Pontos de Debate – Encontro Islâmico no Brasil 1

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Abaixo abordamos alguns pontos curiosos sobre a visita do Aiatolá Araki e de uma forma geral sobre o Encontro Islâmico no Brasil. Evento que se propôs a discutir o tema do terrorismo e radicalismo, condenando todas as formas de violência e extremismo que visam impossibilitar o bom convívio entre a humanidade. Este evento ocorreu no mês de setembro em São Paulo, e foi alvo de muitas críticas infundadas por partes de indivíduos, alguns órgãos da imprensa e até mesmo instituições, que de forma equivocada se engajaram em uma campanha torpe para impedir a realização do evento ou classifica-lo de uma forma que não condizia com a verdadeira natureza do mesmo.

 

Foto clandestina

 

Como estopim de uma campanha para tentar impedir a entrada do Aiatolá Mohsen Araki no Brasil tivemos o fato de uma foto que foi tirada clandestinamente na área de desembarque internacional do Aeroporto de Guarulhos (São Paulo). Foto esta que estampou matérias inflamadas que visavam classificar a visita do Aiatolá como clandestina e indevida, o que não passa de uma falácia, já que o mesmo visitou o país a convite de instituições brasileiras, entrou no país de forma legal, conversou com a imprensa, políticos, líderes religiosos e com uma série de grupos e pessoas que o procuraram, além de ter participado de evento público condenando o terrorismo e o extremismo em todas as suas formas de manifestação.

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Mas cabe discutirmos o fato de se tirar fotografias de outras pessoas de forma sorrateira, e divulga-las para vários setores na tentativa de se criar uma narrativa falsa a respeito de uma pessoa ou evento. Além que tirar fotografias no setor de desembarque internacional dos aeroportos se configura como um ato criminoso, sendo uma grande demonstração de desrespeito à lei e a ordem do nosso pais.

 

O Brasil é soberano

 

Muitos indivíduos e instituições clamaram pela proibição da entrada do aiatolá no país, para que não pudesse participar do Encontro Islâmico no Brasil e discutir a questão do terrorismo e do radicalismo. No entanto cabe lembrar que além do caráter ridículo de querer impedir que alguém entre no país com base em sua nacionalidade, religião ou opinião, para inclusive discutir e condenar o terrorismo e o extremismo em um evento público, as autoridades brasileiras e suas instituições devem ser totalmente soberanas em suas decisões e jamais se colocar a mercê de um grupo ou um indivíduo qualquer. A soberania e autoridade das instituições brasileiras e do nosso pais como um todo não estão à venda. E é óbvio que se houvesse algum problema na entrada e visita de alguém ao Brasil, o governo e as autoridades brasileiras seriam os primeiros a saber do assunto e se posicionar de forma contrária.

 

“Não confio na Record, portanto não falarei com eles”

 

A Record divulgou em sua matéria do dia 30/07/2017 no programa Domingo Espetacular que o Aiatolá Araki não quis dar entrevistas, dando a entender que o mesmo é uma pessoa fechada e que não gosta de ser entrevistado ou que está fugindo de alguma coisa ou assunto pelos quais não quer ser intimado. No entanto esta informação não é correta, pois em suas 72 horas no país ele concedeu o total de 8 entrevistas, sendo a grande maioria para a imprensa brasileira. Mostrou que é alguém bem aberto ao diálogo e não teme nenhuma pergunta ou assunto. Todas as perguntas foram respondidas, até mesmo as que abordavam temas pelos quais o aiatolá tinha sido criticado devido ao seu ponto de vista (ou desvirtuações do mesmo) foram respondidas sem nenhuma restrição, através de respostas claras, lógicas e racionais. Porém, quando procurado pela Record para conceder uma entrevista, o aiatolá já estava ciente de uma matéria exibida um dia anterior pela própria emissora, que teve um caráter totalmente manipulativo e negativo, proferindo inverdades sobre sua pessoa e trabalho. Portanto, ele se recusou a conceder uma entrevista para uma emissora que em sua opinião provavelmente manipularia e desvirtuaria suas colocações. Ainda assim ele não fechou totalmente as portas, afirmando que poderia conceder uma entrevista à emissora se a mesma fosse ao vivo, sem cortes ou edições, mas, no entanto, a rede Record não quis realizar a entrevista mediante estas condições.

