Síria: Guerra da Mídia e da Desinformação

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Quando o rastilho de pólvora da chamada ”Primavera Árabe” incendiou a Síria, já estavam presentes lá os agentes estrangeiros, ¹ que foram os primeiros a reagir com tiros às forças policiais e de segurança, colocando lenha na fogueira. Como já estava no script, as forças de segurança foram atacadas pelos agentes infiltrados, revidaram e assim aconteceram as primeiras perdas… O objetivo foi desencadear confrontos e induzir as forças policiais a praticar as primeiras repressões e prisões.

Desestabilizar a Síria, fazer ruir suas instituições, criar o caos e a insegurança este era o objetivo dos governos do CCG, da OTAN e dos EUA e Israel.

Para atingir este objetivo a imprensa do mundo ocidental orquestrou e deu início a um processo de difamação da imagem do governo da Síria. Esta imprensa nunca foi muito simpática ao governo Sírio; a ignorância, a falta de conhecimento, e o preconceito criaram barreiras entre a realidade da Síria como país laico, agradável, acolhedor, em confronto com o divulgado no noticiário ocidental.

Podemos atribuir esta conveniente alienação da imprensa no Ocidente, à perseverante posição da Síria como bastião da resistência contra Israel.

Na imprensa internacional era assim noticiado o mantra:

“Ditador Bashar Al Assad reprime com violência as manifestações pacíficas de seus opositores”.

Outro mentira era:

“O governo do Ditador Bashar Al Assad não permite a entrada da imprensa na área do conflito da Síria.” (Conforme Relatório dos Observadores da Liga Árabe de janeiro de 2012, havia na Síria mais de 170 correspondentes credenciados)².

Esta era a justificativa para a ausência de correspondentes e jornalista do Brasil e de outros países… Logo, as notícias retransmitidas são todas da Oposição Síria, exímia marqueteira, cujas sede e filiais estão localizada nos EUA, Londres e Paris, e agora também em Ancara. Os seus porta vozes são: o Observatório Sírio dos Direitos Humanos; o Exercito Sírio Livre e o Conselho Nacional Sírio.

O Consulado Sírio em São Paulo desmentiu a informação de proibição da imprensa internacional na Síria, e esclareceu que deu inúmeros vistos e orientações de procedimentos a jornalistas e cinegrafistas brasileiros que para lá se dirigiam. Mas, as orientações não foram seguidas, pelo contrário, ao chegar à Síria eles não procediam de acordo com o que lhes foi orientado, que consistia em simples contato com a Embaixada Brasileira e busca de credencial junto ao Ministério da Comunicação.

Eles se dirigiram para os seus contatos, que eram os opositores e, muitas vezes, acabavam criando problemas para si e para a sua segurança. Foram os acontecimentos da Síria que lançaram luz sobre a mentira e manipulação da “primavera árabe” e ficou evidente o protagonismo da emissora árabe de maior audiência, a TV Al Jazeera (Qatar), que sempre teve uma orientação pró “Fraternidade Muçulmana” e, somaram-se a ela a TV Al Arabya , Ugarit News e a Barada TV.

Coube à Al Jazeera a deformação de fatos e atos do regime sírio. Os acontecimentos na Síria foram de inicio relatados no formato de uma campanha de terror e de desinformação. Em pouco tempo a população da síria, que são fiéis telespectadores da TV Al Jazeera, captaram as mentiras e perceberam que esta TV trabalhava contra o governo e suas instituições. Ela criava fatos, super dimensionava os acontecimentos e transmitia manifestações e distúrbios da Síria, em localidades e regiões pacíficas.

O povo e o governo sírio, perceberam a maquinação e a população dos vilarejos e cidades colaboraram para esclarecer os fatos e mentiras através da agencia Al Sana de notícias, a TV Síria, a TV “Dunia” e a TV “Al Ikbarie Surie”, além da nova “Al Madain”.

