Os “rebeldes moderados” comemoram a vitória de Macron

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Os seguidores de grupos rebeldes que lutam na Síria coincidem com a União Europeia e os principais líderes internacionais em apoiar o novo presidente francês.

 

Autor: Arturo García

Tradução: Língua Geral

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O hino da União Europeia, a Marselhesa cantada a plenos pulmões e milhares de bandeiras francesas. A festa no Louvre após a consumação da vitória de Emmanuel Macron foi total e mais seguidores do candidato globalista decidiram juntar-se à celebração. Um grupo de apoiadores dos “rebeldes sírios moderados” foi para a emblemática praça  com características bandeiras, as mesmas que seguram na Síria depois de cada execução pública.

Não é de admirar a paixão com que os portadores das bandeiras comemoravam a derrota de Marine Le Pen. A candidata da Frente Nacional tinha prometido uma “virada drástica” nas políticas seguidas por François Hollande na Síria. O presidente francês fez parte da chamada coalizão internacional que permitiu aos Estados Unidos entregar numerosas armas (aos “moderados”) para lutar contra o governo de Bashar Al Assad.

O Pentágono forneceu (direta ou indiretamente) para grupos como a Frente Al-Nusra  (até recentemente a filiada de Al Qaeda na Síria, e agora autodenominada Frente al-Fath Sham) grandes quantidades de armas e dinheiro. Logo estes comandos se transformaram em facções islamitas muito semelhantes ao Estado Islâmico, o grupo terrorista que é (supostamente) “objetivo prioritário” para os americanos, mas que aplicam a mesma lei (sharia) e as mesmas punições. A ideia de vencer as tropas sírias para lançar um processo democrático no país ficou em segundo plano.
O plano de Macron na Síria vai seguir a linha imposta por Bruxelas, onde Angela Merkel e outros líderes europeus uniram forças contra o presidente sírio, que após o ataque químico  -ainda sem resolver- só conta com o apoio do presidente russo Vladimir Putin.
Nem uma palavra, como seu antecessor, sobre os muitos grupos que operam na área, sem nenhum controle e com a aprovação do Ocidente. A experiência da Líbia, onde já não há um governo legítimo e vários senhores da guerra dividem o controle, fez descartar (aparentemente) a intervenção armada no terreno, mas o novo presidente francês clamou por ela apenas um mês atrás. “Temos que parar Al Assad e isso deve ser feito com uma intervenção com a aprovação da ONU”, disse ele.

Decapitações e estupros

As Primaveras Árabes, financiadas e incentivadas pelo Ocidente, transformaram a paisagem política do Oriente Médio e criaram, em muitos casos, o terreno ideal para que os radicais estabelecessem o seu domínio sobre as zonas “libertadas”. Um desses grupos, que agora representa um perigo real e que, como no caso da Frente al-Nusra, se transformou em organizações semelhantes ao Estado Islâmico é Nuredin al Zinki. Esses “rebeldes moderados”, sempre usando os nomes impostos pelas elites globais, foram os protagonistas de um dos vídeos mais terríveis do conflito sírio. E isso não é pouca coisa.

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Há alguns meses, vários militantes desse grupo decapitaram uma criança de 12 anos de idade, que tinha sido acusada de apoiar o “regime” de Al Assad. O menino foi executado em uma rua de Al Mashhad, na cidade de Aleppo, por rebeldes que o acusaram de combater nas fileiras das Brigadas Al Quds, um grupo palestino que luta ao lado do governo sírio.

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As imagens de Omran

As imagens de Omran, um sírio de 5 anos vítima de um atentado, gerou uma onda de indignação -lógica- em todo o mundo. No entanto, não houve nenhuma explicação de por que eles deixaram a criança lá, cercada por flashes, em vez de prestar atendimento, mas isso ficou claro posteriormente. Um vídeo, que vazou para redes sociais, mostra o autor do famoso vídeo, Mahmoud Raslan, preparando a  cena conscientemente. O objetivo dos rebeldes era simplesmente fazer de Omran o novo Aylan Kurdi, aquela criança de apenas um ou dois anos cuja imagem, afogado em uma praia grega, liderou as primeiras páginas da imprensa internacional durante dias.

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Tudo é melhor compreendido conhecendo o caminho de Raslan. Você pode ter visto outra de suas “obras” nas redes, um vídeo, dos chamados rebeldes moderados, que são financiados e armados pelos EUA e seus aliados, enquanto decapitavam uma criança síria de 12 anos.

Estados Unidos, incapazes de controlar a situação

EU tem sido incapaz de separar o que eles chamam de ‘oposição moderada’ da organização terrorista Frente Al-Nusra porque tem sido difícil identificar cada membro dos grupos rebeldes, mas essas tentativas foram realizadas constantemente, admitiu o porta-voz do Departamento de Estado na época, John Kirby, alguns meses atrás.

“A questão problemática em particular, à qual a Rússia sempre se refere, é separar a “oposição moderada” da Frente al-Nusra. Não se pode dizer que nós não fazemos todo o possível para convencer os grupos de oposição a deixar áreas dominadas pela Frente Al Nusra. Mas não podemos dar conta de cada indivíduo. Alguns combatentes decidiram, por várias razões, entrar em uma aliança com a Frente Al-Nusra ou não deixar os territórios onde o grupo jihadista atua. Isto não significa que não estamos agindo de forma adequada”. disse Kirby, se justificando.

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