Família Jafet mantém tradição e comemora 130 anos de imigração no Brasil

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O dia 7 de outubro de 2017 foi escolhido pela tradicional família libanesa para celebrar os seus 130 anos de Brasil. Em festa restrita aos Jafet, tão conhecidos dos paulistanos, cerca de 600 descendentes estarão reunidos no Clube Atlético Monte Líbano, em São Paulo (SP), mostrando que as sementes plantadas pelos primeiros patriarcas que aqui chegaram não só renderam bons frutos como deixaram um belo legado para as gerações seguintes.

 

Senhora Violeta Jafet

 
Nestas 13 décadas de Brasil, a história da Família Jafet é marcada pelo empreendedorismo, vanguardismo, solidariedade e espírito de colaboração, a começar pela primeira loja da colônia libanesa, na Rua 25 de Março, em São Paulo, fundada por Benjamin Jafet, três anos após ter chegado a terras brasileiras, em 1887.
 
Benjamin logo recebeu a companhia de seu irmão Basilio, com o qual expandiu suas atividades comerciais e aumentou o capital da família. Com um bom capital nas mãos, os dois chamaram Nami, o mais velho dos seis irmãos. Abriram, então, uma loja maior na mesma rua e, sob o comando de Nami, fundaram a Nami Jafet & Irmãos, que envolveu na sociedade mais um irmão, João, também imigrante. Miguel, outro irmão dos Jafet, chegou a vir para o Brasil, porém, não se adaptou ao clima tropical e retornou à pátria natal, onde foi secretário do Consulado da Rússia em Beirute. Seus descendentes, no entanto, mais tarde vieram para o Brasil e abriram negócios no interior de São Paulo.
 
Os irmãos Jafet também fundaram a fábrica de tecidos Fiação, Tecelagem e Estamparia Ypiranga Jafet, em 1907, uma das precursoras da indústria têxtil nacional. A fábrica foi a responsável pela pujança e o desenvolvimento do bairro do Ipiranga e de seu entorno. Foi nesse bairro que construíram 320 residências para as famílias dos operários, além de mais de 22 casarões e palacetes que abrigaram a família e seus descendentes, destacando-se os de Basílio Jafet, ainda hoje inseridos na paisagem da Rua Bom Pastor.
 
Os seis palacetes remanescentes, tombados pelo Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental de São Paulo, traduzem parte da história do progresso da cidade, muito mais que somente comprovar o sucesso comercial e industrial dos Jafet. No início do século XX, ao contrário de outros bem-sucedidos imigrantes árabes e italianos que fincaram suas mansões na Avenida Paulista, escolheram residir próximo de suas propriedades industriais, no bairro do Ipiranga.

 

Família Jafet, transformando outras cidades e regiões

 
A família Jafet também transformou outras cidades e regiões, dando importante contribuição para muitas outras construções e obras sociais da colônia libanesa por todo o Brasil. A Mineração Geral do Brasil, por exemplo, transformou o município de Mogi das Cruzes, situado na região leste da Grande São Paulo, no Alto Tietê.
 
Na década de 1940, a cidade recebeu essa grande e importante siderúrgica, fruto de um arrojado projeto da família Jafet. A indústria marcou a fase moderna de progresso e desenvolvimento da cidade, com influências nos campos social, cultural, econômico e político. A construção de casas destinadas aos funcionários, ao lado da Mineração Geral do Brasil, acabou dando origem a um dos bairros da cidade. Inicialmente chamada de Vila Jafet, depois de bairro da Mineração, e posteriormente chamada de Vila Industrial, suas casas mantinham o mesmo padrão, tendo suas fachadas e arquiteturas iguais, que ainda podem ser percebidas nos dias atuais. Em tempos mais recentes, a família mais uma vez se fez presente na história de desenvolvimento de Mogi das Cruzes, quando, em 1991, Carlos Jafet Júnior levou para a cidade o Mogi Shopping Center.
 

