“Sob os nossos olhos” De 11 de Setembro a Donald Trump (7/25)

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O Daesh realiza o sonho dos Irmãos Muçulmanos : o Califado

Concluímos a publicação da parte do livro de Thierry Meyssan, «Sous nos yeux» (Sob os nossos olhos), consagrada aos Irmãos Muçulmanos. Neste episódio, a Irmandade realiza com o Daesh (E.I.) o seu sonho de restabelecer o Califado. Este primeiro Estado terrorista consegue funcionar durante dois anos com a ajuda ocidental.

| Damasco (Síria)

Este artigo é extraído do livro Sob os nossos olhos.
Ver o Indíce dos assuntos.

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O Daesh torna-se conhecido pelos seus atos de tortura e degolamentos em público.

14— O Daesh e o Califado

Inicialmente, os membros da Frente Al-Nusra(Alqaida na Síria) são Sírios que tinham ido combater no Iraque após a queda de Bagdad, em 2003. Eles voltam à Síria para participar na operação planificada contra a República, a qual será, em definitivo, adiada para o mês de Julho de 2012. Durante dois anos —até 2005—, eles beneficiaram-se da ajuda da Síria que os deixou circular livremente pensando que combatiam o invasor norte-americano. No entanto, ficou claro logo  que o General David Petraeus chegou ao Iraque que a sua real função seria a de combater os xiitas Iraquianos, para grande deleite dos ocupantes. Em Abril de 2013, o Emirado Islâmico no Iraque, do qual eles são oriundos, é reativado sob o nome de Emirado Islâmico no Iraque e no Levante (ÉIIL). Os membros da Frente Al-Nusra, que se apropriaram de grandes porções da Síria, recusam então reintegrar a sua casa-mãe.

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John McCain na Síria ocupada. No primeiro plano, à direita, reconhece-se o diretor da Syrian Emergency Task Force. Na moldura da porta, ao centro, o porta-voz da Tempestade do Norte (Alqaida), Mohammad Nour. As famílias de reféns libaneses apresentarão queixa contra o «Senador» por cumplicidade em sequestro. Este garantirá que não conhecia Nour. Ele ter-se-ia infiltrado nesta tomada de foto oficial difundida pelo seu secretariado parlamentar.

Em Maio de 2013, uma associação sionista americana, a Syrian Emergency Task Force, organiza a viagem do Senador McCain à Síria ocupada. Lá, ele encontra diversos criminosos entre os quais Mohammad Nour, porta-voz da katiba (brigada) Tempestade do Norte (Alqaída), que tinha raptado e sequestrava 11 peregrinos xiitas libaneses em Azaz. Uma fotografia difundida pelo seu serviço de imprensa mostra-o numa grande conversa com os líderes do Exército Sírio Livre, entre os quais alguns também carregam o estandarte da Frente Al-Nusra. Surge a dúvida sobre a identidade de um deles. Eu escreverei em seguida que se trata do futuro Califa do Daesh (E.I.), o que o secretariado do Senador desmentirá formalmente [1]. Tendo o mesmo homem servido de tradutor aos jornalistas, a dúvida é permitida. O secretariado afirmará que a minha hipótese é absurda, já que o Daesh ameaçara de morte o Senador várias vezes . Pouco depois, John McCain afirma na televisão, sem receio de se contradizer, conhecer pessoalmente os dirigentes do Daesh e estar «em contato permanente com eles». Embora o Senador não tenha nenhuma ilusão sobre os Islamistas, ele afirma ter tirado lições do Vietnam e apoiá-los contra o «regime de Bashar» por necessidade estratégica. Ora, ele tinha, no entanto, antes do início dos acontecimentos na Síria, organizado o seu aprovisionamento em armas a partir do Líbano e escolhido a vila de Ersal como futura base de retaguarda das operações. Durante esta deslocação à Síria jihadista, ele avalia as condições de funcionamento futuro do Daesh.

