NEGOCIOS: América Latina de olhos na Rússia

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Por Nil Nikandrov

Traduzido do original russo por Anna Malm*

Correspondente de Pátria Latina na Europa

 

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O Presidente Putin da Rússia é atualmente o político estrangeiro mais popular na América Latina me disse o jornalista venezuelano que veio a Moscou para preparar uma reportagem a respeito da resposta da Rússia quanto as sanções da União Europeia e dos Estados Unidos. – Quanto a questão do Presidente Putin levantar essa enorme simpatia no continente, apesar de que a máquina de propaganda anti-Putin dos Estados Unidos estar a todo vapor, eu perguntei ao colega jornalista da Venezuela o que poderia explicar essa alta avaliação de Putin pelos latinoamericanos.

– Haveriam muitas razões. Putin representa um mundo multipolar, ele prefere um diálogo de quando em questão estão decisões a respeito de situações complicadas, mantendo-se em si mesmo, e abstendo-se de atacar, não caindo nas armadilhas ou submetendo-se a elas pelas provocações. Nós damos muito valor as atividades do presidente Putin para o retorno da Rússia a América Latina, desejando que nossos países desenvolvam atividades conjuntas na área da política, dos negócios e da economia, assim como em diversos sectores humanitários.

Nós nos lembramos muito bem de quando, nos anos noventa, Washington empurrou totalmente a Rússia para fora da América Latina. Nos tempos de então os dirigentes russos tinham demasiada confiança nos americanos, contando com que teriam uma amizade baseada na igualdade de direitos, mas nunca disseram que sairiam sem amigos e aliados nos países do terceiro mundo. Tem-se pois aqui um caso de pragmatismo acima de tudo.

Do meu ponto de vista isso foi um erro, caso já não tenha sido um ato político traiçoeiro. Mas é agora com Putin que nós podemos de novo atar grandes esperanças no futuro. Putin é uma alternativa positiva sendo que essa relação reforça a soberanidade e independência dos países da América Latina nas áreas dos negócios, economia e finanças, assim como na esfera da energia e da defesa. A Venezuela é um exemplo nesse caso.

Avaliações semelhantes quanto ao líder russo se escutam por toda a América Latina e isso vindo de regimes políticos muito diversos. Jornalistas e políticos assim como homens de negócios dizem que Putin não é hipócrita e que ele não joga com cartas marcadas, assim como também não tenta virar os colegas latinoamericanos contra os Estados Unidos, apesar de que ele poderia ter muitas razões para tanto, uma vez que por toda a América Latina tanto o departamento de estado como os serviços secretos dos Estados Unidos fazem um enorme trabalho contra a Rússia.

Na conferência de imprensa, assim como de antes, Putin não procurou briga ou deixou perceber reticências, usando sempre a palavra “parceiro” de quando falando da política dos americanos e da União Europeia. Entretanto, na América Latina a desconfiança quanto aos objetivos estratégicos de Washington só faz por aumentar constantemente. Exitem razões para tanto. Quanto a tendência de muitos senadores e representantes no congresso americano para usarem métodos violentos para “estabelecer a ordem” em diversas regiões do mundo não faltam provas. A existência de planos secretos para “neutralização” de “regimes hostís” devem ser discutidos em relação a infraestrutura das bases militares dos Estados Unidos, instaladas em posições estratégicas muito importantes por toda a América Latina, indo do México ao Paraguai, assim como também no Caribe.

Como fatores de mobilização na América Latina a administração de Obama está usando a luta contra o tráfico de narcóticos e o terrorismo. Entretanto o constante carácter de provocação de muitas das operações dos serviços secretos dos Estados Unidos muitas vezes já levaram a que elementos da CIA, da direção para a luta contra os narcóticos (DEA), e a NSA tenham sido despedidos.

Na mesma, a prioridade dos americanos mostra-se como a caça ao que poderia comprometer os mais populares políticos latinoamericanos e do Caribe. Todos, sem nenhuma exceção. Depois do escândalo da espionagem eletrônica da Chanceller Angela Merkel da Alemanha feita pela NSA, e também da recente despedida dos agentes da CIA, em divisões do serviço secreto alemão, seria possível pensar que na América Latina, no quintal dos Estados Unidos, os serviços secretos dos Estados Unidos, estariam a agir com maiores delimitações?

