Negociata de US$1 trilhão: Plano de longo prazo para separar EUA e China

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Estados Unidos e China (Foto: GETTY IMAGES )
6/8/2019, Peter Lee (“China Hand”), no Blog China Matters

Há algum torcer as mãos tipo “Mas como, Santo Deus, chegamos a isso?!” em tudo que tenha a ver com a guerra comercial que só faz escalar entre EUA e China.

Bobagens.

A estratégia para dissociar as duas economias, concebida pelos falcões norte-americanos anti-China está caminhando exatamente conforme os planos. E o sofrimento econômico é item previsto, não é bug.

Aí vai [adiante, nesse artigo] o roteiro de um episódio de Newsbud China Watch, que apresentei dia 26/9/2018, quando os contornos da estratégia dos EUA já estavam claros.

Antes, mais alguns comentários:

O fracasso das negociações comerciais foi atentamente cozinhado, graças a demandas maximalistas de Lightizer – o que serviu perfeitamente aos interesses dos falcões norte-americanos anti-China.

Porque o objetivo final desses todos sempre foi dissociar as economias de EUA e da China; enfraquecer a China e torná-la mais vulnerável à desestabilização interna e à regressão global.

Se a dissociação arrancou alguns pontos do PIB global, feriu empresas norte-americanas, ou empurrou o mundo para a recessão… Ora! É o preço da liberdade!

Ou, no mínimo, é o que custa tornar o Comando Indo-Pacífico dos EUA (IndoPACOM) capaz de vencer a disputa do pênis mais comprido na Ásia Oriental – porque é disso que, afinal, se trata.

Manter as negociações rastejantes, ao mesmo tempo em que se incentiva a dissociação dinâmica mediante tarifas e sanções permitiu que os falcões norte-americanos anti-China se escondessem das consequências do ônus de ferir a economia dos EUA, para garantir objetivos hegemonistas.

Agora, como entramos numa fase de guerra econômica já praticamente declarada, essa máscara começa a cair.

Um desses itens de interesse acadêmico é se Trump algum dia teria realmente se interessado por algum acordo e pela volta à normalidade. Meu palpite é: sim, se interessou.

Mas os militares dos EUA são praticamente o único grupo de eleitores com que Trump conta no Departamento de Estado. Os militares desejam confronto com a China, e Trump foi junto, dado que os custos do confronto no principal eleitorado político – o mercado de ações –, pareceu administrável.

O continuado atrair-e-mudar as condições, no projeto do acordo de comércio (temos um acordo comercial; oops, NÃO! Mais tarifas!) é um clássico do manual de Trump: quando o adversário estiver pronto para aceitar o acordo, é hora de apertá-lo um pouco mais.

Foi como erva de gato para os falcões norte-americanos anti-China. Porque enquanto as negociações se arrastassem, a dinâmica da dissociação permaneceria praticamente não examinada.

Agora talvez tenhamos chegado ao ponto de não retorno, uma vez que parece que a China decidiu que é mais importante sinalizar que o país tem real capacidade para sobreviver ao castigo, do que mostrar pressa para fazer qualquer acordo.

Mais uma vez, um dia feliz para os falcões norte-americanos anti-China. É guerra! Pelo menos, por hora, guerra econômica.

Agora, se uma recessão acontecer, pode-se considerar que aí estaria um sinal de que o setor financeiro/empresarial dos EUA expulsou a China de seus modelos econômicos.

O próximo passo, além da guerra econômica é a retirada estratégica/militar.

Desacoplar as economias dos EUA e da China, espremer para fora do mercado as expectativas relacionadas com a China e mudar para uma guerra com a China isola os militares dos EUA das pressões econômicas e políticas, para seguirem rumo mais moderado na Ásia Oriental.

Espera-se que o Comando Indo-Pacífico dos EUA comece a agitar na direção de um programa agressivo – via seus aliados nas forças armadas das Filipinas – para enfrentar a China na questão das ilhas artificiais, especialmente as Ilhas Salomão [Mischief Reef], no Mar do Sul da China.

Estas instalações são uma grande afronta à virilidade do Comando Indo-Pacífico dos EUA e devem ser removidas. E isso significa guerra, ou coisa parecida.