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John McCain e o Estado-Maior do Exército sírio livre. No primeiro plano, à esquerda, o homem que jogará mais tarde o papel de «Califa Ibrahim» do Daesh (E.I.), com quem o Senador está em via de trocar impressões. Precisamente a seguir, o Brigadeiro-General Salim Idriss (com óculos). O «Califa» é um ator que jamais teve quaisquer funções de responsabilidade. Segundo John McCain, não se tratava do califa, mais de uma pessoa parecida. No entanto o Senador confessará em seguida estar «em contato permanente» com o Daesh.

Em Dezembro de 2013, a Polícia e a Justiça turcas estabelecem que o Primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan recebe em segredo, desde há vários anos, Yasin Al-Qadi, o banqueiro da Alqaida. Fotografias provam que ele veio várias vezes, de avião particular, e foi recebido após as câmeras de vigilância do aeroporto terem sido desligadas. Anteriormente, Al-Qadi era (e é provavelmente ainda) amigo pessoal do Vice-presidente norte-americano Dick Cheney. Ele só foi removido da lista de pessoas procuradas pela ONU a 5 de Outubro de 2012 e pelo Departamento do Tesouro dos EUA a 26 de Novembro de 2014, mas vinha desde há muito mais tempo a encontrar-se com Erdoğan. Ele reconheceu ter sido responsável pelo financiamento da Legião Árabe de Bin Laden, na Bósnia-Herzegovina (1991-95), e ter financiado o presidente Alija Izetbegović. Segundo o FBI, teria igualmente jogado um papel central no financiamento dos atentados contra as embaixadas dos Estados Unidos na Tanzânia e no Quénia (1998). Sempre segundo o FBI, teria sido proprietário da empresa de informática Ptech (agora Go Agile), suposta de jogar um papel no terrorismo internacional.

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As câmaras de vigilância do aeroporto de Istambul surpreenderam Bilal Erdogan recebendo o tesoureiro da Alqaida, Yasin el-Kadi.

Pouco tempo depois, a polícia turca revista a sede do IHH e aí interpela Halis B., suspeito de ser o líder da Alcaida na Turquia e İbrahim. Ş., comandante-adjunto da organização para o Próximo-Oriente. Erdoğan acaba por conseguir despedir os polícias e manda libertar os suspeitos.

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No canal público saudita Al-Arabiya, um oficial do Daesh declara que a organização é dirigida pelo Príncipe Abdul Rahman Al-Faiçal

Em Janeiro de 2014, os Estados Unidos iniciam um vasto programa de desenvolvimento de uma organização jihadista, cujo nome não é comunicado. Três campos de treino são instalados na Turquia, em Şanlıurfa, Osmaniye e Karaman [2]. Chegam armas às carradas para o EIIL despertando a cobiça da Al-Nusra. Durante vários meses os dois grupos entregam-se a uma guerra sem quartel. A França e a Turquia que não compreenderam logo o que se prepara, enviam ao princípio munições para Al-Nusra (Alqaida) afim de que ela se apodere do espólio do EIIL. A Arábia Saudita reivindica o seu controlo sobre o EIIL, e indica que ele é agora dirigido pelo Príncipe Abdul Rahman al-Faiçal (irmão do Embaixador saudita nos Estados Unidos e do Ministro saudita dos Negócios Estrangeiros).

As coisas clarificam-se progressivamente: a Casa Branca convoca os Chefes dos Serviços Secretos da Arábia Saudita, da Jordânia, do Catar e da Turquia, em 18 de Fevereiro. A Conselheira de Segurança Nacional, Susan Rice, anuncia-lhes que o Príncipe Bandar não recupera a sua saúde e que será substituído pelo Príncipe Mohammed bin Nayef na supervisão dos jihadistas. Mas, Nayef não tem autoridade natural sobre esta gente, o que aguça os apetites dos Turcos. Ela comunica-lhes o novo organigrama do Exército Sírio Livre e informa-os que Washington lhes vai confiar uma vasta operação secreta para remodelar as fronteiras. No início de Maio, Abdelhakim Belhaj (antigo quadro da Alqaida, governador militar de Trípoli na Líbia e fundador do Exército Sírio Livre) dirige-se a Paris para informar o governo francês dos planos EU-jihadistas e pôr fim à guerra que a França faz ao EIIL. Ele é, nomeadamente, recebido no Quai d’Orsay. De 27 de Maio a 1 de Junho, vários chefes jihadistas são convidados para consultas em Amã (Jordânia).

