EUA pularam fora do Acordo Nuclear do Irã porque estão terminalmente falidos

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  11/5/2018, Dmitry Orlov, Club Orlov

Aqui vai uma avaliação da decisão de Trump, de pular fora do JCPOA, também conhecido como Acordo Nuclear do Irã, que absolutamente não está sendo ventilada suficientemente na grande mídia-empresa. Dinheiro.  Tudo é por causa do dinheiro.

Logo depois da Revolução Iraniana de 1978-79, Jimmy Carter congelou bens do Irã nos EUA. Desde então, os EUA mantêm em seu poder algo entre $100 e $120 bilhões em bens do Irã, que cresceram, com rendimentos e juros. Depois do Acordo Nuclear do Irã, que estipulou o fim das sanções contra o Irã, Washington tem feito de tudo para escapar de ter de devolver esse patrimônio do Irã, mas tudo terá de ser devolvido, mais cedo ou mais tarde… a menos que os EUA se retirem do acordo – precisamente o que Trump acaba de fazer.

Importante não esquecer que os bens iranianos congelados são denominados em EUA-dólares. E qual seria a primeira coisa que os iranianos fariam, no instante em que recuperassem o controle sobre esse patrimônio? Ora! Claro que converteriam tudo em EUA-dólares. É exigência formalizada na lei iraniana: não se permite a circulação de EUA-dólares, e ninguém no Irã poderia fazer o câmbio dessa fortuna, nem se quisesse. Segundo os iranianos, funcionários dos EUA pediram aos iranianos que não liquidem seus bens denominados em dólares. Mas os iranianos sabem que ninguém, nem se quisesse, teria autoridade para modificar a lei.

Uma liquidação dessas dimensões, cavaria buraco irreparável no sistema do dólar, que repousa sobre a capacidade para vender quantidades gigantes de papel-moeda norte-americana no mercado internacional. A liquidação do patrimônio em EUA-dólares do Irã viria num momento em que os EUA enfrentam desesperada necessidade de compradores da dívida estrangeira, a demanda é baixa e a liquidez nos cambistas primários que vendem dívida dos EUA alcança recordes de baixa. Bastaria disparar uma corrida aos EUA-dólares, para todo mundo vender os respectivos papéis do Tesouro e levar ao colapso de todo o sistema pelo qual os EUA roubam o resto do planeta, ao forçar o mundo a comprar a dívida norte-americana.

Assim, a decisão de Trump, de pular fora do JCPOA é tentativa para adiar por mais algum tempo o inevitável – tentar dar aos EUA um pouco mais de tempo. É movimento que fede a medo e desespero. Ao fazer tal coisa, Washington torna-se o principal perdedor: ninguém quererá nunca mais negociar qualquer tipo de acordo com os norte-americanos, agora que já se expuseram como absolutamente incapazes de manter a própria palavra.

A impressão que se tem é que o Irã não sofrerá muito com esse desenvolvimento; já vive sob sanções de um modo ou de outro, há 40 anos. Não se pode dizer que não tenha conseguido grandes coisas, apesar das sanções.

E há alguns vencedores. Com toda a incerteza geopolítica que esse movimento dos EUA desencadeia, os preços do petróleo começam a subir. Com preços mais altos no petróleo, a indústria do fracking nos EUA pode talvez ter uma chance de começar a pagar a própria descomunal dívida (de lucro, até hoje, não obtiveram mais que uns poucos centavos). E, claro, Putin & Co. torcem-se de rir do Banco Central. Com o petróleo outra vez fornecendo fluxo massivo de receitas, o ambicioso plano de seis anos de Putin, para melhorar dramaticamente o padrão de vida do povo russo fica fácil de pagar.

Os donos de papéis da dívida dos EUA em todo o mundo, terão uma chance para se desdolarizar gradualmente, em vez de num só instante e catastroficamente. Muitos países, em particular a China, andam muito ativos negociando em moedas próprias, para não usar dólares nas trocas comerciais. Com esses arranjos, conseguirão isolar-se das maldições que acompanharão o dólar, quando o esquema fraudulento de pirâmide da dívida dos EUA afinal vier abaixo.

Os próprios EUA não terão igual sorte: quando os papéis do Tesouro ruírem, a capacidade de gasto do governo dos EUA virará fumaça.

Então, o aproximadamente 1,3 trilhão de dólares que circulam no mundo (a maior parte dos quais sob a forma de notas de $100 que os cidadãos norte-americanos só veem muito raramente) voltarão como avalanche para os EUA. Compradores estrangeiros armados com carroças cheias de notas de $100 desabarão sobre os EUA como gafanhotos, comprando qualquer coisa que ainda esteja sobre os próprios alicerces, e os EUA ficarão nus, despidos de todas as suas propriedades. Tão logo passe esse frenesi alimentar, ninguém mais dará qualquer atenção ao destino do lixão em que os EUA estarão convertidos, exatamente como ninguém sabe ou quer saber do que foi feito da URSS nos anos 1990s: “Ninguém mais vai até lá, é inseguro demais.”

Você certamente se sinta livre para acreditar em Donald Trump, se quiser, quando ele diz que sua decisão de violar o tratado JCPOA se basearia no ‘fato’ de que o Irã está(ria) tentando construir uma bomba atômica. (Fato? Mas… que fato?! Fato exige provas, e não há nem fiapo de prova disso, apesar do mais invasivo regime de inspeções jamais aplicado na história do mundo.)

As provas que realmente existem, essas, apontam direção diferente. Os EUA sempre bombardearam países (Iraque, Líbia) que tentaram separar-se do sistema do dólar. Agora simplesmente ‘não querem’ pagar o que devem ao mundo e mentem sobre as suas razões. Pode funcionar uma vez, duas vezes, mas um dia o mundo diz “Fique com esse seu dólar estúpido que nada vale e ninguém quer. Cale o bico e caia fora.”

Traduzido por Vila Vudu

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