Colapso da lira turca atravessará o Mediterrâneo

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10/8/2018, Tom Luongo, Gold, Goats ‘n Guns [Vídeo: Tom Luongo, de Gold, Goats ‘n Guns (ing.)]

(…) A situação da Turquia é grave. A Turquia pagou preço terrível pelo fracasso de EUA e Israel, que não conseguiram destruir a Síria. A Turquia gastou bilhões em moradia para refugiados e apoio aos rebeldes na tentativa de realizar os sonhos neo-otomanos do presidente Erdogan.

No instante em que Erdogan deu-se conta de que entrara como bode expiatório na narrativa do fracasso de EUA e Israel na Síria, pôs-se a procurar rota de fuga. Na procura, acabou chegando ao lado errado da política exterior dos EUA.

A Turquia é a joia da coroa da OTAN. É a segunda maior força em solo da OTAN. Controla o acesso ao Mar Negro e à Terra do Meio do mundo.

E Erdogan quer unir-se aos (B)RICS. Comprar petróleo iraniano, gás russo, poder nuclear e defesas antimísseis.

Tudo isso é não-não-e-não.

Por isso os EUA estão empurrando a Turquia para a hiperinflação.

Sim, Erdogan facilitou o ataque, ao impedir que o Banco Central aumentasse os juros, mas os juros zero do Fed e do Banco Central Europeu não estavam sob controle de Erdogan. E as causas não têm importância: os EUA não pararão, até que Erdogan capitule incondicionalmente.

O problema é a montanha de 220 bilhões de EUA-dólares em dívidas devidas por empresas turcas imprestáveis. Esse é o problema. Mas não é problema só para Erdogan. Se você deve mil dólares ao banco, é problema seu. Se você deve 220 bilhões de dólares, é problema do banco.

Essa semana só se comentou que a Turquia deve temer um colapso da lira; e que a dívida turca no mercado destruirá os bancos.

“A Turquia deve aceitar o ‘resgate’ que o FMI oferecer.” “Está começando a mudança de regime”. “Oh, os bancos enfrentarão ventos fortes, mas ok, tudo bem.” Para mim (…) isso tudo é conversa fiada, bullshit.

Se Erdogan quisesse acordo com Trump, já teria cuidado disso há meses.

Erdogan é o meu sabiá de madeira para prever o tempo que fará amanhã. É a barata que corre para baixo do tapete que lhe pareça estar vencendo. E para Erdogan, o vencedor é Putin.

Então, hoje, EUA e Turquia estão engalfinhados em batalha de vida ou morte. Façam suas apostas. Quem vencerá?

Engraçado: a Rússia está sentada sobre nova montanha de EUA-dólares, quase $100 bilhões, graças à liquidação total dos papéis do Tesouro dos EUA. Alguém acha que Putin teria algum interesse em pôr em jogo esse cacife?

Gráfico 1: Papéis do Tesouro dos EUA na caixa da Rússia

Com dois, já é possível jogar esse jogo-da-franga [ing. chicken game] da guerra híbrida.

O ministro de Finanças da Rússia Alex Siluanov quer excluir o dólar, de todas as vendas de petróleo, porque não é moeda confiável. O dólar?! Não é moeda confiável?! É o que dizem os russos?! São doidos.

Qualquer um que faça negócios em dólares e que os EUA não amem pode ser sancionado em minutos – legalmente, graças à Lei Magnitsky e sequelas do ano passado – cortesia de John McCain e Bill Browder. Ah, sim, sim, aquele Bill Browder.

Erdogan está clamando pelo próprio martírio na Turquia, com a economia em crash, e está apostando no crash, aos gritos de que os EUA atacam injustamente a Turquia. É meia mentira, mas… e daí?

Se os novos amigos da Turquia a ajudarem, trocando a parte pior da dívida turca por rublos e/ou yuan, a dor dos turcos será terrível, como foi terrível a dor dos russos em 2015. Mas o outro lado dessa moeda é a independência.

Sempre aposto na barata.

A coisa não parará em nenhum desses homens. Irã, Rússia, Turquia, Alex Jones, Sargon of Akkad, francamente! Quem será o próximo?

O nome que me vem à mente é o novo primeiro-ministro do Paquistão, Imran Khan.

Mas isso é semana que vem.

Traduzido por Vila Vudu

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