Lembre-se como o almirante Davidson, comandante do IndoPACOM pôs as coisas: “A China controla o Mar do Sul da China em todos os cenários que se aproximam de guerra.”

Não disse o que disse para sinalizar que os EUA rendem-se, pessoal! O Comando Indo-Pacífico dos EUA é o quartel-general dos falcões norte-americanos anti-China.

Como já discuti em outros lugares, os EUA colocaram seus porta-aviões pata-chocas em fila como apoio a movimentos anti-China que as Filipinas iniciam no Mar do Sul da China.

Além disso, supondo que as eleições em Taiwan saiam como os EUA planejaram, a dissociação entre as economias de Taiwan e as economias do continente acelerará a cooperação militar entre Taiwan, EUA e Japão.

Entre a desaceleração econômica global e a escalada militar regional, estimo em um trilhão de dólares, ao longo da próxima década, o custo de atacar a China.

Eles contudo dizem que, se a guerra com a China custar um trilhão, os EUA perderem a hegemonia no Pacífico terá custo incalculável.

Ofereço aqui o script do programa de 26/9/2018 que anunciei acima:

– Não é uma guerra comercial, é a longa guerra. Guerra Fria 2.0. Com a China.

– Donald Trump impôs tarifas sobre mais US$ 200 bilhões de dólares de produtos chineses. Os chineses reagiram, mas não com tarifas equivalentes, menos ainda repicaram, com tarifas sobre $ 60 bilhões em produtos dos EUA.

– Esta rodada de tarifas dos Estados Unidos parou em 10%, a um passo do total apocalipse; que foi adiado para dezembro, quando os EUA vão aumentar a taxa de 25% dos produtos chineses, se as coisas não estiverem andando como Trump quer.

– Empresas norte-americanas estão começando a ficar nervosas, porque parece que a China vai esperar para ver se as eleições de meio de mandato para o Congresso dos EUA cumprem a promessa de trazer a tal onda Democrata que deterá Trump e talvez o derrube por impeachment, antes de [a China] pensar em correr para Washington para negociar.

Diz o Washington Post:

“Com o presidente insistindo na abordagem inflexível da questão com a China, líderes empresarias mostram-se cada vez mais frustrados. A Câmara de Comércio dos EUA, a Associação Nacional das Indústrias de Manufatura e a Federação Nacional dos Varejistas estavam entre aqueles prestes a explodir contra o uso da administração de tarifas tão caras e contraproducentes (Nova rodada de tarifas US China desperta temores de uma guerra fria econômica).

– Mas, adivinhem! Para os falcões norte-americanos anti-China, a miséria de empresas norte-americanas na China é um recurso, não é bug. E, dado que os falcões norte-americanos anti-China controlam o chicote no governo Trump, deve-se esperar mais, não menos, desse ‘recurso’. Conforme a matéria do Washington Post,

Alguns funcionários linha-dura gostariam que as restrições comerciais e de investimento levem à separação entre as economias norte-americana e chinesa.

– A separação entre as economias norte-americana e chinesa seria um marco significativo na nova guerra fria contra a China.

– Isso porque essa dissociação está no âmago da contenção clássica.

– Em todas as conversações, falcões de EUA anti-China e China sempre insistiram no argumento de que ninguém tem estratégia para conter a China.

– Isso porque, na essência da contenção contra a União Soviética, tal como formulada pelo diplomata americano George Kennan, em 1946, há a convicção de que a URSS havia escolhido o caminho da autarquia – da autossuficiência e em vez de integração com as economias do Ocidente – para assim manter o sistema repressivo soviético doméstico.

Portanto, Kennan argumentou com sucesso que os EUA e seus aliados deviam pôr a URSS em quarentena, até que colapsasse sob o próprio peso e o estresse da confrontação com os EUA.

A República Popular da China, por outro lado, reconheceu as limitações da autarquia e perseguiu a integração com o sistema econômico mundial mediante o engajamento com os Estados capitalistas e a integração, como membro da Organização Mundial do Comércio.

