Erdogan: Bebendo do próprio veneno

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Por Natália Forcat.

Diz o ditado árabe: “Quem prepara o veneno é o primeiro a bebê-lo”. No caso da Turquia, talvez não tenha sido a primeira a bebê-lo, mas sem sombra de dúvida sua dose logo será servida com fartura.

Desde o começo dos conflitos na Síria, o governo otomano de Recep Tayyp Erdogan tem participado ativamente no conflito, permitindo que os chefes da Irmandade Muçulmana no qual o próprio Erdogan faz parte, e os membros do Conselho Nacional Sírio se sediam em Istambul. Foi assim que ele patrocinou as milícias de terroristas, oferecendo treinamento militar e passe-livre para transitar pela fronteira, com menção também a sede das reuniões dos chamados “Amigos da Síria”: Um grupo com objetivos intervencionistas. Assim Erdogan tornou-se o principal responsável das conspirações que tantos sofrimentos têm provocado ao povo sírio nestes 30 meses de conflitos sangrentos.

Muitas coisas não têm saído como Erdogan planejou. Além de ter enfrentado a crescente oposição interna e diversas manifestações contra sua política agressiva na Síria, Erdogan deverá sofrer novas pressões, tanto no âmbito econômico que vai de mal a pior pelas dificuldades na sua fronteira com a Síria como pelo fluxo incontrolável de terroristas em recuo ou em fuga.

Alguns dias atrás, a Turquia viu-se obrigada a fechar uma de suas passagens fronteiriças pois o grupo terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIL em Inglês) vinculado a Al-Qaeda, e os integrantes do autodenominado Exército Livre Sírio (ELS) entraram em violentos conflitos na cidade síria de Azaz, que fica ao norte de Aleppo a cinco quilômetros da fronteira com a Turquia. São frequentes também os enfrentamentos armados entre a frente Al-Nusra (também vinculada a AlQaeda) com o ELS. O saldo de terroristas mortos é difícil de estimar, mas fontes da mídia da oposição afirmam que seriam dezenas ou centenas. Os membros de ISIL também tem realizados combates contra milícias de autodefesa curdas, na cidade de Ras al Ain, segundo afirmações do ativista curdo Bassam al Ahmed.

Outro posto de fronteira de Oncupinar também foi fechado por motivos de segurança, afirmaram fontes turcas, sem querer comentar o caso. É bom lembrar que na região de fronteiras aconteceram vários atentados terroristas como o ocorrido em maio deste ano no povoado de Reyhaniye, que deixou um saldo de mais de 40 mortos e um rastro de destruição que provocou a ira da população local, ameaçada pela expansão do conflito. Investigações turcas recentes relatam que o ato foi uma ação da frente Al-Nusra contra um depósito de armas e munição do ELS, protegido pelos serviços da inteligência turca.

Cada vez mais o conflito está saindo da Síria e se alastrando aos países vizinhos. No caso da Turquia o preço a pagar poderá ser muito alto com risco de uma “paquistanização” do país. Cada vez mais Erdogan terá que beber do seu próprio veneno. Melhor dizendo, envenenando seu próprio Povo.

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