EUA é barco sem rumo, agora que Trump demitiu o piloto

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“O governo Trump pelo qual nós lutamos e vencemos, está acabado”– disse Bannon na 6ª-feira, logo depois de confirmar sua saída. – “Ainda temos um grande movimento, e alguma coisa faremos desse governo Trump. Mas o governo de antes, aquele, está acabado.”

19/8/2017, Moon of Alabama

Traduzido pelo coletivo VILA VUDU

Imagem: Desembarcar o piloto Punch -1890

Imagem: Desembarcar o piloto Punch -1890

Bannon era o homem de “Fazer os EUA grandes outra vez” [ing. “Make America Great Again”] na Casa Branca. O estrategista que detinha as ideias populares que trouxeram os votos que elegeram Trump. Empregos, empregos, empregos, investimento em infraestrutura, limites à imigração, impostos sobre os globalistas – eis a causa pela qual Bannon combate.

 

Trump não é nenhum jovem imperador alemão, e Bannon é nenhum chanceler Bismark. (Ambos, provavelmente, adorariam esses papéis.) Mas com Bannon fora, o governo Trump está perdendo seu estrategista chefe, a pessoa que fixava as prioridades e poderia fixar uma rota alternativa para o barco do Estado sob comando de Trump.

A manchete racista de Huffington Post implica que Bannon preferiu priorizar o país errado.

 

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Imagem (Tuíto de HuffPost): Goy, adeus!
(NTs: no idioma hebraico moderno e em ídiche, a palavra goy é palavra padrão para designar não judeus, muitas vezes usada em sentido pejorativo.
Para alguns analistas, é termo mais ofensivo que “gentio” [ing. gentile] ).

Haaretz observa que a saída de Bannon  foi comemorada por grupos judeus nos EUA.

 

A razão não é que Bannon seja antissemita ou nazista – ele não é nem uma coisa, nem outra – quem votou contra a Resolução antinazistas na ONU foi o governo Obama, não o governo Trump. Bannon era anti-islâmicos e anti-Irã, o que combinava bem com o programa sionista. Mas era também contra o desperdício de vidas e patrimônio norte-americanos para o programa de guerras contra outros países. Sempre foi anti-império e antiguerra. Ontem mesmo, ao retratar Bannon, o NYT observava:

General McMaster tornou-se a nêmese de Bannon na Ala Oeste, o líder do que Bannon descreveu a colegas como “projeto globalista do império” – uma política externa bipartidária, que enfatiza o engajamento ativo dos EUA em todo o mundo.Bannon descarta completamente aquela filosofia.Depois de Trump estar no governo, Bannon opôs-se ao ataque com mísseis contra a Síria depois que o presidente Bashar al-Assad usou [foi acusado de ter usado, mas nunca usou, como se comprovou; mas NYT preocupa-se menos com provas, que o STF-Brasil-2017 do Golpe (NTs)] armas químicas contra o próprio povo. Manifestou dúvidas quanto a enviar mais soldados à Síria ou ao Iraque. Não cogita de atacar militarmente a Venezuela, possibilidade que o próprio presidente Trump levantou semana passada, quando surpreendeu o próprio governo ao falar de “opção militar” para aquele caso.

Bannon também se opôs aos projetos imperiais no Afeganistão, Coreia do Norte e em outros países. Foi quando o império contra-atacou e o atingiu.

A Casa Branca está hoje sob comando de militares linha-dura e intervencionistas. Um triunvirato de generais especializados em perder guerras, Kelly, Mattis e McMaster, controla hoje a política dos EUA. Essa política será provavelmente similar à que se esperaria se Hillary Clinton estivesse no governo. Os neoconservadores, forçando na direção de uma perigosa crise,estão vencendo; e os liberais estão adorando.

Absolutamente não está claro ainda hoje quem definirá o calendário político do governo Trump. Quando será lançado seja qual for o projeto? Que política? Haverá conflito com outras iniciativas? Quem cuidará da coordenação com o Congresso? Que prioridades se devem definir para cada agente? O general de quatro estrelas comandante do Estado-maior e os três outros, assessores de Segurança Nacional, não têm treinamento nem qualquer competência para avaliar ou tomar esse tipo de decisões políticas. Quem, depois de Bannon, estará pensando sobre essas questões?

Interessante: Bannon foi um dos poucos nomes que absolutamente não foram nem tocados nas investigações do ‘caso’ da interferência da Rússia nas eleições. Sem ele, Trump não teria sido eleito.

Trump é agora o único na Casa Branca que de algum modo ainda personifica as ideias políticas que lhe valeram os votos de que precisava para se eleger. Mas é duvidoso que consiga traduzir aquelas ideias em políticas efetivas. Trump (como o próprio Bannon) é inexperiente demais para manobrar o barco do Estado em Washington e sobreviver à viagem sozinho. É incompetente para selecionar equipes e não é leal aos subordinados. Só o medo que a loucura religiosa fundamentalista do vice-presidente Pence inspira ao Congresso impediu, até agora, que Trump já tivesse sido derrubado do poder porimpeachment. Trump não está muito feliz com essa situação.

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Imagem: Distribuída pela Casa Branca – para ampliar

Bannon veio para drenar o charco, mas o charco afogou-o. Agora voltará ao website Breitbart.com e irá “à guerra por Trump”. É o website onde, como presidente executivo, Bannon pela primeira vez promoveu suas visões de direita nacionalista. Não há dúvidas de que Bannon continuará a provocar ondas. Mas duvido que isso baste para ajudar Trump a implementar o que Bannon e o próprio Trump planejaram fazer. Como tuitou certa vez uma figura pública muito conhecida:

Donald J. Trump @realDonaldTrump É quase como se os EUA não tivessem presidente – somos barco sem rumo, que é arrastado para um grande desastre. Boa-sorte a todos!

It’s almost like the United States has no President – we are a rudderless ship heading for a major disaster. Good luck everyone!

— Donald J. Trump (@realDonaldTrump) March 20, 2014

 

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