebra 2, algumas opiniões posso adiantar aos leitores. Para isso conto sempre com um coletivo de estudos e pesquisas árabes, que chamamos carinhosamente de GT Árabe, que esta semana reuniu-se pela 62ª vez, cuja pauta foram debates sobre a Conferência. Farei algumas análises e construções de cenários e arriscarei algumas opiniões sobre o que pode ocorrer.

Só antes, para informar nossos leitores, que a mídia nacional não o faz, publico a seguir os membros da delegação síria na Conferência: Equipe Política – será composta por nove pessoas, das quais dois ministros, um vice-ministro, um embaixador: Walid Al-Mouallem (Ministro do Exterior); Oumran Zoubi (Ministro da Comunicação); Bouthaina Shaaban (Assessora Política do Presidente); Faisal Mikdad (vice-ministro do Exterior); Hussam Ad-Dyn Alya (membro do Ministério do Exterior); Bashar Ja´afari (Embaixador Sírio na ONU); Ahmad Amus (Conselheiro do Ministério do Exterior); Luna Shabal (Assessora de Imprensa) e Osama Ali (Funcionário do Ministério do Exterior). A equipe técnica é formada por sete pessoas, entre as quais dois deputados: Ahmad Kazbary (Parlamentar); Mohamad Khair Okkam (Professor da Universidade de Damasco); Hisham Kadih (Ministério do Exterior); Abdelkarim Honda (Ministério do Exterior); Amjad Issa (Assessoria de Imprensa); Tamim Madani (Parlamentar) e Mohamad Mohamad (Missão permanente síria na ONU).

As circunstâncias em que a Conferência se realiza

O imperialismo estadunidense não é mais o mesmo. É decadente. É bem verdade que também não é ‘um tigre de papel’, como dizia Mao na década de 1960, mas encontra-se enfraquecido. Ainda que siga sendo o maior senhor da guerra no planeta, já não consegue bombardear um país que ele tem por inimigo ao seu bel prazer. Encontra oposição de um campo da resistência resistência que, grosso modo, é integrada além da própria Síria, pelo Iraque, Irã, Líbano e mais cristãos, muçulmanos patriotas do mundo inteiro, mais os comunistas que lhes dão feroz combate há décadas.

Não é de hoje que a imprensa-empresa mais desinforma que informa. Ela faz propaganda de notícias na forma de mercadoria, mas cujo conteúdo é escrito de acordo com os interesses das potências imperialistas e contra os interesses dos povos e países que defendem a soberania nacional e que não aceitam os ditames imperiais. Prova disso é o exército árabe da Síria e seu governo darem enfrentamento à agressão externa que o país vem sofrendo há quase três anos.

Um excelente artigo de Wayne Madsen fez o que penso ser uma das melhores análises do momento, que publico aqui um resumo dos rumos da Conferência, qualquer que sejam os seus resultados (1). Ele elenca fatores que mostram que o grande vencedor antecipado da Conferência é exatamente o presidente da Síria, que dará as coordenadas sem estar presente.

Resumo assim os fatores que me levam a afirmar que as condições hoje estão muito melhores do que há três anos e vejo com extremamente possível que Bashar Al Assad seja candidato à reeleição no próximo mês de junho. Como diz hoje um dos maiores filósofos franceses e integrante da resistência, Thierry Meyssan, que mora inclusive em Damasco, os inimigos da Síria como a OTAN e a Turquia avaliam que a popularidade de Assad varia de 60% a 88%. A CIA divulgou pesquisa que ela detém onde afirma que a sua popularidade beira os 75%.

Vamos aos fatores:

1. A queda de Morsi – Esse reacionário ex-presidente egípcio era um dos que mais davam combate ao presidente sírio e apoiavam os terroristas. Ele integra a Irmandade Muçulmana, partido religioso hoje banido no país e cuja popularidade atualmente não ultrapassa 10%. É aliado dos Estado Unidos. Sempre fez o jogo de Israel. Sequer abriu as fronteiras de Rafah com a Palestina (Faixa de Gaza), contribuindo para asfixiar essa população que vive no que é considerado a maior prisão a ceu aberto do mundo.