Voluntariado e filantropia, marcas da família Jafet

 
Não se pode falar em filantropia e voluntariado em São Paulo, sem falar da família Jafet. Adma Jafet, esposa de Basilio, também empreendedora e visionária, fundou, em 1921, com outras senhoras da comunidade árabe, a Sociedade Beneficente de Senhoras do Hospital Sírio-Libanês, que deu origem e até hoje é a mantenedora do Hospital Sírio-Libanês, um dos mais conceituados da América Latina, e cujos princípios ainda determinam sua razão de ser, na medida em que desenvolve ações integradas de assistência social, de saúde, de ensino e de pesquisa.
 
Adma não conseguiu ver a instituição pronta. Violeta Jafet, sua filha, que até o fim do ano passado foi a grande matriarca da família (faleceu em dezembro de 2016, aos 108 anos), herdou o legado de sua mãe e foi presidente da Sociedade Beneficente de Senhoras do Hospital Sírio-Libanês durante 50 anos, desde a inauguração do hospital, em 1961.
 
Em 2012, por ocasião das comemorações de 125 anos da chegada da família ao Brasil, quando indagada por uma repórter sobre o quanto os Jafet tinham sido importantes para São Paulo, Dona Violeta não pestanejou e logo respondeu: “São Paulo é que foi importante para os Jafet, pois nos recebeu e aqui no Brasil nossa família se fez e cresceu”. E é esse mesmo sentimento de gratidão que toda a família tem e passa às novas gerações, sem esquecer-se de reverenciar os antepassados pioneiros que aqui chegaram e foram acolhidos, no século XIX.
 
O incentivo ao esporte é outro legado que os pioneiros irmãos Jafet deixaram para seus descendentes, pois foram de grande importância na constituição de três tradicionais clubes da capital paulista: o Esporte Clube Sírio, o Clube Atlético Monte Líbano e o Clube Atlético Ypiranga.
 
Além disso, a família foi fundamental para a fundação da Liga das Senhoras Ortodoxas, da Igreja Ortodoxa Antioquina do Brasil e da Catedral Metropolitana Ortodoxa, além de ter presidido, por dois mandatos, a Associação Cedro do Líbano de Proteção à Infância, ter fundado a Câmara de Comércio Sírio-Libanesa, hoje, Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, e contribuído na construção de quatro pavilhões do Hospital Leão XIII, hoje, Hospital São Camilo, e, ainda, auxiliado na construção do Colégio Cardeal Motta, ambos no bairro do Ipiranga, na capital paulista.
 
Dedicada ativamente à filantropia, a família é também conhecida por sua contribuição às artes e às pesquisas, com uma multiplicidade de doações públicas, ainda pouco conhecidas, entre elas o Pavilhão de Física Experimental da Universidade de São Paulo, em memória de Basílio Jafet, e o Monumento Amizade Sírio-Libanesa, obra do escultor Ettore Ximenez, o mesmo autor do Monumento à Independência, no Ipiranga. Inaugurado em 1922 e ofertado ao Brasil por ocasião das celebrações do primeiro Centenário da Independência do Brasil, o Monumento Amizade Sírio-Libanesa é uma escultura belíssima e rica em detalhes da cultura árabe e do que esse povo representou para o comércio e para o Brasil. A obra foi idealizada e realizada em parte graças às doações feitas pelos irmãos Jafet, que encabeçaram, à época, a comunidade árabe, especialmente de sírios e libaneses radicados no país. O monumento hoje está localizado na Praça Ragueb Chohfi, bem no começo da Rua 25 de Março, mas, inicialmente, ficava diante do Palácio das Indústrias, na mesma região central de São Paulo.
 
Apreciadora das artes, a Família Jafet foi proprietária de grandes obras que foram doadas a museus da cidade. Nos anos 1950, em uma reunião na residência de Gladston Jafet, um dos filhos de Nami Jafet, Assis Chateaubriand e membros da família acordaram a doação de algumas obras que hoje fazem parte do acervo permanente do MASP (Museu de Artes de São Paulo), que neste ano está comemorando 70 anos.
 
Esses são apenas alguns dos feitos desta família que tanto contribuiu com o Brasil desde que se radicou na cidade de São Paulo, no fim do século XIX, criando um dos maiores grupos empresariais familiares do país, com empreendimentos no ramo têxtil, mineração, metalurgia, siderurgia, serviços financeiros e navegação.
 
Fonte: Regina Guimarães Assessoria
 
 
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