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Extrato do processo verbal da reunião presidida pela CIA em Amã, redigida pelos Serviços de Inteligência turcos (documento difundido pelo quotidiano curdo «Özgür Gündem», de 6 de Julho de 2014).

De acordo com a ata desta reunião, os combatentes sunitas serão agrupados sob a bandeira do EIIL. Eles irão receber armas ucranianas, às toneladas, e meios de transporte. Eles irão assumir o controle de uma vasta zona a cavalo sobre a Síria e o Iraque, principalmente no deserto, e aí proclamarão um Estado independente. A sua missão é, ao mesmo tempo, a de cortar a estrada Beirute-Damasco-Bagdad-Teerã e a de apagar as fronteiras franco-britânicas da Síria e do Iraque. O antigo Vice-presidente iraquiano Ezzat Ibrahim al-Duri, que é o Grão-mestre da Ordem dos Nachqbandis no seu país, anuncia que providencia 80.000 antigos soldados do exército de Saddam. A CIA confirma que 120.000 combatentes das tribos sunitas de Al-Anbar se juntarão ao EIIL à sua chegada, e lhe darão o armamento pesado que o Pentágono irá encaminhar para o terreno, oficialmente para o exército iraquiano. Masrour «Jomaa» Barzani, Chefe dos Serviços Secretos do Governo Regional curdo do Iraque, obtém luz verde para poder anexar os territórios contestados de Kirkuk assim que o EIIL anexar Al-Anbar. Não se compreende o significado da presença do Mulá Krekar, o qual cumpre uma pena de prisão na Noruega e que veio num avião especial da OTAN. Com efeito, desde há vários anos ele desempenha um papel importante na preparação ideológica dos islamistas para a proclamação do Califado. Mas este assunto não será abordado durante a reunião.

Na mesma altura, na Academia militar de West Point, o Presidente Barack Obama anuncia a retoma da «guerra ao terrorismo» e a afetação de um orçamento anual de 5 mil milhões de dólares. A Casa-Branca anunciará ulteriormente que este programa prevê, entre outras, a formação de 5. 400 rebeldes moderados por ano.

Em Junho, o Emirado Islâmico lança um ataque primeiro no Iraque, depois na Síria, e proclama um califado. Até então, o Daesh(EI) –-é assim que é chamado agora segundo o seu acrónimo árabe— era suposto não ter mais que algumas centenas de combatentes, mas miraculosamente, de repente, ele dispõe de várias centenas de milhares de mercenários. As portas do Iraque são-lhe abertas pelos antigos oficiais de Saddam Hussein, que se vingam assim do Governo de Bagdade, e por oficias xiitas que emigram então para os Estados Unidos. O Daesh(E.I.) apropria-se de armas do exército iraquiano, que o Pentágono acaba de fornecer, e das reservas do Banco Central em Mossul. Simultaneamente, e de forma coordenada, o Governo Regional do Curdistão anexa Kirkuk e anuncia a realização de um referendo de autodeterminação. De maneira a evitar que jiadistas de grupos concorrentes ao Emirado Islâmico recuem para a Turquia, Ancara fecha a sua fronteira com a Síria.

Desde a a sua instalação, o Daesh coloca administradores civis formados em Fort Bragg (EUA), e dos quais alguns fizeram parte até há pouco da Administração americana do Iraque. Do dia para a noite, o Daesh dispõe da administração de um Estado na acepção do State building do exército norte-americano. É, evidentemente, uma transformação completa para aquilo que não passava, ainda há algumas semanas atrás, de um grupúsculo terrorista.

Quase tudo foi previsto antecipadamente. Assim, logo que o Daesh captura os aeroportos militares iraquianos, ele dispõe instantaneamente de pilotos de avião e de helicópteros aptos para combate. Não podem ser pilotos do antigo exército iraquiano, já que a capacidade operacional é considerada como perdida ao fim de 6 meses de interrupção de vôo. Mas, os planejadores esqueceram-se das equipes técnicas necessárias, de maneira que uma parte deste equipamento não poderá ser utilizado.