Aqui faço um parêntese sobre o Egito para desmascarar as falsidades que a mídia divulga. O voto não é obrigatório nesse país. Antes de sua queda, Morsi havia fechado o parlamento e a Suprema Corte. Fez um referendum da sua Constituição que islamizava o país e restringia direitos aos partidos e às mulheres. Pois bem. Apenas 34% dos eleitores compareceram e o “SIM” obteve 64%. A consulta realizada semana passada sobre a nova Constituição, novamente laica, compareceram 38% da população e o “SIM” venceu com 98,5% dos votos. Mesmo com uma estridente campanha da Irmandade pelo boicote.

O presidente sírio chegou a dizer que essa queda representava o fim do chamado “Islã Político”. O Islã é uma das religiões que mais cresce no mundo. Mas é uma religião e isso diz respeito aos assuntos da vida privada de cada pessoa. Isso não deve ser assunto de Estado. O “Cristianismo político”, por assim dizer, ocorreu de forma desastrosa e se materializou nas Cruzadas do século XI e XII que massacrou os árabes da Palestina independente de sua crença.

2. A troca de comando no Qatar – O Qatar é um micro estado bilionário pela riqueza do petróleo. Um emirado que tem um único dono. Sua população é de apenas dois milhões de habitantes, metade vinda de fora. É protetorado estadunidense. São apoiadores do salafismo que por sua vez divergem dos wahabistas sauditas. O emir Hamad Bin Khalifa Al Thani foi forçado a abdicar em favor de seu filho Tamim Bin Hamad Al Thani em junho do anos passado. Mudaram os rumos das coisas. O líder espiritual da Irmandade foi expulso de Doha onde morava. Praticamente cessou todo o financiamento aos terroristas e mercenários.

Ouvi de um alto dirigente do Hezbolláh com quem estive em Beirute que o novo emir, jovem de 32 anos não vê a hora de visitar Damasco e reabrir a sua embaixada na Síria. Um golpe de morte nos terroristas.

3. A decadência do Erdogan da Turquia – Também ele membro da Irmandade. Sonha ser o novo sultão do Califado Turco Otomano. Aos poucos vai islamizando a Turquia, para profunda irritação do povo e do exército, guardião da laicidade estabelecida por Kemal Ataturk. Viveu ano passado imensas manifestações de oposição ao seu governo. O apoio aos terroristas acampados na fronteira síria está se voltando contra ele. Vários atentados e ataques foram registrados e território turco.

4. O fracasso da mídia em acusar Assad do ataque químico – Em agosto de 2013 um ataque químico na periferia de Damasco matou dezenas de cidadãos sírios e membros do próprio exército. Sem prova alguma, a imprensa-empresa apontou o deu acusatório contra o presidente sírio. Países europeus endossaram a versão de Obama e da CIA, completamente fantasiosa, amplamente provada e demonstrada, até por fotos de satélites russos. Que presidente mataria seu próprio exército em ataque químico? Mais uma farsa que vai sendo demolida.

5. Os terroristas agora brigam entre si – Os terroristas nunca estiveram unidos. Mas, agora, atacam-se mutuamente. Matam-se em várias partes do território sírio. O tal Exército Sírio “Livre” – ESL acabou. Foi dizimado. Seu “comandante”, o general Salim Idris fugiu e está exilado no Qatar. Decreto de anistia do governo sírio para quem depusesse armas fez com que a pequena parcela de desertores do exército regular (estimados em 3% no máximo), retornassem às fileiras militares. Membros do que restou dessa milícia pró-Ocidente atacam abertamente os “rebeldes” financiados pela Arábia Saudita, através de seu chefe Bandar Bin Sultan, conhecido como Bandar Bush.

Os países europeus estão completamente em pânico com a possibilidade desses terroristas jihadistas retornarem aos seus próprios países e praticarem atos de terror. Algumas dessas milícias terroristas não só matam a sangue frio soldados e civis imobilizados com tiros na nuca, como muitos deles comem publicamente órgãos internos de suas vítimas. Tais imagens – que rodaram o mundo – abalou completamente a moral dos tais “combatentes” e seus apoiadores europeus.

6. A derrota dos EUA – Obama teve que engolir o fracasso de seu pretendido ataque militar à Síria. Aliás, pelo menos desde 2003 os EUA planejam a derrubada de Bashar. Desta vez, tamanho seu isolamento que a promessa de ataque não durou sete dias. Foi derrotada na Inglaterra, seria na França e no próprio Congresso dos Estados Unidos ela seria derrotada como indicavam as pesquisas.

