Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia comenta sobre a situação na Síria

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Nos últimos dias em meios de comunicação ocidentais e em alguns do Médio Oriente, em grande parte, pelo que parece, sob influência dos parceiros estadunidenses, tem vindo a aumentar a retórica de pressão dirigida à Rússia devido às ações da nossa Força Aérea na Síria. São pronunciadas as acusações sem fundamento, de acordo as quais a Rússia alegadamente seja responsável pela violência em andamento naquele país, que, dizem eles, os russos interferiram de modo desajeitado no curso do conflito civil, que as suas bombas matam dezenas de mulheres e crianças, destroem hospitais, escolas e creches.

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É claro que esta histeria nos meios de comunicação distante da realidade persegue objectivos políticos específicos. Vamos tentar entender quais são.

É que para nós, e, com certeza, não só para nós, o curso americano nos assuntos sírios não parece muito lógico e consistente. De um lado, Washington diz compartilhar a visão sobre a necessidade de esforços coletivos mais intensos a fim de eliminar o foco da ameaça terrorista global na Síria. De outro lado – a possibilidade de aumentar a sua própria contribuição para o combate ao terrorismo até o nível correspondente ao potencial dos Estados Unidos – os americanos continuam a condicionar por garantias de certas trocas pessoais nas autoridades da República Árabe da Síria. Washington concorda com que “Jabhat al-Nusra”, recentemente renomeado para “Jabhat Fateh al-Sham”, é uma organização terrorista, mas não aplica ataques aéreos contra este agrupamento, além disso, há quase um ano que se recusa a compartilhar conosco as informações sobre a localização dos membros da “Jabhat al-Nusra” e se tolera o fato de que os grupos da oposição armada síria, “supervisionados” por eles, interagem com terroristas no âmbito de sedes operacionais comuns. Verbalmente, as autoridades dos EUA repetidamente prometeram-nos conseguir a demarcação entre aqueles que eles consideram os participantes do regime da cessação das hostilidades, e os membros da “Jabhat al-Nusra” e estabelecer, deste modo, as condições para o fortalecimento do regime da cessação das hostilidades, a transição para um cessar-fogo em todo o país, mas as coisas, como se costuma dizer, não estão mudando. Ao invés de tomar medidas práticas nesse sentido, os americanos estão colocando cada vez mais novas condições, que de fato são destinadas a permitir aos membros da “Jabhat al-Nusra” e aos seus aliados de combate recuperarem o fôlego para eles continuarem o confronto coercivo com as tropas de governo da República Árabe da Síria.

Não há mais clareza quanto à posição dos Estados Unidos sobre a promoção de solução política do conflito sírio. Os alicerces de tal solução, como é sabido, foram acordados e aprovados nas resoluções do Conselho de Segurança da ONU, nas decisões do Grupo Internacional de Apoio à Síria, registrados no Comunicado de Genebra de 2012, e a Parte Americana fez uma contribuição significativa para a elaboração desses documentos.

Ao mesmo tempo, obviamente não está dando certo na área da implementação prática das disposições acordadas, inclusive do “roteiro” da regularização, principalmente devido à abordagem não construtiva daquela parte da oposição síria que está orientada, em particular, para os Estados Unidos. Entretanto, os americanos referem-se ao fato de que esta oposição é, primeiro, alegadamente independente e, segundo, escuta não só Washington, mas também algumas capitais regionais. Mas para trabalhar com tais oposicionistas e com aqueles que podem influenciá-los foi criado o assim chamado “Grupo de Amigos do Povo Sírio”. Qual é o resultado das suas atividades no que se refere ao estabelecimento de diálogo inter-sírio inclusivo, em conformidade com Resolução 2254 do Conselho de Segurança da ONU, não está claro.

Surge uma pergunta (e, provavelmente, não só entre nós): o que é isso – a impotência dos Estados Unidos ou uma postura consciente de alguém para que o conflito sírio demore a ser resolvido? A tentativa de flertar com os membros da “Jabhat al-Nusra” tem perigo de criar mais um monstro terrorista.

Oferecendo aos Estados Unidos e a outros parceiros abandonarem a retórica destrutiva, reafirmamos a disposição para a interação bona fide e eficiente no combate à ameaça universal de terrorismo na Síria e na região. Estamos prontos para continuar a fazer tudo o que pudermos, inclusive no âmbito dos formatos coletivos, a fim de ajudar os sírios a conseguirem a solução mais breve possível da crise prolongada na República Árabe da Síria, partindo da base jurídica internacional acordada.

Fonte: Embaixada da Rússia no Brasil
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