 

Aiatolá Mohsen Araki dá entrevista em São Paulo  Foto: Rafael Arbex / ESTADAO

Aiatolá Mohsen Araki dá entrevista em São Paulo Foto: Rafael Arbex / ESTADAO

 

Reunião secreta

 

Infelizmente alguns falaram que o Aiatolá estaria vindo ao Brasil para uma “reunião secreta”, de forma sorrateira e até mesmo ilegal. Porém, segundo constamos com os organizadores do evento, mais de 250 convites foram enviados a diferentes pessoas e grupos, entre eles políticos, ministros, diretores e secretários de instituições e entidades diversas, professores, ativistas pelos direitos sociais e humanos, estudantes, líderes religiosos das mais diversas denominações religiosas, jornalistas e muito mais. Isto não parece que a intenção fosse realizar uma reunião secreta. Além do mais, houveram críticas pelo fato do evento não ser aberto ao público, pois grande parte dos convidados foram inscritos previamente pelos organizadores. No entanto além disto ser um direito básico de quem organiza o evento, há aqui também uma questão puramente técnica, pois há o fato da limitação de espaço e cadeiras no local de evento, que parece não ter sido levado em consideração pelos críticos.

 

A questão da entrada de convidados

 

Alguns se iludem e dizem que foram barrados na entrada pois pertencem a minorias religiosas ou grupos contrários ao Islã. Mas cabe mencionar mais uma vez que havia uma lista de convidados (das mais diversas origens e posições) e que a entrada indiscriminada de pessoas que não foram convidados, em evento que discutia um tema tão delicado, seria no mínimo uma irresponsabilidade por parte dos organizadores. O evento é a prova viva que os muçulmanos estão abertos ao diálogo, como todos os grupos e pessoas, já que como afirmado anteriormente a gama de convidados e palestrantes foi muito ampla e diversa, criando um ambiente de diálogo e entendimento que foi muito aclamado e elogiado pelos participantes e pela imprensa que cobriu o evento.

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Programa Shalom Brasil, um debate sem diálogo

 

Quando se trata de um debate sobre qualquer tema, o que estamos acostumados a ver em programas sérios e com crédito é que os participantes deverão compor uma mesa de debate que abrange todos os lados e opiniões. Não foi o que ocorreu no programa Shalom Brasil exibido no dia 31 de julho de 2017 que fez duras críticas a visita do Aiatolá Araki ao Brasil e ao evento no qual participou. Um programa assim não tem credibilidade nenhuma pois não pode ser reconhecido quando intenta transmitir apenas um único lado da opinião. A fala unilateral, sem levar em consideração as demais opiniões, tem qual validade real? Será que tal programa estaria disposto a debater de forma aberta e realista? Sem contar que grande parte dos convidados do programa infelizmente já tinha sido infectada pelas mentiras e calúnias de setores da mídia sobre o aiatolá, o que estava bem claro na linguagem e na condução ode todo o diálogo realizado entre eles.

 

Diálogo e abertura

 

O Aiatolá Araki é o secretário geral de uma instituição reconhecida mundialmente pelo seu tom moderado de diálogo e por sua busca por aproximação com todas as escolas de interpretação islâmica e com as demais religiões. Sua trajetória é bem conhecida e respeitada nesta área, e classifica-lo como um religioso extremista e fechado ao diálogo representa o posto do que ele realmente é, o que somente pode ser fruto da ignorância sobre seu trabalho ou de uma tentativa de macular sua imagem e tirar a credibilidade de seu trabalho.

 

Perguntas durante a palestra

 

Muito se falou sobre a impossibilidade do público de realizar perguntas para os palestrantes no evento. Mas cabe mencionar que perguntas e questões costumam ser realizadas em mesas de debate ou coletivas de imprensa, e não eventos com programação pré-definida com uma lista de palestras apenas. Esta é uma questão de protocolo e da organização do evento. Cabendo inclusive salientar que houve um intervalo entre o primeiro ciclo de palestras e o segundo, intervalo este que contou com um almoço onde os palestrantes e convidados puderam interagir e conversar sobre tudo que desejassem em um ambiente de perfeita convivência e fomentação do diálogo. O mesmo acontecendo à noite durante o jantar de encerramento do evento.

 

Ofender um político brasileiro é ofender todo o povo

 

Infelizmente muitos críticos e opositores do evento iniciaram uma onda de ofensas aos representantes da classe política do país que participaram do mesmo. Ofensas gratuitas e desprovidas de sentido, de caráter meramente político que intencionaram criar um clima de desgaste para influenciar a opinião pública de maneira negativa.

 

Está claro que as opiniões têm um caráter político, pois percebe-se que o que mais incomoda-os não é o tal “discurso de ódio contra as minorias”, mas sim a presença de um aiatolá que se relacionou muito bem com vários setores sociais, religiosos e políticos, influenciando uma mudança positiva na opinião pública em prol da busca pela verdade dos fatos.

 

Islamofobia no Brasil e no Mundo

 

Infelizmente, nos últimos anos a islamofobia tem aumentado no mundo, e esse fenômeno cego vincula os muçulmanos, especialmente os moderados que vivem nos países ocidentais, ao terrorismo e ao extremismo. A islamofobia tem duas raízes: (1) Ela é um fruto da ignorância e do desconhecimento. (2) Ela é um fruto do trabalho ignóbil de certos setores da mídia e algumas instituições que manipulam ou simplesmente distorcem as informações para transmitir os fatos de uma maneira que confunda os leigos, criando falsos vínculos entre os ensinamentos da religião e o terrorismo.