O império do Norte já não pode mais executar a sua arrogância e prepotência. Em vista disso, a derrota se materializa na prática com o reconhecimento do Irã nuclear. A esquerda ainda não aquilatou o significado disso. O pequeno país persa, com seus aliados regionais, que dá diuturno combate ao imperialismo decidiu ter o seu programa nuclear para fins pacíficos (energia e medicina). E venceu. Dobrou todas as potências (CS + Alemanha). E hoje segue enriquecendo o seu urânio. Se há dez anos a Agência Atômica da ONU – braço dos EUA – dizia que o Irã poderia ter no máximo “três centrífugas nucleares”, hoje tem 20 mil.

O Irã sabe quem são seus aliados. Por isso o apoio à Síria. Por isso o apoio firme à causa palestina. Por isso as boas relações que têm tido com comunistas e socialistas em várias partes do mundo e com os bolivarianos da América Latina.

Pois é exatamente nesse clima que abre hoje a Conferência de Genebra 2 na Suíça.

Perspectivas

Nas últimas 72 horas muita confusão na organização e convites para a Conferência. O SG da ONU, preposto dos EUA, Ban Ki Moon convidou vários países, entre os quais México e Luxemburgo e outras que nada têm a ver com o conflito. E não se sabe porquê. No entanto, expediu convite ao Irã. Quando Ban faz uma coisa dessas seguramente teve o aval dos EUA, que seguem em conversações com os persas.

No entanto, a maior dificuldade de se instalar uma Conferência Mundial dessa natureza – discutir a paz em um país em conflito – é levar as duas principais partes à mesa de negociação. Os tais “11 amigos da Síria”, foram acrescidos de vários penduricalhos – com todo respeito a vários países – que nada têm a acrescentar à Conferência. Normalmente já se chega com as coisas acordadas e arrumadas pelos diplomatas que chegam antes. Está aqui isso não ocorre.

O grupo que se intitula “Coalizão Nacional Síria” – CNS, é composta exclusivamente por estrangeiros e que são financiados e apoiados por estrangeiros e potências imperiais e regionais no Golfo. Essa gente mora em Paris, Londres e Istanbul. Não possuem nenhuma raiz dentro da Síria. Estão todos na folha de pagamento do Departamento de Estado, do Pentágono, da CIA e outros quetais. São “sírios” por mera conveniência. Falam melhor o francês e o inglês do que sua língua pátria.

Pois bem. Esse grupo se reuniu no último final de semana em Istanbul na Turquia. Sua composição é um emaranhado de grupelhos que não se entendem. A pauta era: vamos ou não vamos à Conferência? Mais da metade sequer compareceu para a “votação”. O ex-embaixador dos EUA em Damasco Robert Ford lá compareceu e deu as ordens do chefe do império. Exigiu aprovação do “SIM” para ir à Genebra. Ameaçou cortar o financiamento às viagens dos seus “líderes” pelo mundo afora. A um deles disse-lhe que tiraria o cargo que arrumaram para ele na Europa (2).

Pois bem. A “votação” do “SIM” foi aprovada pela minoria. Ou seja, os EUA tinham agora quem colocar à mesa para dialogar com os emissários do presidente da Síria e de seu governo constitucional e legítimo – que a mídia chama de “ditadura”.

No entanto, o convite de Ban ao Irã, um dos países verdadeiramente amigo da Síria, provocou forte reação nesse agrupamento de estrangeiros apoiados por estrangeiros que, imediatamente ameaçou deixar de ir à Genebra. Isso faria fracassar completamente a Conferência. Ban teve que recuar. Desconvidou o Irã. Até porque, eles exigiam que o Irã apoiasse a declaração da 1ª Conferência de 2012 que concluía falando da necessidade de uma “transição na Síria com a entrega do poder a um novo governo” (sic). Jamais o Irã aceitaria essa pré-condição para estar em Genebra. Ainda mais que no primeiro Encontro ele sequer fora chamado.

