Algo de bom em 2013 6

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Por Claudio Daniel.

Gostaria de destacar alguns eventos como os mais importantes daquilo que aconteceu em 2013.

1) Os Estados Unidos não podem mais impor sua vontade ao mundo, do mesmo modo como faziam antes — foram obrigados a recuar de seus planos de ataque à Síria, ao Irã e à Coreia Popular, graças à firmeza política e diplomática da Rússia e da China;

2) A China já é a segunda economia do mundo, e deve superar os Estados Unidos nas próximas décadas;

3) No Oriente Médio, a Síria está vencendo a guerra contra os mercenários, a Irmandade Muçulmana sofreu duro golpe no Egito e entrou em crise na Turquia;

4) Edward Snowden divulgou informações preciosas sobre a espionagem norte-americana no mundo; no Brasil, a presidenta Dilma Rousseff exige explicações de Obama, cancela a visita oficial que faria aos Estados Unidos e faz um duro discurso na ONU, condenando a ingerência norte-americana;

5) Os protestos de junho no Brasil, que inicialmente pareciam indicar um crescimento da direita, levaram a presidenta Dilma Rousseff a anunciar importantes ações voltadas à melhoria da saúde, da educação e da mobilidade urbana, e em poucos meses ela recuperou sua popularidade, podendo vencer as eleições de 2014 no primeiro turno;

6) Morrem dois grandes lutadores: Hugo Chávez e Nelson Mandela;

7) A esquerda aumenta a sua influência política na América Latina, com a vitória de Michelle Bachelet no Chile e dos candidatos bolivarianos nas eleições municipais na Venezuela;

8)  O programa Mais Médicos, implementado pela presidenta Dilma Rousseff, agrega seis mil médicos estrangeiros em 2013, número que deve aumentar para treze mil no próximo ano, beneficiando 23 milhões de brasileiros;

9) Os leilões dos campos de pré-sal no Brasil, sob regime de partilha, mantém a propriedade estatal de nossas riquezas e garante investimentos que poderão ser aplicados na educação (75%) e na saúde (25%), conforme projeto aprovado no Congresso Nacional;

10) O Fórum de São Paulo e o XIII Congresso do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) reúnem milhares de militantes comunistas de todo o mundo para a discussão dos novos rumos para a participação popular e as mudanças sociais.

 

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6 thoughts on “Algo de bom em 2013

  1. Responder Nathaniel Braia dez 30,2013 18:15

    Em primeiro lugar quero dizer que 2013 foi um ano difícil para todos nós e em especial para as pessoas com nível de consciência suficiente para se indignarem com as atrocidades, agressões, miséria e atraso que a humanidade há muito precisa e merece superar.

    Acho também que sem uma cota de verdadeira indignação com esta porcaria imperial que empesteia o ar não há como mudar esta dura realidade. Acho que a tentativa do Claudio de mostrar o outro lado, os avanços e resgatar as conquistas muito positiva mas ao meu ver há erros de abordagem:

    1 – Houve avanços grandes mas o que há para superar é muito grande e isso não há como negar. O imperialismo ainda tem espaço para invadir, financiar terroristas e destruir nações inteiras sem que a maioria dos governos – inclusive o brasileiro – se insurja contra tanta barbárie e desfaçatez. O apartheid israelense não só tem espaço para se manter como para cair como ave de rapina ensandecida e açambarcar terras palestinas assaltadas à luz do dia. A maioria dos governos passa batida, inclusive aquele que a mídia quer reeleger. Claro é essa mídia que sempre forjou resultados eleitorais antecipados para obter resultados que a interessam que está dizendo que a Dilma “pode” vencer no primeiro turno. Da onde mais você tirou isso, Daniel? Da minha parte acho que a Dilma terá dificuldades de vencer as eleições não somente no primeiro turno, mas no segundo também.

    Pode perder as eleições pelo mesmo motivo pelos quais você acha que avançou.
    Exemplos:
    1 – Transformar o Pré-Sal em Pró-Shell.
    2 – Fazer vista grossa para as manifestações não só de junho, mas de agosto, setembro, outubro, novembro e dezembro e não corrigir em nada o essencial que gerou toda essa insatisfação popular: um gigantesco retrocesso em relação ao governo Lula, aí incluído o retorno ao patamar de juros mais altos do mundo.
    3 – Você se esqueceu do vergonhoso silêncio com relação à prisão do chefe da Casa Civil do governo Lula e do ex-presidente do partido pelo qual Dilma chegou à presidência. O que dizer de quem abandona os companheiros dessa forma?

    Há mais para comentar, mas acho que vou ficar por aí e desejar um 2014 com a vitória do povo sírio sobre a agressão imperial e do povo brasileiro com a instalação de um governo popular, nacionalista e progressista a partir do início de 2015.

    Feliz 2014 e abraços a todos

  2. Responder Assad Frangieh dez 30,2013 18:25

    Gostaria de acrescentar algumas mudanças em 2013 que não podem deixar de serem consideradas importantes:

    1. A eleição do Papa Francesco que por sua postura de líder religioso e político constitui um novo pólo da geopolítica internacional.

