Discurso do Patriarca Gregório III Laham por ocasião da Páscoa

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O Patriarca de Antioquia e o Oriente para os Melquitas Católicos, Gregório III Laham, afirmou que “a reconciliação entre os sírios é a única salvação para a Síria” e apelou ao mundo árabe e ao Ocidente para que “deixem a Síria aos sírios para que decidam sobre seus próprios assuntos e parem de enviar armas e guerreiros, mercenários, criminosos, insurgentes , terroristas e grupos extremistas à ela”.

 

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O Patriarca Laham disse, em uma mensagem por ocasião da Páscoa, que a “guerra contra a Síria não teve êxito, a violência não teve êxito,  as armas não tiveram êxito, o fornecimento de armas de todos os tipos aos militantes armados não teve êxito, assim como não tiveram êxito as suas ideologias e previsões sobre a queda da Síria, desde o início da crise nos  primeiros meses de 2011, bem como as distorções da propaganda midiática e os projetos de complôs árabes e sanções econômicas ocidentais,  ameaças feitas a ferro e fogo e as alianças. Diante de todos estes fracassos, está na hora do mundo se convencer de que na guerra não há ganhador, que uma solução pacífica é a chave da sabedoria, que os sírios são os únicos que podem decidir o seu próprio destino e sobre quem será seu presidente, seu governo e como será a sua constituição”. E questionou: “Será que alguns países continuarão determinados a prosseguir com o genocídio contra o povo sírio, com a destruição de suas instituições, com as perdas de vidas de seus cidadãos, com a destruição de suas igrejas, mesquitas e a herança de sua civilização, com o empobrecimento do seu povo, com a fome, com a dispersão dos seus cidadãos para acabar com a sua moral e resistência?”.
O Patriarca considerou que a vítima de todos esses planos e projetos é o povo sírio, sofrido, ferido, e apelou ao mundo, em nome de toda a Síria, “para que tirem as mãos da Síria, para que parem com esta máquina de guerra e para que trabalhemos juntos pela paz na Síria, porque a paz na Síria é a paz de toda a região. A Síria merece esta atenção, este amor e esta confiança do mundo como um todo”. Disse ainda: “Dizemos a todos que a Conferência de Genebra de 2 ou 3 deve começar na Síria, porque somos nós quem fazemos Genebra 2  e Genebra 3 e ninguém, além de nós sírios, poderá restaurar a segurança  e a estabilidade da Síria”. E acrescentou: “Nós não queremos que a Síria seja um território de guerra, assassinatos, violência e terrorismo, mas sim a terra do amor e da paz”.

Dirigindo-se aos filhos da Síria, o Patriarca disse: “Vocês são os filhos da ressurreição, filhos da vida e não filhos da morte e das máquinas mortais. Vocês não são os filhos da violência, do terrorismo, da tortura, do deslocamento e da matança. Sejam sempre filhos da ressurreição, os filhos da vida, para afugentar da imaculada terra da Síria todos os que desejam destruir o nosso amor, a nossa vida em comum. Matar e derramar o sangue sobre a nossa terra é cultivar as ideias takfiristas, de rancor, de ódio, de exclusão do próximo, de sedição, de sectarismo e de discriminação. Todos estes pensamentos de morte e que levam à morte”.
Ele alertou sobre os perigos sociais gerados pela guerra contra a Síria, como resultado das ideias takfiristas, considerando que estes perigos são piores para a nossa sociedade síria do que a guerra em si, por isso é necessário imunizar a nossa sociedade contra estas correntes destrutivas, e chamou para a realização de um fórum intelectual civilizado sírio, com o objetivo de combater estas ideias, secretadas na Síria pela crise e pelos grupos takfiristas vindos do exterior, que agem em função do desmantelamento da sociedade síria.
Chamou a atenção para este movimento takfirista, que traz em suas entranhas um claro complô contra o Islã, contra os muçulmanos e contra o mundo árabe como um todo, incluindo seus cristãos e muçulmanos”. E ressaltou o papel positivo exercido pelo Ministério de Assuntos Religiosos da Síria em defender a religião islâmica, com o lançamento de uma série de estudos para refutar todas as correntes, ideias e incitações takfiristas extremistas.
O Patriarca Laham destacou que o amor nunca falha e é ele que irá reconstruir uma Síria renovada e considerou que a melhor contribuição que os sírios podem dar, em meio a esta tragédia, é espalhar o amor sincero e universal, “porque  nós não queremos mais órfãos, enlutados e amedrontados e nem mais crianças sofrendo de abusos, nem mais feridos, aleijados e mutilados. Não queremos mais ódio e rancor, não queremos mais  sequestros e extorsões, mas queremos testemunhas vivas de uma Síria histórica, civilizada, de amor, de amizade, de prosperidade, de desenvolvimento, de ciência e de indústria”.
O Patriarca Laham falou sobre a importância do amor entre os sírios, para que sejam “conciliadores entre si, solidários uns com os outros, que sejam uma fileira única na defesa da nossa amada Síria, por uma pátria una, que é o nosso grande lar e sempre será através de gerações. Juntos podemos resolver os nossos próprios problemas, curar as nossas feridas, superar as nossas diferenças, alcançar as nossas ambições e as nossas aspirações para garantir o futuro das próximas gerações e dos nossos jovens. Juntos somos capazes de reconstruir uma Síria renovada, de reconstruir o nosso país, de trazer de volta os nossos refugiados, de construir nossas escolas, nossas casas e nossas instituições vitais. ”
Afirmou o Patriarca que a reconciliação entre os sírios é a única tábua de salvação para a Síria e esclareceu que continuará a empenhar esforços para apoiar a reconciliação, através de suas orações, através das coletivas de imprensa e através dos contatos sociais. Neste sentido, ressaltou os esforços do Ministério de Estado para a Reconciliação Nacional.
O Patriarca Laham dirigiu um apelo “caloroso, forte, emocionado, urgente e esperançoso aos tomadores de decisões envolvidos na crise da Síria, aos amantes da paz, aos detentores dos prêmios Nobel de Paz, à todas as pessoas de boa vontade, às pessoas de bom coração, aos donos dos meios de comunicação, aos pensadores, intelectuais, industriais, comerciantes e até aos comerciantes de armas, para que façam tudo o que estiver aos seu alcance para instaurar a paz na Síria, onde o agravamento da  tragédia, suas consequências e resultados podem ter impacto sobre a vida de cada cidadão sírio”.
Por outro lado, o Patriarca Laham deu as boas vindas à Sua Santidade o Papa Francisco, na visita que fará à Terra Santa na Palestina e Jordânia, no próximo mês de maio, e agradeceu pelo seu amor à Síria, pelas suas orações por ela, por menciona-la em todas as oportunidades e pelo seu chamado à todos para trabalhar pela paz, na esperança de que o Santíssimo Papa visite a Síria para celebrar sua vitória e sua paz.

 

Ao final de seu discurso, o Patriarca Laham  expressou suas felicitações a todos os sírios, no país e fora dele, por ocasião da gloriosa Páscoa.

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