O Daesh dispõe de um serviço de comunicação, que parece sobretudo formado por especialistas do MI6, ao mesmo tempo encarregue, tanto de editar os seus jornais, como de encenar a violência de Alá. É uma outra mudança para os jihadistas. Até aqui, eles utilizavam a violência para aterrorizar as populações. Agora, eles vão amplificá-la afim de as chocar e de as hipnotizar. Notavelmente filmados e com estética apurada, os seus vídeos vão impressionar os espíritos e recrutar os amantes de snuff movies.

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John McCain e Abdelhakim Belhaj. No momento em que esta foto é tomada a Interpol procura Belhaj como o emir do Daesh no Magrebe.

O retumbante sucesso do Daesh (EI) leva os islamistas do mundo inteiro a virar-se para ele. Se a Alqaida era a sua referência na época de Osama bin Laden e dos seus sósias, o califa «Ibrahim» é o seu novo ídolo. Um a um, a maioria dos grupos jihadistas no mundo juram fidelidade ao Daesh. A 23 de Fevereiro de 2015, o Procurador-Geral do Egito Hichem Baraket, dirige uma nota à Interpol afirmando que Abdelhakim Belhadj, Governador militar de Trípoli, é o chefe do Daesh para o conjunto do Magrebe.

O Daesh explora o petróleo iraquiano e sírio [3]. O crude é transportado quer por oleoduto, controlado pelo Governo Regional curdo do Iraque, ou por camiões-cisterna das empresas Serii e Sam Otomotiv através dos postos fronteiriços de Karkamış, Akcakale, Cilvegozu e Oncupınar. Uma parte do crude é refinada para consumo turco pela Turkish Petroleum Refineries co. (Tupraş) em Batman. É embarcado em Ceyhan, Mersin e Dortyol em navios da Palmali Shipping & Agency JSC, a companhia do bilionário turco-azeri Mubariz Gurbanoğlu. A maior parte do crude é transportada para Israel onde recebe falsos certificados de origem e, depois, é expedida para a Europa (entre outros para França, para Fos-sur-Mer, onde é refinado). O resto é enviado diretamente para a Ucrânia. Este dispositivo é perfeitamente conhecido dos profissionais e evocado durante o Congresso Mundial de companhias petrolíferas (15-19 de Junho em Moscou). Oradores asseguram que a Aramco (EUA/Arábia Saudita) organiza a distribuição do petróleo do Daesh na Europa, enquanto a Exxon-Mobil (a companhia dos Rockefeller que reina sobre o Catar) escoa o da Al-Nusra [4]. Alguns meses mais tarde, a representante da União Europeia no Iraque, a Embaixatriz Jana Hybaskova, confirmará, durante uma audição perante o Parlamento Europeu, que Estados-membros da União financiam o Daesh ao escoar o seu petróleo.

Num primeiro tempo, o Conselho de Segurança da ONU não chega a denunciar este tráfico, no máximo o seu Presidente lembra a proibição de comerciar com organizações terroristas. É preciso esperar por Fevereiro de 2015 para que seja votada a Resolução 2199. Mubariz Gurbanoğlu aposenta-se então e vende vários dos seus navios (os Mecid Aslanov, Begim Aslanova, Poet Qabil, Armada Breeze e o Shovket Alekperova) à BMZ Group Denizcilik ve İnşaat A.Ş., a companhia de navegação de Bilal Erdogan, filho do Presidente Recep Tayyip Erdoğan,que prossegue o tráfico. Só em Novembro de 2015, aquando da Cimeira do G20, em Antalya, é que Vladimir Putin acusa a Turquia de violar a Resolução da ONU e de comercializar o petróleo do Daesh (EI). Face às negativas do Presidente Erdoğan, o Chefe de operações do Exército russo, o General Sergueï Rudskoy, torna públicas, durante uma conferência de imprensa, as imagens de satélite dos 8.500 camiões-cisterna cruzando a fronteira turca. De imediato a aviação de combate russa destrói os camiões presentes na Síria, mas o essencial do tráfico continua via Curdistão iraquiano, sob a responsabilidade do Presidente Massoud Barzani. Em seguida obras são empreendidas para aumentar o terminal petroleiro «Yumurtalık» (ligado ao oleoduto turco-iraquiano Kirkuk-Ceyhan), cuja capacidade de armazenamento subiu para 1,7 milhões de toneladas.