Assim, a República Popular da China não permaneceu nação de agricultores pobres – ainda que se trate de um bilhão de agricultores pobres com armas nucleares –, isolada globalmente e vulnerável aos EUA e suas ações de contenção, de subversão externa e interna, e de eventual derrubada do governo chinês.

Em vez disso, temos governo comunista na China, que representa 40% da economia mundial e tem suficiente munição financeira, social e de estado para se manter domesticamente no topo e com condições de competir internacionalmente, por influência, com os EUA! (X-Men: The Last Stand (ing.)

Isso enfurece os falcões norte-americanos contra a China, para os quais permitir a ascensão da China seria o cúmulo da loucura norte-americana.

Esses falcões norte-americanos contra a China veem as tarifas Trump como uma batalha importante e há muito esperada na longa guerra para separar as economias norte-americana e chinesa e criar condições mais favoráveis para uma guerra fria que transborde, com polarização, confronto e contenção clássica.

– E o empresariado está captando a mensagem. Do Post:

Sob o plano de Trump, a dor da tarifa sobre $ 200 bilhões de produtos chineses crescerá 25%, a partir dos 10% originais. Se àquela altura ainda houver poucos avanços diplomáticos, mais empresas podem mudar seus pedidos, de fornecedores chineses para fábricas em países como o Vietnã ou a Índia, dizem executivos.

– Num metanível, pode-se ver tudo isso como “Parceria Trans-Pacífico feita com facão de carnear gado”. Barack Obama procurou isolar a China mediante um bloco de livre comércio que excluía a China. Donald Trump espera alcançar objetivo semelhante, redirecionando importações dos EUA para longe da China mediante tarifas.

Como escreveu uma das divindades tutelares dos falcões contra a China, Aaron Friedberg:

“Estamos provavelmente falando de um mundo com dois centros: um domínio econômico centrado na China … e outro centrado nos EUA”, disse Aaron Friedberg, professor de política e assuntos internacionais na Universidade de Princeton, que trabalhou com política da China como assessor do vice-presidente Richard Cheney na administração George W. Bush. “Está andando em direção a uma economia global bifurcada.”

Hey, missão cumprida! Pelo menos para falcões contra a China, se não para corporações multinacionais que anseiem por esse dia global de pagamento.

Os governantes chineses têm muitas boas razões para crer acreditar que os EUA não estejam interessados só em correções comerciais, como a melhoria do acesso e condições de concorrência equitativas; os falcões norte-americanos contra a China querem usar a política econômica para enfraquecer e fazer retroceder o Estado chinês.

– O que os chineses vão fazer? Bem, a liderança pensa já há muito tempo sobre essa guerra econômica.

Isso porque a República Popular da China já viu esse filme. E não se trata do colapso da União Soviética. Trata-se do ataque contra a economia de exportação do Japão projetado por Ronald Reagan e James Baker, em 1985 – o chamado Acordo Plaza, intervenção coordenada no mercado de câmbio levada a efeito por bancos estatais, que levou a uma valorização de 50% do iene em relação ao EUA-dólar .

– Em resposta à campanha de tarifas de Trump, a China planeja transferir fábricas para o exterior; empurrar fábricas nacionais para que modernizem seus produtos e tecnologias e procurem novos mercados.

Assim, por irônico que pareça, a China impulsiona seu programa Made in China 2025, que tanto aterrorizou o ocidente; e também injeta dinheiro na economia doméstica, para impulsionar o consumo e reduzir o impacto da guerra comercial.

Os chineses já se preparam para o processo de longo prazo.

Jack Ma, capitão da gigante comercial Alibaba, previu que toda a dinâmica da guerra comercial EUA-China exigirá 20 anos (‘Vai ser uma confusão.’ Alibaba fundador Jack Ma diz que guerra comercial EUA-China pode durar 20 anos).

– OK. Gostaria de saber quem estará no topo em 20 anos? Talvez os Estados Unidos. Talvez a China. Talvez ninguém. Mas 20 anos é tempo suficiente para que os falcões norte-americanos anti-China paguem suas hipotecas e a universidade para mais uma geração de herdeiros.

