As Eleições Libanesas em 2013

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O Líbano tem um parlamento de 128 deputados eleitos por votos diretos distribuídos em zonas eleitorais nas quais os eleitores votam simultaneamente em um ou mais candidatos independentes ou agregados numa composição política. Alguns votam em três candidatos e outros em até oito. Os vencedores são definidos por dois critérios básicos: total de votos e a cota destinada para cada religião. Portanto, metade dos deputados é cristã e metade é muçulmana. Em cada uma destas metades, há uma nova cota para os ritos maronitas, sunitas, ortodoxos, xiitas, druzos e assim adiante. São 17 divisões religiosas oficiais. O único excluído seria o Edir Macedo se ele decidir concorrer por lá, já que não se reconhece a identidade dos crentes. Os comunistas se candidatam como cristãos ou muçulmanos. O que vale é o que está escrito no RG libanês e não aquilo que você prega e idealize.

Os cargos políticos também são cotas divididas em critério de religião. Isso vale para os cargos máximos do Executivo e Judiciário inclusive nos primeiros e segundos escalões das repartições públicas, desde as forças armadas até um simples colégio público. Para complicar o entendimento, a lei eleitoral da próxima eleição é aprovada em sessão do Parlamento cujo mandato está no fim. Consequentemente, o destino das eleições é definido pelo momento internacional. Melhor, não existe no Líbano eleição “Prêt-à-Porter”. É tudo sob encomenda. É isso que está acontecendo agora. O alfaiate internacional não entregou ainda o terno libanês.

Nas últimas eleições que aconteceram quatro anos atrás, a lei favoreceu a aliança 14 de março apoiada pelos Estados Unidos e seus aliados do Golfo, Península Árabe e Europa, porque permitiu que a maioria sunita conduzida por Saad Al Hariri elegesse a maioria da bancada muçulmana sunita e deputados cristãos com baixa representatividade popular. Pela primeira vez, os cristãos uniram-se em torno de uma reivindicação única. Um formato de lei no qual a maioria cristã teria representantes genuínos e o mesmo para os muçulmanos. Nisso, até os aliados cristãos pró-Hariri preferem eleger seus próprios candidatos, inclusive num numero maior, do que permanecer sob a tutela e o “favor” da aliança internacional 14 de março. A discussão agora é como encontrar um meio termo já que os mandatos estão se encerrando em dois meses, a aliança pró-Hariri não tem as mesmas circunstâncias de apoio interno e externo e, os planos pela mudança do mapa do Oriente Médio não alcançaram seus objetivos, especificamente na Síria.

Os políticos libaneses estão frenéticos na busca de uma solução que de longe está no poder deles. Como sempre, a decisão será tomada além de suas fronteiras. O Oriente Médio é um tabuleiro de xadrez da política internacional. Arriscar um palpite é para torcedor e não para um analista. Porém, entre a confusão e a desordem geral, melhor optamos pela primeira.

Por Assad Frangieh

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