Os camiões-cisterna pertencem todos a uma empresa que tinha obtido, sem qualquer concurso, o monopólio do transporte de petróleo em território turco, a Powertans. Ela é controlada pela muito secreta Grand Fortune Ventures, sediada em Singapura, depois transferida para as Ilhas Caimão. Por trás desta montagem esconde-se a Calık Holding, a companhia de Berat Albayrak, o genro do Presidente Erdoğan e seu Ministro da Energia [5].

O petróleo que transitou pelo pipeline curdo é identicamente comercializado. No entanto, quando o Governo Iraquiano denuncia quer a cumplicidade dos Barzani com o Daesh, como o roubo de bens públicos iraquianos, ao qual eles procedem em conjunto, Ancara simula surpresa. Erdoğan bloqueia então os ganhos dos Curdos iraquianos numa conta bancária turca, esperando que Irbil e Bagdade clarifiquem as suas posições. É claro, estando este dinheiro supostamente bloqueado, os proveitos gerados pelo seu investimento não são declarados no orçamento turco, antes são pagos ao AKP.

Em Setembro de 2014, o califa purga os quadros da sua organização. Os oficiais magrebinos em geral, e os tunisinos em particular, são acusados de desobediência, condenados à morte e executados. São substituídos por Tchechenos da Geórgia e Uigures chineses.

O oficial da Inteligência militar georgiana, Tarkhan Batirashvili, torna-se o braço direito do califa, sob o nome de «Abu Omar al-Chichani». Inocentemente, o Ministro Georgiano da Defesa e antigo chefe do «governo abecásio no exílio» (sic), Irakli Alasania, anuncia, na mesma altura, aprestar-se para abrigar campos de treino para jihadistas sírios no seu país.

Reagindo às atrocidades cometidas em grande escala e à execução de dois jornalistas norte-americanos, o Presidente Obama anuncia, a 13 de Setembro, a criação de uma Coligação anti-Daesh. Aquando da batalha de Kobane (Síria), os aviões da Força aérea dos EU fazem durar a brincadeira bombardeando em certos dias o Daesh e lançando-lhe de pára-quedas armas e munições noutros.

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Segundo a imprensa norte-americana, o Francês David Drugeon, oficial dos Serviços Secretos militares franceses, era o perito bombista do Daesh que formou Mohammed Merah e os irmãos Kouachi. O Ministério da Defesa francês desmente tê-lo empregado enquanto a imprensa dos EUA mantêm a sua asserção. Oportunamente, ele foi dado como desaparecido depois de um bombardeamento aliado.

A Coligação declara realizar uma operação contra um certo grupo Khorasan da Alcaida na Síria. Embora não haja nenhuma evidência da existência deste grupo, a imprensa americana diz que é dirigido por um perito em explosivos dos Serviços Secretos franceses em missão, David Drugeon, o que o Ministério francês da Defesa desmente. Subsequentemente, a imprensa norte-americana afirma que Drugeon formou, por conta dos Serviços Secretos franceses, Mohammed Mera (responsável pelos atentados de Toulouse e Montauban, em 2012) e os irmãos Kouachi (responsáveis pelo atentado contra o Charlie Hebdo em Paris, em 2015).

Para aumentar os seus recursos, o Daesh cria impostos nos territórios que administra, impõe resgates de prisioneiros e trafica antiguidades. Esta última actividade é supervisionada por Abu Sayyaf al-Iraqi. As peças roubadas são encaminhadas para Gaziantep (Turquia). Elas são, ou expedidas directamente para colecionadores que as encomendaram através das empresas Şenocak Nakliyat, Devran Nakliyat, Karahan Nakliyat e Egemen Nakliyat, ou vendidas no mercado de Bakırcılar Carşısi [6].