Mais uma vez, alguns vencedores sempre há.*******

Negociata de US$1 trilhão:
Plano de longo prazo para separar EUA e China 

6/8/2019, Peter Lee (“China Hand”), no Blog China Matters

Há algum torcer as mãos tipo “Mas como, Santo Deus, chegamos a isso?!” em tudo que tenha a ver com a guerra comercial que só faz escalar entre EUA e China.

Bobagens.

A estratégia para dissociar as duas economias, concebida pelos falcões norte-americanos anti-China está caminhando exatamente conforme os planos. E o sofrimento econômico é item previsto, não é bug.

Aí vai [adiante, nesse artigo] o roteiro de um episódio de Newsbud China Watch, que apresentei dia 26/9/2018, quando os contornos da estratégia dos EUA já estavam claros.

Antes, mais alguns comentários:

O fracasso das negociações comerciais foi atentamente cozinhado, graças a demandas maximalistas de Lightizer – o que serviu perfeitamente aos interesses dos falcões norte-americanos anti-China.

Porque o objetivo final desses todos sempre foi dissociar as economias de EUA e da China; enfraquecer a China e torná-la mais vulnerável à desestabilização interna e à regressão global.

Se a dissociação arrancou alguns pontos do PIB global, feriu empresas norte-americanas, ou empurrou o mundo para a recessão… Ora! É o preço da liberdade!

Ou, no mínimo, é o que custa tornar o Comando Indo-Pacífico dos EUA (IndoPACOM) capaz de vencer a disputa do pênis mais comprido na Ásia Oriental – porque é disso que, afinal, se trata.

Manter as negociações rastejantes, ao mesmo tempo em que se incentiva a dissociação dinâmica mediante tarifas e sanções permitiu que os falcões norte-americanos anti-China se escondessem das consequências do ônus de ferir a economia dos EUA, para garantir objetivos hegemonistas.

Agora, como entramos numa fase de guerra econômica já praticamente declarada, essa máscara começa a cair.

Um desses itens de interesse acadêmico é se Trump algum dia teria realmente se interessado por algum acordo e pela volta à normalidade. Meu palpite é: sim, se interessou.

Mas os militares dos EUA são praticamente o único grupo de eleitores com que Trump conta no Departamento de Estado. Os militares desejam confronto com a China, e Trump foi junto, dado que os custos do confronto no principal eleitorado político – o mercado de ações –, pareceu administrável.

O continuado atrair-e-mudar as condições, no projeto do acordo de comércio (temos um acordo comercial; oops, NÃO! Mais tarifas!) é um clássico do manual de Trump: quando o adversário estiver pronto para aceitar o acordo, é hora de apertá-lo um pouco mais.

Foi como erva de gato para os falcões norte-americanos anti-China. Porque enquanto as negociações se arrastassem, a dinâmica da dissociação permaneceria praticamente não examinada.

Agora talvez tenhamos chegado ao ponto de não retorno, uma vez que parece que a China decidiu que é mais importante sinalizar que o país tem real capacidade para sobreviver ao castigo, do que mostrar pressa para fazer qualquer acordo.

Mais uma vez, um dia feliz para os falcões norte-americanos anti-China. É guerra! Pelo menos, por hora, guerra econômica.

Agora, se uma recessão acontecer, pode-se considerar que aí estaria um sinal de que o setor financeiro/empresarial dos EUA expulsou a China de seus modelos econômicos.

O próximo passo, além da guerra econômica é a retirada estratégica/militar.

Desacoplar as economias dos EUA e da China, espremer para fora do mercado as expectativas relacionadas com a China e mudar para uma guerra com a China isola os militares dos EUA das pressões econômicas e políticas, para seguirem rumo mais moderado na Ásia Oriental.

Espera-se que o Comando Indo-Pacífico dos EUA comece a agitar na direção de um programa agressivo – via seus aliados nas forças armadas das Filipinas – para enfrentar a China na questão das ilhas artificiais, especialmente as Ilhas Salomão [Mischief Reef], no Mar do Sul da China.

Estas instalações são uma grande afronta à virilidade do Comando Indo-Pacífico dos EUA e devem ser removidas. E isso significa guerra, ou coisa parecida.