    2. O papel destaque da Arábia Saudita em promover os grupos mais fundamentalistas e radicais da Al-Qaeda tanto ideologicamente como no seu financiamento e apoio político.

    3. O fim do “novo Império Otomano de Erdogan” que ressurgiu mas já é sua maldição.

    4. Por fim, mais uma vez a Lusa pisa na bola, mantém o Fluminense na primeira divisão e ela volta para a segundona, (pobre do meu amigo Avelino!)

  3. Responder Claudio Daniel dez 31,2013 15:17

    Caro Braia, respeito as tuas opiniões, mas temos posições muito diferentes em relação à política nacional.

    Quanto às pesquisas de opinião que mostram a vitória de Dilma no primeiro turno, foram publicadas em jornais que, há dez anos, fazem oposição diária e sintomática aos governos progressistas, o que é sintomático: não há nenhum reconhecimento melhor do que aquele feito por nossos inimigos.

    Vamos vencer com Dilma em 2014 e lamento muito que o bravo Partido Pátria Livre embarque na canoa furada de Marina e Eduardo Campos, mas sempre há tempo para mudança de rota.

    Quanto à prisão de Genoíno, Dirceu e Delúbio e a farsa do “mentirão”, quem acompanha minhas postagens no Facebook sabe que denuncio isso há bastante tempo e que nunca me calei sobre o assunto.

    Há braços,

    Claudio

  4. Responder Nathaniel Braia dez 31,2013 18:32

    Caros Claudio e amigos

    Muito bom que você tenha se somado aos protestos sobre a prisão de Dirceu e Genoino, o jornal Hora do Povo foi um dos veículos que mais se insurgiu contra esta felonia. O silêncio a que me referi foi da presidente Dilma Russef, peço desculpas caso tenha deixado passar qualquer dúvida sobre seu posicionamento. Falo da omissão da presidenta Dilma.

  5. Responder Claudio Daniel jan 1,2014 11:17

    Caro Braia, em minha opinião, não se trata de uma postura individual da presidente Dilma, mas de uma política da direção nacional do Partido dos Trabalhadores, que evita tomar a defesa dos acusados no processo do “mentirão” por temer a reação da imprensa e o inevitável desgaste eleitoral. O projeto do PT é vencer as eleições em 2014 e evitar riscos políticos. Claro que essa atitude é questionável e está ligada, a meu ver, a três grandes erros dos governos Lula e Dilma: 1)não ter aprovado uma lei de regulamentação da mídia (além de manter anúncios publicitários na imprensa golpista e não ter criado veículos de comunicação próprios); 2) não ter realizado a reforma do judiciário; e 3) não ter investido na politização e mobilização dos trabalhadores, em função da “estabilidade” de um governo que, para manter a governabilidade, foi obrigado a fazer alianças com setores de centro-direita. Poderia ser diferente? Confesso que tenho dúvidas a esse respeito! Eu gostaria que o Brasil estivesse hoje numa situação próxima à da Venezuela, que realiza grandes mudanças sociais, porém, são casos muito distintos, uma vez que na Venezuela Chávez teve maioria absoluta no Congresso (que lhe permitiu mudar a Constituição), apoio do Exército e dos movimentos populares, cujo grau de organização e mobilização é imensamente maior do que no Brasil. Há também a diferença no plano da superestrutura: Chávez (hoje, Maduro) e a direção do PSUV têm um programa político e ideologia muito mais à esquerda do que o PT, que abraçou a social-democracia. Existe outra opção mais avançada, no cenário político brasileiro? Infelizmente, creio que não. O que o Partido Pátria Livre espera que Eduardo Campos e Marina façam, na situação hipotética de serem eleitos?

    Há braços,

    Claudio

  6. Responder Nathaniel Braia jan 2,2014 10:47

    Claudio

    Espero para você um feliz, profícuo e próspero ano novo.

    1 – Sobre o Eduardo Campos aponho a este comentário dois textos.

    a) Uma declaração de Ariano Suassuna:

    Eduardo Campos é o mais capacitado para o Brasil

    ARIANO SUASSUNA (*)

    Para falar de Eduardo Campos eu precisaria escrever um ensaio, tal a importância que dou a ele em relação a nosso País e ao nosso povo.

    Teria de começar falando do ponto de vista pessoal, para dizer que o conheço desde o seu nascimento, pois seu pai, Maximiano Campos, e seu tio, Renato Carneiro Campos, eram escritores e meus amigos, e ambos eram já pessoas preocupadas com os mais pobres e com a terrível dilaceração que, no Brasil, separa os despossuídos e os privilegiados.

    Tenho certeza, então, de que todos dois teriam imenso orgulho ao ver o filho e sobrinho desempenhando agora, na política brasileira, o papel que também a mim está me deixando entusiasmado, ao ver um jovem como Eduardo Campos lançar-se na política, movido por sua grande, lúcida e tranquila coragem e por um imenso desejo de servir.

    Explico-me. Coragem porque sabe quantas dificuldades e incompreensões vai ter que enfrentar. Ainda assim, mantém seu sonho e seu desejo de servir ao nosso grande País e ao nosso grande povo; porque sabe que, como dizia Aristóteles, praticada como se deve, a política é uma atividade elevada e nobre, porque consiste ‘na arte de bem servir ao bem comum’.