Os presidentes dos países do bloco da ALBA (Alternativa Bolivariana para o Povo da América Latina) – Venezuela, Cuba, Nicaragua, Equador, Bolívia – muitas vezes e publicamente deram a entender que viam essa espionagem como ameaça para a sua própria segurança assim como para a segurança do país. Abaixo do chapéu dos serviços secretos dos Estados Unidos tem-se tudo, e encontram-se provas e documentos que incluem tudo e todos os necessários trabalhos dos dirigentes do Brasil, Argentina, Chile. Sem exceção. Entre essas documentações encontram-se também o relativo aos ex-presidentes do México, Colômbia e Guatemala os quais são partidários dos mesmos tendo sempre ido nas águas da política exterior de Washington.

A natureza das atividades e o comportamento dos emissários dos Estados Unidos não poderia levantar mais do que rejeição dos latinoamericanos. Em parte isso, e a peculiaridade da “atração exercida por Putin” na América Latina, fez com que se levantasse espontaneamente, no contraste da comparação, essa atração, o que tem a ver com o seu comportamento público, as suas atuações, a sua atitude amigável em relação a políticos, representantes dos círculos de negócios e comércio, da cultura e das artes. Os latinoamericanos dão valor a uma maneira carismática, a uma atitude abertura e a um senso de humor. Imitar essas qualidades não seria possível.

A manutenção de relações especiais com os presidentes latinoamericanos teve também um papél muito importante nesse sentido. A sua recente viagem a quatro países da América Latina teve grande ressonância. Os encontros do presidente Putin com os chefes do governo de Cuba, Nicaragua, Argentina e Brasil, assim como com os presidentes do Uruguai e da Bolívia levantaram grande atenção da mídia.

Os documentos assinados de quando dessa viagem do presidente russo, confirmaram as intenções e os esforços da Rússia para uma relação de reciprocidade a longo prazo em diversas direções e em inúmeras áreas, indo da energia à agrária e de gêneros comestíveis.

Deu-se aqui que foi exatamente a área dos gêneros comestíveis que caiu no centro das relações entre a Rússia e a América Latina nos últimos tempos. Depois da introdução de sanções contra a Rússia, por parte dos Estados Unidos e da União Europeia, dado a sua política na questão da Ucrânia, a Rússia tomou as suas medidas, o que na prática levou a troca de fornecedores de gêneros comestíveis vindo de fora do círculo dos países impondo sanções contra a Rússia. Isso deveria ser, para começar, num período de um ano. Essa decisão foi tomada frente a compreensão da necessidade de criar novas possibilidades para a agricultura russa, e também no cálculo de ganhos e perdas resultando de fornecimentos por novos provedores, entre esses então a América Latina. Nenhuma dúvida quanto a positiva reação na América Latina.

Dentro de pouco tempo na Rússia começará a entrar carne de todos os tipos, além da de peixe e seus produtos derivados, frutas e diversos produtos lácteos vindos do Brasil, Argentina, Chile, Equador, Paraguai e Uruguai. Em Moscou os representantes latinoamericanos estão se movimentando. Quando surgiria de novo uma oportunidade para vencer, nesse lado do mundo, os concorrentes europeus?

Os produtores na Europa não escondem a sua preocupação: perder posições comerciais e econômicas como resultado de passos políticos irrefletidos, como os iniciados pelos Estados Unidos e depois tomados pela União Europeia nas suas sanções anti-russas, podem muito facilmente levar a perdas – muitas delas pesadas… Nos Estados Unidos, por causa de todas as companhias afetadas, vende-se agora carne congelada, em primeira mão então frango. Na Rússia costumava entrar 9 a 10 % dessa produção vinda dos Estados Unidos.

No sector agrícola do Brasil agora se tem tempo de festa. A Rússia já era um importante importador da carne de vaca brasileira, assim como da de porco e de frango mas depois das novas decisões do sector agrícola russo, mais do que 90 companhias brasileiras exportadoras de carnes poderão colocar seus produtos na Rússia, e nos outros países que entram na Comunidade de Alfândega, da qual a Rússia é um importante membro.

Ao todo em 2013 o Brasil deverá ter exportado para a Federação Russa produtos agrícolas no valor de 2.7 bilhões de dólares. Os peritos do assunto não duvidam de que para 2014-2015 esse nível deverá ser ultrapassado… O imenso mercado russo está aberto para os latinoamericanos os quais nunca apoiaram sanções comerciais e econômicas discriminatórias por parte dos Estados Unidos e outros países ocidentais. Tem-se também aqui que apoiar a Rússia e Vladimir Putin, seu presidente, poderia deixar na boca um muito agradável sabor de revanche.


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