Por outro lado, a máfia turca, dirigida pelo Primeiro-ministro Binali Yıldırım, instala fábricas de contrafacção no território do Emirado Islâmico e com elas inunda o mundo Ocidental.

Finalmente, quando o Presidente afegão Hamid Karzai deixa o Poder, ele retira o transporte do ópio e da heroína afegã aos Kosovares e passa-o para o Califado. Desde há muitos anos que a família do Presidente afegão —nomeadamente o seu irmão Ahmed Wali Karzai, até ao seu assassinato— reina sobre o principal cartel de ópio. Sob a proteção das Forças Armadas norte-americanas o Afeganistão produz 380 toneladas de heroína por ano, no total das 430 do mercado mundial. Este comércio teria trazido ao clã Karzai a soma de US $ 3 mil milhões de dólares em 2013. O Daesh (E.I.) é encarregado de transportar as drogas para a Europa através das suas filiais africanas e asiáticas.

15— A liquidação do Daesh

A 21 de Maio de 2017, o Presidente Donald Trump anuncia em Riade que os Estados Unidos renunciam a criar um «Sunnistão» (o Califado do Daesh), a cavalo sobre o Iraque e a Síria, e cessarão de apoiar o terrorismo internacional. Ele insta todos os Estados muçulmanos a fazer o mesmo. Este discurso foi cuidadosamente preparado com o Pentágono e o Príncipe Mohamed Bin Salman, mas não com Londres. Como boa obediente, a Arábia Saudita começa a desmantelar o gigantesco dispositivo de apoio aos Irmãos Muçulmanos que ela colocou em marcha nos últimos sessenta anos, o Reino Unido, o Catar, a Turquia e a Malásia recusam a mudança dos EUA.

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Tal como no Afeganistão o MI6 renomeara a «Frente unida islâmica para a salvação do Afeganistão» em «Aliança do Norte», afim de obter o apoio da opinião pública ocidental para estes «resistentes face aos Talibã», assim o MI6 renomeou no Mianmar o «Movimento para a Fé» em «Exército de libertação dos Rohingyas do Arakan». Nos dois casos, é preciso fazer desaparecer qualquer menção aos Irmãos Muçulmanos.

Em Agosto 2017, Londres lança O Exército de salvação dos Rohingyas do Arakan contra o governo birmanês. Durante um mês, a opinião pública internacional é inundada com informações truncadas atribuindo o êxodo dos Royinghas muçulmanos do Myanmar para Bengala à violência do Exército budista birmanês. Trata-se de lançar a segunda fase da guerra das civilizações : depois do ataque dos muçulmanos contra os cristãos, agora o dos budistas contra os muçulmanos. No entanto, a operação é interrompida assim que a Arábia Saudita cessa o seu apoio ao Exército de salvação dos Rohingyas, cuja sede era em Meca [7].

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Três dias antes dos atentados no Sri Lanka, o Ministério dos Negócios Estrangeiros saudita envia um telegrama secreto à sua embaixada em Colombo. Insta-a a confinar, tanto quanto possível, todo o seu pessoal durante três dias e de o interditar, em absoluto, de frequentar os locais que serão destruídos pelos atentados (fonte : Alahed News).

No fim, os Estados Unidos, o Irão e o Iraque liquidam o Daesh (E.I.) no Iraque, enquanto que a Síria e a Rússia o caçam na Síria.

A terminar, uma grande operação é organizada pelo Daesh(EI) no Sri Lanka por ocasião da festa cristã da Páscoa, a 21 de Abril de 2019, matando 258 pessoas e ferindo 496.

A restauração do califado, imaginada em 1928 por Hassan el-Banna, havia sido tentada pelo Presidente Anuar al-Sadate para seu proveito pessoal, o que lhe custou a vida. Ela foi finalmente realizada pelo Daesh(EI), mas saldou-se por um fiasco. A resistência das populações árabes foi muito forte e a oposição do Presidente Trump não permitiu prosseguir a experiência. Não é possível de momento saber se o Emirado Islâmico tinha mandato do Guia para se proclamar em Califado ou se ele se aproveitou do seu apoio ocidental para o fazer. Seja como for, os jiadistas não vão desistir.

(Continua …)

Tradução
Alva

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