A guerra da mídia e da informação estava deflagrada no Oriente e no Ocidente: no primeiro momento muitos filhos e netos de sírios no Brasil ficaram indignados com as notícias veiculadas pelas TV e imprensa do Brasil e de países do MERCOSUL; e em protesto, cancelaram assinaturas de revistas e jornais; e partiram para a busca da verdadeira e isenta notícia. Esta, procedia de jornalistas e tradutores como o conceituado “Coletivo Vila Vudu”, de São Paulo, que garimpam a boa notícia em sites e blogues do mundo, assim como agências de notícias como: Rússia Today, Voltaire Net (França), Global Research (Canadá) e Asia Times (China). Além desses, existem outros veículos que, não alinhados à pauta da mídia-empresa, respeitam o leitor e prezam a notícia e a informação, considerando-a um direito do cidadão.

O Ataque às Estações de TV Síria: Ataque à verdade

O ataque à informação e à verdade se intensificou e atingiu a imprensa da Síria, com ameaças de perda da transmissão, que foi proposta e aprovada pela Liga dos Estados Árabes…. Hoje chamada de representante do CCG.(Conselho de Cooperação do Golfo).

Com o dinheiro de Qatar e da Arábia Saudita, os mercenários que se autodenominam Exército Sírio Livre, atacaram por mais de 5 vezes as diferentes estações de transmissão da “Al Ikbarie Surie” uma espécie de Syria News, jornalismo 24 horas no ar.

Seqüestraram e mataram diversos jornalistas e inclusive ancoras da TV Syria, como o jornalista Mohamad Said, e veiculam notícias desencontradas para gerar pânico e insegurança na população.³

Passado mais uns dias a sede central das emissoras Síria de Rádio e Televisão SANA, foi detonado uma bomba no seu terceiro andar, isto no centro de Damasco, na Praça dos Omayadas.

Em Allepo, um dos alvos prediletos de ataque e destruição, dos mercenários, chamados de rebeldes, é a estação da TV Syria, mas foram rechaçados pelo exercito em mais de uma tentativa.

O número de jornalistas sírios seqüestrados é grande e muitos foram executados.

Este é o grande atentado à verdade e ao direito à informação.

Após 17 meses de atentados, seqüestros, massacres de inocentes, destruição da infraestrutura de eletricidade, água e gás, o papel da TV e imprensa na Síria é fundamental para fortalecer a moral da sua população civil dentro e fora da Síria. O exercito sírio foi à luta respaldado por seu povo e atendendo a um chamado do seu povo; 60% da população síria.

Em Allepo, a segunda maior cidade da Síria e capital da indústria e do comércio, os rebeldes não conseguiram cooptar seus moradores tradicionais. São os habitantes desta cidade que mantém uma comunicação direta com a polícia, forças de segurança e exército, e denunciam a presença de bandos armados.

A cidade de Allepo possuí 29 bairros. Os bandos de mercenários armados se entrincheiraram em 5 bairros e noticiam que ocuparam metade da cidade.

Expulsaram vergonhosamente a população local com promessas de dinheiro e de salário mensal em dólares; ocuparam e assaltaram seus lares, e transformaram esta população carente em refugiados sírios em território turco, proibidos e ameaçados pelo “exercito sírio livre”.

Em Allepo, em algumas localidades onde os mercenários quiseram impor a sua lei, as vilas foram defendidas pelos seus habitantes. Como aconteceu com o clã dos Berri.

No momento que termino de escrever este artigo recebo a notícia de que o vilarejo de Ghassanie cuja população é cristã e onde nasceu meu pai, foi atacada com foguetes do exercito sírio livre, oposição síria, porque, me pergunto?

Por que a sua população é cristã e são favoráveis à manutenção da Síria integra, laica e plural, uma Síria onde o sino da igreja toca embalado pelo cântico das mesquitas, onde cristãos e muçulmanos convivem, compartilham e festejam suas datas religiosas juntos.

¹ http://www.globalresearch.ca/

² Relatório dos observadores da Liga Árabe (Não foi lido e nem avaliado pela comunidade internacional, por que não interessava o seu conteúdo à oposição Síria e seus apoiadores, o CCG, financiadores da Liga Árabe). O Conselho Nacional Sírio, grupo de oposição da Síria solicitou que o Dossiê Síria fosse reportado ao CS ONU. Foi quando a Rússia e a China usaram o seu poder de veto, e puderam barrar as resoluções cirúrgicas do CS ONU.

³ Ver Thierry Meissan, Rede Voltaire.net – http://www.voltaire.net/

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