    Assisti de perto à atuação de Eduardo Campos, como o extraordinário governador, por duas vezes, do Estado de Pernambuco, cujo povo lhe confere a inédita aprovação de 83% – coisa que eu nunca vi acontecer com qualquer outro. Normalmente, no fim de um primeiro mandato, o titular do Executivo sai desgastado.

    Finalmente resta-me dizer que já passei dos 80 anos e, com toda esta idade (que já vai longa), posso afiançar que Eduardo Campos, além do extraordinário administrador que demonstrou ser, é o político mais brilhante que já conheci. É, portanto, a meu ver, o mais capacitado a levar adiante e aprofundar as reformas que o povo brasileiro está exigindo como indispensáveis para que o Brasil se aproxime cada vez mais do glorioso destino que merece.

    (*) Maior escritor vivo do país e um dos dramaturgos mais conhecidos. Lúcido nacionalista convicto e coerente.

    2 – Declarações de Eduardo Campos, Luiza Erundina e Marina Silva no programa do PSB veiculado em dezembro:

    Eduardo Campos diz que está na hora de dar um salto adiante para o país crescer e evoluir

    “Está na hora de dar um salto adiante, para crescer e evoluir de fato. Já demos provas do nosso valor, da nossa capacidade. Chega de governar se contentando em dizer que no passado já foi pior”, afirmou o presidente nacional do PSB, governador de Pernambuco, Eduardo Campos, na quinta-feira (10), durante o programa partidário levado ao ar em cadeia nacional de rádio e televisão.

    O programa de 10 minutos começa com o apresentador perguntando: “Cadê aquele país que alguns anos atrás despertou a atenção do mundo?”. E prossegue: “Que um dia levou um homem do povo ao poder e hoje sente que o poder não fala a língua do povo?”.

    De acordo com o governador de Pernambuco, no Brasil ainda se governa muito para o curto prazo, visando apenas os quatro anos de um governo ou as próximas eleições. “Enquanto for assim, tenho certeza de que vamos seguir perdendo muitas oportunidades”.

    Campos garantiu que é possível fazer mais melhor e citou como exemplo a sua gestão no governo de Pernambuco na área de segurança. Segundo ele, o índice de homicídios na região metropolitana de Recife foi reduzido em 57,95% desde sua primeira gestão, em 2006.

    Para o governador, “agora é hora de reunir as boas ideias e as boas pessoas para fazer mais. Eu confio no Brasil e continuo vendo, todos os dias, provas do nosso valor”.

    A deputada federal e ex-prefeita de São Paulo, Luiza Erundina, disse que o partido respeita os princípios de ética, coerência e compromisso com o interesse público. “O PSB tem procurado respeitar esses princípios, seja quando governa, seja quando representa o povo no Parlamento”, declarou.

    Também foram veiculadas no programa as imagens e declarações da ex-senadora e fundadora da Rede Sustentabilidade, Marina Silva, no ato de sua filiação ao PSB, ao lado de Eduardo Campos. “Nós não estamos pensando apenas num projeto de poder pelo poder. O nosso país já é gigante pela própria natureza e precisa agora se agigantar pela natureza das decisões que tomarmos”, disse Marina no ato.

    Lembro ao Claudo e aos amigos que ainda insistem na canoa Dilma, que tanto o Eduardo Campos, quanto a Marina Silva fizeram parte da aliança que levou o PT ao poder.
    Lembro que o vice de Dilma é Michel Temer (cuja atuação é quase nula para ser conciliador com a figura; o PMDB já teve lideranças bem mais consistentes e comprometidas com o povo brasileiro).
    Lembro que a Dilma desperdiçou a chance que o povo lhe deu e que Eduardo ainda não teve a oportunidade de governar o Brasil. É neto de Miguel Arraes, fez parte de seu governo e hoje é um dos governos estaduais mais reconhecidos do país.
    Tem problemas? Claro. Precisa avançar? Muito. Mas, quem não precisa?
    Pelo menos o Eduardo Campos tem procurado debater com as demais forças políticas que o apoiam para estruturar seu programa.
    Por fim, devo aplaudir, com sinceridade os pontos que você levanta sobre a Dilma e o PT.
    Mas estes aí estão longe – a meu ver pelo menos – de serem os principais (juros mais altos do mundo), nenhum apoio que se destaque à produção nacional, continuação da dilapidação do patrimônio público via concessões e privatizaçoes, e por aí vai.
    Ao contrário que você afirma, acho que há sim forças políticas bem mais avançadas do que o PT de hoje e o governo Dilma- Temer- Mantega – Paulo Bernardo – Gleisy – Foster – Mercadante (este se excedeu ao ser o primeiro ministro da Educação a ir ao Congresso pedir menos verda para a Educação). Aliás pouca coisa consegue ser mais atrasado do que isto.
    Há mais a dizer, mas prefiro ficar por aqui.

    Feliz 2014 e melhor ainda 2015 para todos nós e todo o povo brasileiro.

    Abraços Braia

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