Na Síria, um crime também contra a cultura da humanidade

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Glossaire TB (3)

Alem de ser um desastre humanitário e político, a guerra na Síria é também uma catástrofe cultural sem precedentes no Oriente Médio. A UNITAR (órgão das Nações Unidas especializado em pesquisa) revelou em Beirute a situação dos 290 monumentos que componham o acervo desse pais, com origens nas primeiras grandes civilizações do mundo e nos grandes impérios que ocuparam essa região. Utilizando fotos feitas por satélites, os especialistas da ONU anunciaram que 24 monumentos foram completamente destruídos, e 189 parcialmente (incluindo o velho centro de Alepo com seus “souks” milenares, sua fabulosa mesquita dos Omiadas e sua cidadela). Outros 77 não foram fotografados mas são também provavelmente parcialmente destruídos.

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Segundo a UNITAR, esse relatório é um testemunho alarmante das destruições do imenso patrimônio cultural da Síria. Esforços sírios e internacionais tem que ser feitos para proteger essas áreas que tem uma incomensurável importância para historia da humanidade. Os combates entre as forças do governo sírio e as facões rebeldes, apoiadas pelos Estados Unidos e seus aliados, destruíram prédios e sítios históricos no pais inteiro. Bouguereau-Zenobia-1850 Em Palmira, antiga capital da Rainha Zenobia, túmulos e museus foram saqueados. O relatório insiste sobre os estragos nos sítios classificados pela UNESCO, especialmente na cidade de Alepo. Os rebeldes invadiram o Krak dos Cavaleiros, um castelo da época das cruzadas que o exercito regular conseguiu retomar em Março do ano passado depois dum bombardeio pesado. Os monumentos de Raqqa e de Bosra foram parcialmente destruídos pelos rebeldes. Os radicais islamistas estão também destruindo muitos edifícios antigos considerados hereges.

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O governo tenta proteger esse impressionante património onde constam sítios únicos como a Mesquita dos Omíadas (ou de São João Batista, uma das mais belas do mundo muçulmano), a cidade de Palmira (a mais extensa da época romana depois de Efeso), o Krak dos Cavaleiros  (o maior castelo da época dos cruzadas) ou a fortaleza do Rei Saladino. Saladin_and_GuyMaamoun Abdul Karim, diretor dos museus da Síria, é um dos homens que trabalham a proteger esse acervo. Ele já conseguiu colocar, em abrigos protegidos dos saqueadores, dezenas de milhares de peças, testemunhas dos 10.000 anos da historia da Síria. Nesse país com um extraordinário potencial turístico, onde há trinta anos a Air France chegou a erguer quatro hotéis Meridien, um imenso trabalho ainda precisa ser feito para proteger e amanha para restaurar um patrimônio que representa não somente uma das chaves do seu futuro, mas também uma herança de toda humanidade.

Traduzido e adaptado dum artigo original do New York Times 

Ex Meridien Palmyra

 

Postado por: le blog do perol

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