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No entanto, a religião islâmica repudia totalmente qualquer tipo de agressão, terrorismo, radicalismo ou extremismo, não importando qual grupo, religião, etnia ou povo sejam as vítimas destas barbaridades. O Encontro Islâmico no Brasil teve como objetivo deixar clara esta mensagem dos muçulmanos, de que os mesmos não concordam e não compactuam com o terrorismo e o extremismo, e que a religião islâmica não possui qualquer relação com o ódio e o terror. Mas o que vemos é que o simples ato dos muçulmanos tomarem esta posição pública se tornou objeto de irritação daqueles que defendem a ignorância e a islamofobia.

 

Um exemplo de islamofobia e xenofobia é o recente caso do rapaz refugiado sírio e vendedor ambulante do Rio de Janeiro que foi hostilizado por um brasileiro com ataques islamofóbicos e xenófobos. Temos ampla certeza que este caso jamais poderia representar a totalidade de nossa população, mas sim uma minoria isolada afetada por discursos de ódio, extremismo e intolerância, e foi isto que vimos logo após o este triste episódio, através de cenas de solidariedade e apoio por parte de desconhecidos direcionadas ao jovem refugiado, que como milhares de outros das mais diferentes nacionalidades, veio ao Brasil para viver em paz e segurança. A verdade é que infelizmente sempre haverá vozes de ódio e preconceito no mundo, mas estas vozes nunca deverão ser mais altas do que as vozes da verdade, da moderação, do respeito e da paz.

 

Conflito entre palestinos e israelenses e a proposta de referendo

As entrevistas concedidas pelo Aiatolá Araki abordaram diversos temas importantes que diziam respeito ao fim do conflito entre palestinos e israelenses, entre tais a proposta de realização de um referendo organizado diretamente pela ONU com a inclusão de todos os habitantes natos da terra. Os quais poderiam decidir de uma forma realmente democrática como deveria ser o governo local e quais as características do estado que os representaria. Esta seria uma solução logica, racional, justa e muito democrática, já que envolve os seguidores de todas religiões e todos os povos pertencentes à região. No entanto a proposta do Aiatolá, reveladas para vários canais de mídia, não foram discutidas pelos seus opositores, que de forma irresponsável o acusaram de ser um defensor da aniquilação de estados e de povos e um líder contrários à democracia e ao diálogo.

 

O perigo do radicalismo intelectual e do terrorismo psicológico

 

Ter opiniões diferentes é normal, mas é preciso respeitar e saber conviver com as diferenças, pois não precisamos necessariamente ter que concordar com todos, mas precisamos saber ouvir e dialogar para conhecer pontos de vista diferentes e dessa forma conviver com o próximo. Não querer ouvir o próximo, não querer falar com o próximo ou simplesmente não dar a ele a chance de falar é uma forma de terrorismo psicológico e radicalismo intelectual. Infelizmente isso é o que foi feito por pessoas e grupos que resolveram criar uma narrativa de ódio e se fechar para aquilo que demonstraram não compreender. No entanto as portas do diálogo, da boa convivência e da paz sempre estarão abertas pelo que foi proposto na conclusão do Encontro Islâmico no Brasil.

 

Por fim, o mais interessante nisto tudo é que a grande maioria, mais que 90% dos críticos da visita do aiatolá, desconhece sua história, biografia, trajetória e atividades. Uma prova clara do desconhecimento foi o fato de terem confundido o aiatolá com outras pessoas e até mesmo confundir seu nome.

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Outra vítima da grande difamação e manipulação dos fatos foi o título do evento, pois de “Os Muçulmanos e o enfrentamento ao terrorismo e ao radicalismo” foi maliciosamente transformado pelos seus opositores para “Os muçulmanos e o enfrentamento do terrorismo radical”, dando a entender que exista uma forma de terrorismo que não seja radical que supostamente é defendido pelos organizadores do evento. Uma grande bobagem, pois é fato notório que todas as formas de terrorismo são fruto do radicalismo e do extremismo. E inclusive, o título estava muito bem claro em todos os convites e informes, até mesmo nos divulgados pela mídia. A verdadeira intenção foi mais uma vez manipular a verdade e incutir o preconceito contra o evento e os muçulmanos.


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Um comentário sobre “Pontos de Debate – Encontro Islâmico no Brasil

  1. Responder arlete barbosa guimarães ago 25,2017 10:53

    Um evento desa magnitude sobre um tema fascinante e que me atrai profundamente,só lamento não ter acontecido enquanto eu me encontrava em Sampa.
    Mas ele já ocorreu agora em Agosto ou vai ainda ocorrer em Setembro?
    Porque está grafado assim nos negritos iniciais do artigo

    “Este evento ocorreu no mês de setembro em São Paulo, e foi alvo de muitas críticas infundadas por partes de indivíduos, alguns órgãos da…”

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