A pauta da Conferência é genérica. Fala-se em discussão da paz, mas insiste-se na “transição de governo”. Fala-se em ajuda humanitária, reconstrução. A Síria tem outra pauta. Há dois meses ela vem batendo na tecla que a questão central de um debate para um evento dessa magnitude é um só: o combate ao terrorismo mundial.

Os EUA desde a derrubada das torres gêmeas em NY em 2001, feita por sauditas da Al Qaeda, dizem combater o terrorismo em todo o mundo. Pura balela. Hoje na Síria eles armam e apoiam, fazem alianças com os maiores grupos terroristas da atualidade, que são a Al Qaeda e o Exército Islâmico do Iraque e do Levante (ISIL/ISIS), além da Jabhat Al Nusra. A Arábia Saudita hoje comanda uma rede mundial de financiamento do terrorismo que pratica barbaridades em várias partes do planeta. É como se fosse uma espécie de “Internacional do Terror”. Mas é aliada dos Estados Unidos. Isso é a maior contradição que Obama tem que administrar nesse momento.

Conclusões

Só tenho uma grande conclusão, além de comentários gerais a fazer: o grande vitorioso dessa Conferência e que sairá de lá fortalecido chama-se Bashar Al Assad. Provou ao mundo que a sua luta é justa. Mandou mensagem para o imperialismo e seu países clientes que a soberania nacional de um povo e de um país não tem preço que se paga. Não arredou pé e disse que ficaria na sua pátria e a defenderia até o fim. E venceu. Ainda que na entrevista no domingo para a AFP ele reafirme que a guerra vai prosseguir e durará muito ainda. Deu um grande exemplo aos povos em luta em todo o mundo que é possível vencer os imperialistas. E deixou claro que mesmo indo à Genebra 2 a solução do conflito será decidida por sírios e dentro da Síria, ainda que reconheça a importância da ajuda de países verdadeiramente amigos da Síria como Rússia, Irã e China.

Como diz o excelente artigo que mencionei no começo, “quem pilota o carro em Genebra 2 é, sem dúvida, o presidente Assad. Ele continuará a ter um papel dominante na vida política síria. Não por milagre, mas por sua capacidade de resistir e pelo total colapso da coalizão que se construiu contra ele”.

Reproduzo aqui parte da entrevista de um dos maiores filósofos da França hoje, Thierry Missam, do site Voltaire Net, ao jornal A Voz da Rússia concedida no último dia 14: “Mas quando alguém tem aliados na guerra é mais difícil dizer a eles: ‘Agora acabou, voltem para casa porque perdemos!’. É esta a situação que os EUA estão tentando administrar neste momento”.

O Irã será o grande ausente presente à Conferência. Ela poderá ser inócua ou indicar alguns consensos. Poderá servir até para quebrar o gelo dos países árabes com o Ocidente em geral. Pessoalmente, não acho que ali se construirá uma solução para a paz. Mas pode avançar em alguns pontos.

O sistema imperialista sai cada vez mais desgastado desse processo. Mas não derrotado, pois tem fôlego para infernizar ainda a humanidade por muito tempo. Mas, já não é mais o mesmo. Está mais enfraquecido.

O império do Norte não só quis e continua tentando destruir o Estado sírio, como pretendeu dividir o país em três mini estados. Vem sendo sucessivamente derrotado. Nenhum presidente em lugar nenhum do mundo que vive sendo acusado de ser ditador, que massacra o seu povo, resiste por três enfrentando a ingerência de dezenas de países que financiam terroristas. É certo que tem apoio popular.

Concluo de forma esperançosa na perspectiva de vitória das forças progressistas e anti-imperialistas de todo o mundo. Como menciona o documento final de nosso 13º Congresso do PCdoB, “hoje, o conteúdo fundamental que define a ação internacionalista é o anti-imperialismo”. Como internacionalista, aplicamos estas orientações diuturnamente.

Voltaremos ao tema da Conferência semana que vem.

(1) Ver no original http://www.strategic-culture.org/news/2014/01/21/who-is-in-the-driver-seat-before-geneva-ii.html traduzido no Brasil pelo coletivo da Vila Vudu.

(2) Ver nosso site Oriente Mídia, a maior publicação em língua portuguesa sobre mundo árabe http://www.orientemidia.org/o-chefe-manda-os-suditos-obedecem/

* Sociólogo, Professor, Escritor e Arabista.

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