Como será 2014?

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Por Assad Frangieh.

Apesar de 2013 ter sido um ano caracterizado principalmente pelo ressurgimento da multipolaridade, 2014 será o ano que o Urso Russo rugirá mais alto. Acordou na Geórgia em 2008, se revelou na Síria em 2013, em provocação atual na Ucrânia e cutucado agora em seu próprio território. Após os dois atos suicidas em Volgogrado, a ex-Stalingrado, o Ministério de Exterior russo emitiu uma nota que sumariza sua Política: O terror que ataca na Rússia tem suas mesmas origens no terrorismo que atingiu os Estados Unidos, o Iraque, a Síria, a Líbia, o Afeganistão e a Nigéria. Uma mensagem sutil e direta à Comunidade Internacional.

Em 2013, a guerra contra a Síria desmascarou quem está atrás dos grupos fundamentalistas sob a bandeira ideológica da Al-Qaeda. Estar por trás significa financiar, armar, dar cobertura política e diplomática, disponibilizar seus serviços de inteligência para logística e usá-los para seus fins e interesses econômicos e políticos.  Em 2014, ficará mais evidente que as Bestas da Al-Qaeda sob as diversas denominações de Exércitos, Brigadas, Divisões não são tão fáceis de domar. É como criar escorpiões, alimentá-los, usá-los e depois acreditar que serão carneiros. A guerra na Síria será centrada contra o Terror. Sem limites de ações, sem fronteiras delimitadas, a Síria será o depurador que separará o joio do trigo.

No Iraque, o Governo de Nour El Maliki iniciou uma forte campanha militar contra os fundamentalistas e ignorou a cobertura política dada por diversos parlamentares locais às ações dos súditos da Al-Qaeda. A imposição da ordem cívica no Estado de Al-Anbar, reduto fronteiriço com a Síria e a Turquia, constitui um ato irreversível e inevitável para manter a estabilidade da Segurança Pública no pais. Mesmo que custe um confronto maior com a Arábia Saudita.

Na Jordânia, o Rei balança mas não cai. Recebe enormes pressões para se envolver na Guerra na Síria contra sua convicções de Estadista e na mira dos fundamentalistas que pregam um Califato Islâmico no lugar de sua Monarquia. No Egito, a Irmandade Muçulmana não cederá sem um banho de sangue. Os confrontos deverão ampliar tanto no Sinai como em pleno Cairo. Assim como foi na Argélia, são mínimas as chances de rever um governo islâmico no Egito.

Na Turquia, as coisas começaram a ferver. Fathullah Gülen não é apenas um adversário político de Erdogan. É também uma alternativa da Arábia Saudita para interferir na Política do Oriente Médio. A teoria de conspiração externa não é o único problema de Erdogan. As eleições estão próximas. Se Erdogan vencer, o autoritarismo do Partido da Justiça e de Desenvolvimento receberá um aval popular, o suficiente para legitimar suas ações e insuficiente para manter a Paz social. Se Erdogan perder, não será tão fácil reverter o empuxo dos motores islâmicos. De qualquer forma, a Turquia é o país com maior potencial de degringolar com seus problemas externos e internos.

Na Palestina, o galo continuará sendo cozinhado, os assentamentos sendo ampliados, os militantes palestinos sendo assassinados ou presos e a reconciliação nada mais do que tinta no papel.

O Líbano é o barril de Pólvora. É a moradia do Hezbollah, o alvo principal da nova aliança da Arábia Saudita com Israel. Irônico dizer que hoje o governo de Tel-Aviv conhece melhor os riscos de uma guerra ao Hezbollah do que a Monarquia de Al-Hijaz, talvez porque os Sauds sempre fizeram suas guerras por delegação e no Líbano, o movimento 14 de Março nunca deixou de ser sua marionete. Quanto mais os fundamentalistas estão sendo repelidos do território sírio, maior o risco do barril se explodir. Isso vale também para a Turquia e a Europa.

Dizem nos anais da diplomacia, que periodicamente os ingleses chamava seus embaixadores no Oriente Médio e perguntavam a eles se eles já estavam inteirados em todos os assuntos e poderiam explicar os fatos. Aqueles que afirmavam conhecer a situação, eram retirados de seus postos, afinal ninguém consegue prever os acontecimentos na Terra de Abraão.

Acertar nos acontecimentos do Oriente Médio tem as mesmas chances de acertar na loteria. Quem sabe, tenho uma chance em 2014!

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