Lembre-se como o almirante Davidson, comandante do IndoPACOM pôs as coisas: “A China controla o Mar do Sul da China em todos os cenários que se aproximam de guerra.”

Não disse o que disse para sinalizar que os EUA rendem-se, pessoal! O Comando Indo-Pacífico dos EUA é o quartel-general dos falcões norte-americanos anti-China.

Como já discuti em outros lugares, os EUA colocaram seus porta-aviões pata-chocas em fila como apoio a movimentos anti-China que as Filipinas iniciam no Mar do Sul da China.

Além disso, supondo que as eleições em Taiwan saiam como os EUA planejaram, a dissociação entre as economias de Taiwan e as economias do continente acelerará a cooperação militar entre Taiwan, EUA e Japão.

Entre a desaceleração econômica global e a escalada militar regional, estimo em um trilhão de dólares, ao longo da próxima década, o custo de atacar a China.

Eles contudo dizem que, se a guerra com a China custar um trilhão, os EUA perderem a hegemonia no Pacífico terá custo incalculável.

Ofereço aqui o script do programa de 26/9/2018 que anunciei acima:

– Não é uma guerra comercial, é a longa guerra. Guerra Fria 2.0. Com a China.

– Donald Trump impôs tarifas sobre mais US$ 200 bilhões de dólares de produtos chineses. Os chineses reagiram, mas não com tarifas equivalentes, menos ainda repicaram, com tarifas sobre $ 60 bilhões em produtos dos EUA.

– Esta rodada de tarifas dos Estados Unidos parou em 10%, a um passo do total apocalipse; que foi adiado para dezembro, quando os EUA vão aumentar a taxa de 25% dos produtos chineses, se as coisas não estiverem andando como Trump quer.

– Empresas norte-americanas estão começando a ficar nervosas, porque parece que a China vai esperar para ver se as eleições de meio de mandato para o Congresso dos EUA cumprem a promessa de trazer a tal onda Democrata que deterá Trump e talvez o derrube por impeachment, antes de [a China] pensar em correr para Washington para negociar.

Diz o Washington Post:

“Com o presidente insistindo na abordagem inflexível da questão com a China, líderes empresarias mostram-se cada vez mais frustrados. A Câmara de Comércio dos EUA, a Associação Nacional das Indústrias de Manufatura e a Federação Nacional dos Varejistas estavam entre aqueles prestes a explodir contra o uso da administração de tarifas tão caras e contraproducentes (Nova rodada de tarifas US China desperta temores de uma guerra fria econômica).

– Mas, adivinhem! Para os falcões norte-americanos anti-China, a miséria de empresas norte-americanas na China é um recurso, não é bug. E, dado que os falcões norte-americanos anti-China controlam o chicote no governo Trump, deve-se esperar mais, não menos, desse ‘recurso’. Conforme a matéria do Washington Post,

Alguns funcionários linha-dura gostariam que as restrições comerciais e de investimento levem à separação entre as economias norte-americana e chinesa.

– A separação entre as economias norte-americana e chinesa seria um marco significativo na nova guerra fria contra a China.

– Isso porque essa dissociação está no âmago da contenção clássica.

– Em todas as conversações, falcões de EUA anti-China e China sempre insistiram no argumento de que ninguém tem estratégia para conter a China.

– Isso porque, na essência da contenção contra a União Soviética, tal como formulada pelo diplomata americano George Kennan, em 1946, há a convicção de que a URSS havia escolhido o caminho da autarquia – da autossuficiência e em vez de integração com as economias do Ocidente – para assim manter o sistema repressivo soviético doméstico.

Portanto, Kennan argumentou com sucesso que os EUA e seus aliados deviam pôr a URSS em quarentena, até que colapsasse sob o próprio peso e o estresse da confrontação com os EUA.

A República Popular da China, por outro lado, reconheceu as limitações da autarquia e perseguiu a integração com o sistema econômico mundial mediante o engajamento com os Estados capitalistas e a integração, como membro da Organização Mundial do Comércio.

