Para onde poderia ir o Daesh depois da sua derrota na Síria e Iraque?

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O Daesh, grupo terrorista proibido na Rússia, está vivendo seus últimos dias na Síria e no Iraque. As tropas iraquianas estabeleceram um controle quase completo sobre Mossul, entretanto as unidades curdas cercaram a capital do autoproclamado Estado Islâmico, Raqqa. Mas, mesmo se o Daesh cair, os islamistas ficam.

 

Fonte Sputnik

Daesh-flag-AFP

O portal russo Lenta.ru tentou calcular alguns roteiros possíveis.

É possível que, depois de sua derrota, os terroristas do Daesh organizem unidades de resistência ou deponham as armas e voltem para suas famílias. Os radicais estrangeiros que não querem voltar para suas casas, temendo uma perseguição judicial, provavelmente vão viajar para outras partes do mundo a fim de lutar pelo califado.

“Os jihadistas do Daesh não iniciam as guerras, eles vão para lugares onde o Estado já caiu e onde o nível de violência política é muito alto”, diz o chefe do Centro de Estudos Árabes e Islâmicos da Academia de Ciência da Rússia, Vasily Kuznetsov, citado pelo portal.

Assim, os jihadistas viajam para áreas onde a guerra já começou ou onde existe um campo pago para ela, disse o entrevistado.

Líbia

Depois da queda do Governo de Muammar Kadhafi, em 2011, a Líbia ficou mergulhada no caos e na anarquia, e o Daesh não demorou em decidir se beneficiar dessa situação. Os primeiros representantes deste grupo chegaram ao país em 2014 e conseguiram convencer os islamistas a jurar lealdade ao “califa” Abu Bakr al-Bagdadi.

Forças governamentais do Iraque em Mossul
© AP PHOTO/ HUSSEIN MALLA
O plano dos radicais era espalhar o islã por toda a África do Norte, começando com a Líbia. Em dezembro de 2016 os terroristas sofreram uma importante derrota, mas, infelizmente, a resistência dos radicais continuou.

Hoje em dia, o país africano é agitado por frequentes atentados. Na falta de um Governo centralizado, a Líbia de verdade parece um lugar muito atraente para o Daesh.

Iêmen

Outro país destruído por um conflito armado é o Iêmen. A guerra civil entre rebeldes houthis e o atual Governo, apoiado pela Arábia Saudita, dura desde 2015. Durante estes dois anos o grupo terrorista sunita Al-Qaeda, proibido na Rússia se tornou poderoso na região.

Para os terroristas, o Iêmen é o campo de batalha ideal. O único obstáculo para os integrantes do Daesh é a Al-Qaeda, o seu inimigo principal. Os radicais do Estado Islâmico se mostram pouco dispostos a fazer as pazes com o seu rival na jihad mundial, pelo menos agora.

Indonésia

Recentemente, a atividade dos terroristas aumentou no Sudeste Asiático, região com um número significativo de muçulmanos.

Em particular, os radicais do Daesh podem apostar na Indonésia, o país com a maior população muçulmana do mundo.

O retrato de Abu Bakr al Baghdadi
O grupo terrorista já teve sucesso lá. As autoridades reconheceram que existem células dormentes de jihadistas em quase todas as províncias da Indonésia, que só esperam uma ordem para lançar seus ataques.

O obstáculo principal para o Daesh neste país é a ideologia dominante da Indonésia, a Pancasila, proclamada um pouco antes de o país se tornar independente. Esta filosofia estatal promove a fé em Deus, a democracia, a justiça social e a unidade do povo indonésio. A ideologia Pancasila ajudou a frear a propagação do jihadismo na Indonésia.

Por agora, Jacarta está ganhando a batalha contra o Daesh em seu território, mas não se sabe se será capaz de lidar com esse problema no futuro, quando uma onda de radicais chegar ao país vindos, por exemplo, da Síria.

Antiga república da URSS

Entre os países da Ásia Central que, no passado, fizeram parte da União Soviética, talvez o mais destacado na ofensiva jihadista seja o Tajiquistão. Os naturais deste país são alguns dos mais ativos combatentes do Daesh. Por sorte, o próprio Tajiquistão ainda não tem uma presença considerável de jihadistas no seu território.

A polícia federal iraquiana comemora em Mossul ocidental.
© REUTERS/ ALAA AL-MARJANI
As autoridades temem a radicalização da população, por isso, tomaram medidas muito duras, em particular fecharam centenas de casas de oração que não tinham licença, proibiram a indumentária muçulmana nas escolas e nos postos de trabalho, fecharam 160 lojas de roupas islâmicas e impediram a assistência a menores de 18 anos nas mesquitas.

Duchambe faz fugir todos os islamistas; o Partido do Renascimento Islâmico do Uzbequistão (PRIT), que participava da vida política do país desde 1993 foi proibido e considerado grupo terrorista em 2015. Os especialistas dizem que o PRIT desempenhou um papel muito importante no Tajiquistão porque convencia a população a não seguir os jihadistas. Então, assim que o proibiram, houve um aumento significativo no número de tadjiques que se juntaram aos radicais, mesmo entre os estudantes.

Será que tem remédio?

Militantes do Daesh em Mossul, Iraque (junho de 2014)
© REUTERS/ STRINGER/FILE PHOTO
Depois de o Daesh ser derrotado no Iraque e na Síria, a ideia do “Estado Islâmico” continuará viva: os terroristas continuam à procura de regiões vulneráveis do planeta para incendiar a situação.

Enquanto países como a Líbia e o Iêmen estão destinados a ser vítimas da nova ofensiva de jihadistas estrangeiros, outros países muçulmanos do mundo ainda têm tempo suficiente para impedir que a “bandeira negra do califado” seja içada sobre seus palácios presidenciais, conclui o artigo do Lenta.ru.

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