Rússia implantará uma ZAE (Zona Aérea de Exclusão) na Síria 1

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24/9/2018, The Saker, The Vineyard of the Saker

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Hoje, o ministro da Defesa da Rússia Sergey Shoigu anunciou medidas que foram muito além do que eu esperava.  Especificamente, Shoigu anunciou que

  1. Nas próximas duas semanas, a Rússia entregará aos sírios os sistemas S-300s de defesa aérea (com alcance de 250 km).
  2. A Rússia entregará sistemas automatizados avançados de gestão das defesas aéreas, que ampliarão *dramaticamente* as capacidades de defesa dos sírios e impedirão futuros incidentes de “fogo amigo”.
  3. A Rússia usará suas capacidades de guerra eletrônica para impedir a navegação por satélite, quaisquer sistemas de radar embarcado e as comunicações de aviões que ataquem alvos em território sírio no espaço aéreo sobre as águas do Mediterrâneo próximas à Síria.

É solução muito flexível e elegante, pelas seguintes razões:

  1. Porque estabelece uma Zona Aérea de Exclusão (ZAE) de facto sobre a Síria, mas não de jure. Com isso, os russos reservam para si a flexibilidade para decidir, caso a caso, nação a nação e aeronave a aeronave, quem/qual deve ser impedido/engajado como alvo, e quem/qual deve ser só rastreado e monitorado. A Rússia assim reserva para ela uma poderosíssima posição para negociar com qualquer dos atores nessa guerra.
  2. Desnecessário dizer que, ao mesmo tempo em que essas novas capacidades são implantadas na Síria, como resposta às ações dos israelenses, os russos também ampliarão dramaticamente as capacidades dos sírios contra qualquer agressor potencial inclusive EUA e seus estados vassalos. Os sistemas S-300s darão aos sírios capacidade para detectar e até rastrear a aviação de Israel desde a decolagem e enquanto estiverem ainda em espaço aéreo de Israel.
  3. Embora os russos não tenham indicado que sistemas de gestão automática de defesas aéreas planejam entregar à Síria, é provável que se trate do sistema tipicamente usado para controlar os sistemas de definição de alvos dos sistemas de defesa S-300 e Buk, o Poliana D-4. Esse sistema aumentará dramaticamente as capacidades de defesa da força-tarefa russa na Síria, tornando muito mais difícil para os neoconservadores à la Bolton atingirem forças russas.

Tenho de admitir que estou surpreso com a magnitude e a alta qualidade dessa resposta. Claramente, a arrogância dos israelenses não valeu a pena. Dessa vez, aquela sua conversa tosca de sempre realmente enfureceu os russos (os quais, mesmo furiosos, jamais perdem a cabeça). Para Bibi Netanyahu, a reação russa é desastre absoluto, porque mina toda sua ‘política’ para a Síria (e Líbano e Irã). Os ataques de Israel (mais de 200, dos quais só em 10% dos casos deram-se o trabalho de notificar os russos) não geraram qualquer benefício tangível para Israel e, agora, comprometeram muito fundamentalmente as relações de Israel com a Rússia. Como já disse, eu mesmo, várias vezes, apesar da autopromoção incansável de uma sua suposta alta inteligência estratégica, os israelenses são realmente muito incompetentes, cegos, de fato, por aquela arrogância quase infinita.

CONTUDO, por favor, mantenham sempre em mente que na guerra não existe a tal mágica bala de prata. Isso, porque os israelenses ainda conservam a opção de atacar alvos na Síria (usando a aviação ou mísseis, inclusive disparados do mar). De novidade é que a dificuldade de obterem sucesso está sendo aumentada para novo patamar superior de magnitude. O mesmo vale para EUA/OTAN/CENTCOM/etc. Uma opção seria tentar ataque de saturação, com grande número de mísseis, dado que as capacidades sírias e russas ainda são limitadas no número: mesmo numa situação ideal (excluídas as capacidades de Guerra Eletrônica), a proporção de resposta dos mísseis russos é 1:1 – na Síria, os russos só conseguirão derrubar um número de mísseis correspondente aos antimísseis que estão sendo entregues. E há na região número muito superior de mísseis de EUA-Israel.

Em segundo lugar, EUA e Israel têm capacidades muito sofisticadas para guerra eletrônica – e tenham certeza, todos, de que usaram tudo que puderem, se for preciso. Sim, é verdade que os russos estão qualitativamente à frente de outros países nesse campo, mas ninguém, em tempo algum, deve subestimar as capacidades dos bandidos do filme.

Em terceiro lugar, os anglo-sionistas farão agora uma, das seguintes três coisas: ou fingirão que não estão preocupados e, basicamente, aceitarão a situação em campo, como fizeram na Ossetia Sul e na Crimeia; ou tentarão negociar algum tipo de acordo com os russos; ou reagirão com gritaria, provocações e ameaças histéricas, na esperança de que os russos pisquem. Por mais que se deva ter esperanças de que adotem a via #1, também temos de reconhecer que as vias #2 e #3 são muito mais prováveis. Em outras palavras: essa história ainda não acabou.

Por fim, essas novas notícias desmontam completamente a noção de que Putin esteja ‘vendido’ e de que os russos ou não sabem ou não querem fazer frente aos anglo-sionistas. Os que acusaram Putin de ser shabboy goy de Israel, terão muito trabalho para limpar os ovos que já lhes escorrem pela cara coletiva. O fato de os russos terem demorado, analisando o quadro e preparando uma resposta, não é sintoma de fraqueza, mas de comportamento adulto em situação de extremo perigo. Além de tudo isso, a resposta dos russos fez ver mais uma vez que, com questões de segurança nacional em jogo, a 5ª-coluna, os Integracionistas Atlanticistas, teve de se calar e seguir os Soberanistas Atlanticistas. Só isso já seria desenvolvimento positivo e muito tranquilizador.

[assina] The Saker

Vídeo do comunicado. Fala o ministro da Defesa da Rússia, Sergey Shoigu (legendas em ing.)

Traduzido por Vila Vudu

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Um comentário sobre “Rússia implantará uma ZAE (Zona Aérea de Exclusão) na Síria

  1. Responder Paulo Roberto set 27,2018 13:50

    Viva a Rússia!

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