Assim, a República Popular da China não permaneceu nação de agricultores pobres – ainda que se trate de um bilhão de agricultores pobres com armas nucleares –, isolada globalmente e vulnerável aos EUA e suas ações de contenção, de subversão externa e interna, e de eventual derrubada do governo chinês.

Em vez disso, temos governo comunista na China, que representa 40% da economia mundial e tem suficiente munição financeira, social e de estado para se manter domesticamente no topo e com condições de competir internacionalmente, por influência, com os EUA! (X-Men: The Last Stand (ing.)

Isso enfurece os falcões norte-americanos contra a China, para os quais permitir a ascensão da China seria o cúmulo da loucura norte-americana.

Esses falcões norte-americanos contra a China veem as tarifas Trump como uma batalha importante e há muito esperada na longa guerra para separar as economias norte-americana e chinesa e criar condições mais favoráveis para uma guerra fria que transborde, com polarização, confronto e contenção clássica.

– E o empresariado está captando a mensagem. Do Post:

Sob o plano de Trump, a dor da tarifa sobre $ 200 bilhões de produtos chineses crescerá 25%, a partir dos 10% originais. Se àquela altura ainda houver poucos avanços diplomáticos, mais empresas podem mudar seus pedidos, de fornecedores chineses para fábricas em países como o Vietnã ou a Índia, dizem executivos.

– Num metanível, pode-se ver tudo isso como “Parceria Trans-Pacífico feita com facão de carnear gado”. Barack Obama procurou isolar a China mediante um bloco de livre comércio que excluía a China. Donald Trump espera alcançar objetivo semelhante, redirecionando importações dos EUA para longe da China mediante tarifas.

Como escreveu uma das divindades tutelares dos falcões contra a China, Aaron Friedberg:

“Estamos provavelmente falando de um mundo com dois centros: um domínio econômico centrado na China … e outro centrado nos EUA”, disse Aaron Friedberg, professor de política e assuntos internacionais na Universidade de Princeton, que trabalhou com política da China como assessor do vice-presidente Richard Cheney na administração George W. Bush. “Está andando em direção a uma economia global bifurcada.”

Hey, missão cumprida! Pelo menos para falcões contra a China, se não para corporações multinacionais que anseiem por esse dia global de pagamento.

Os governantes chineses têm muitas boas razões para crer acreditar que os EUA não estejam interessados só em correções comerciais, como a melhoria do acesso e condições de concorrência equitativas; os falcões norte-americanos contra a China querem usar a política econômica para enfraquecer e fazer retroceder o Estado chinês.

– O que os chineses vão fazer? Bem, a liderança pensa já há muito tempo sobre essa guerra econômica.

Isso porque a República Popular da China já viu esse filme. E não se trata do colapso da União Soviética. Trata-se do ataque contra a economia de exportação do Japão projetado por Ronald Reagan e James Baker, em 1985 – o chamado Acordo Plaza, intervenção coordenada no mercado de câmbio levada a efeito por bancos estatais, que levou a uma valorização de 50% do iene em relação ao EUA-dólar .

– Em resposta à campanha de tarifas de Trump, a China planeja transferir fábricas para o exterior; empurrar fábricas nacionais para que modernizem seus produtos e tecnologias e procurem novos mercados.

Assim, por irônico que pareça, a China impulsiona seu programa Made in China 2025, que tanto aterrorizou o ocidente; e também injeta dinheiro na economia doméstica, para impulsionar o consumo e reduzir o impacto da guerra comercial.

Os chineses já se preparam para o processo de longo prazo.

Jack Ma, capitão da gigante comercial Alibaba, previu que toda a dinâmica da guerra comercial EUA-China exigirá 20 anos (‘Vai ser uma confusão.’ Alibaba fundador Jack Ma diz que guerra comercial EUA-China pode durar 20 anos).

– OK. Gostaria de saber quem estará no topo em 20 anos? Talvez os Estados Unidos. Talvez a China. Talvez ninguém. Mas 20 anos é tempo suficiente para que os falcões norte-americanos anti-China paguem suas hipotecas e a universidade para mais uma geração de herdeiros.

Mais uma vez, alguns vencedores sempre há.

Traduzido por Vila Mandinga

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