Líbia: violência imperial é item que nunca falta

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26/1/2016,
Moon of Alabama

Violência imperial é item que nunca falta.

Depois que os EUA mentiram ao Conselho de Segurança da ONU sobre ameaças que Ghaddafi teria feito contra “manifestantes” em Benghazi, o CS-ONU permitiu o uso da força para proteger os tais “manifestantes” Rússia e China abstiveram-se de votar, em vez de vetar a resolução.

Imagem: Líbia, primavera 2011

Os EUA e seus aliados da OTAN deram uso criminoso à resolução da CS-ONU. Armaram os tais “manifestantes”, bombardearam o país até reduzir a Líbia a um monte de escombros e assassinaram as principais figuras do estado líbio, inclusive o coronel Muhammar Ghaddafi.

Foi quando a secretária de Estado, o monstro La Clinton, zombou desavergonhadamente (vídeo): “Fomos, vimos, ele morreu”.

Aquela resolução do CS-ONU é a razão pela qual o presidente Medvedev da Rússia não pôde concorrer a um segundo mandato. E Putin assumiu.

Putin, hoje presidente – naquele momento era primeiro-ministro e só cuidava de política interna – disse que, lendo aquela Resolução do CS-ONU, encontrou tais buracos no modo como o texto foi redigido, que por eles podia passar um exército inteiro. Medvedev cometeu erro gravíssimo, ao deixar que passasse. Medvedev sair e Putin entrar no comando da política exterior da Rússia foi o único resultado positivo do ataque da OTAN contra a Líbia.

Agora, os EUA querem outra vez atacar a Líbia:
O general Joseph Dunford Jr., comandante do Estado-maior das Forças Armadas dos EUA, disse a jornalistas na 6ª-feira, que funcionários militares estavam “considerando empreender ação militar decisiva” contra o Estado Islâmico, ou ISIS, na Líbia, onde funcionários ocidentais estimam que o grupo terrorista mal chegue a 3 mil homens.

Funcionários do governo Obama dizem que a campanha na Líbia pode começar em semanas. Adiantam que será conduzida com o auxílio luxuoso de um punhado de aliados europeus, dentre os quais Grã-Bretanha, França e Itália.
Será como sempre: bombardeio, forças especiais dos EUA em solo, combatentes alugados no local e treinados pelos militares dos EUA ou por empresas privadas, os quais imediatamente depois se converterão em esquadrões (locais) da morte e aterrorizarão a população (local).

O caos é total na Líbia, como era previsível e foi previsto aqui , quando começou o ataque contra a Líbia. Há incontáveis grupos armados e dois parlamentos, e dois semigovernos, um do leste, outro no oeste. A ONU bem que tentou criar um terceiro, de unidade, mas falhou:
O parlamento líbio internacionalmente reconhecido votou na 2ª-feira e rejeitou um governo de unidade proposto sob um plano apoiado pela ONU para resolver a crise política e o conflito armado. (…) Desde 2014, a Líbia têm dois parlamentos e dois governos, um com sede em Trípoli e o outro no leste. Ambos são apoiados por alianças pouco estáveis de grupos armados e ex-rebeldes que ajudaram a derrubar Muanmar Gaddafi in 2011.
Muitos dos “rebeldes” que foram pagos pelo Qatar e outros para derrubar o governo da Líbia são islamistas. Muitos partiram da Líbia para a Síria para combater contra o governo sírio e os EUA ajudaram a fornecer armas da Líbia para aqueles terroristas estrangeiros na Síria.

É improvável que o real interesse dos EUA seja agora combater contra os poucos combatentes do Estado Islâmico que restam na Líbia. A maioria dos seguidores do Estado Islâmico na Líbia são locais que não participaram dessa ou de daquela gangue islamista. Os EUA querem todo o país sob seu controle, mas só conseguiram até agora, no máximo metade do ‘projeto’:
As forças armadas aliadas do governo ocidental são lideradas pelo general Khalifa Haftar, ex-aliado de Gaddafi. Também combateu contra militantes islamistas na cidade oriental de Benghazi e converteu-se em uma das figuras mais controversas da Líbia, com forte apoio do ocidente, mas desprezado por forças aliadas do governo em Trípoli.
Haftar esteve ao lado de Ghaddafi mas foi ostracizado depois de um fracasso na guerra com o Chade. Por volta de 1990, tentou derrubar Ghaddafi, mas o golpe fracassou. Haftar mudou-se então para os EUA, ganhou cidadania norte-americana e trabalhou para a CIA. Em 2011 estava de volta à Líbia, outra vez tentando derrubar Ghaddafi.

Em 2011, os EUA fracassaram na tentativa de impor um governo-fantoche na Líbia. E agora volta a fazer outra tentativa para controlar todo o país e todos os seus muitos recursos. Implantado na Líbia os EUA podem subjugar vários países no norte da África.

É fácil ver que aí está o projeto de mais e mais guerras, mais terror e mais refugiados que terão de abandonar a própria terra e a própria casa. Violência imperial é item que nunca falta.*****

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