Análise da sala de operações conjuntas em Damasco: Três cenários possíveis

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“Portas do inferno” se abrirão na Síria nos próximos meses
14/2/2016,
Elijah J. Magnier, Blog

Traduzido por Vila Vudu


– Três cenários possíveis na Síria
– Não se exclui participação de tropas turcas e sauditas na Síria
– Como Berlim na 2ª Guerra Mundial, a Síria pode ser dividida entre um Garbistão (os que vêm do oeste da Síria, nas profecias wahhabitas)
[1] e um Xarquistão[2] (‘os que vêm da Rússia’)


Alto oficial que trabalha na sala de operações conjuntas em Damasco, de Rússia, Irã e Síria e o Hezbollah, disse claramente: “há três cenários possíveis na Síria. O primeiro é tropas árabes de solo, que entram na Síria pelas fronteiras turcas, na área sob controle do chamado grupo “Estado Islâmico” (ISIS) ao longo da fronteira de Jarablus até Al-Ra’ee. É possível e facilmente executável, se Turquia e ISIS firmarem uma espécie de acordo.

Afinal de contas, o grupo jihadista tem de enfrentar ou (i) forças turco-árabes – que podem permitir a eles algum tipo de linha de fuga – ou (ii) forças russo-iranianas-Hezbollah, das quais não haverá fuga possível.”

“O segundo cenário é através das fronteiras da Jordânia, leste da Síria até Raqqa. É estrada mais longa, mas permitiria que a Arábia Saudita levasse seu apoio logístico e blindado até as terras que o ISIS controla. Nesses dois cenários, árabes ou turco-árabes não cruzam armas nem têm contato nem, sequer, aparecem no cenário militar operacional de Rússia-Damasco e aliados.

O terceiro cenário é esse no qual os sauditas estão inflando a moral dos jihadistas, alardeando uma possível intervenção, para que não se rendam facilmente e defendam as atuais posições até o último homem.”

Minha fonte diz que: “Qualquer desses cenários está associado ao desejo dos EUA de se engajarem em guerra na Síria. Foi exatamente o que disseram os funcionários sauditas. Os EUA estão mandando os sistemas de aviação AWACS, porque está totalmente excluída qualquer intervenção direta dos EUA em solo. Os AWACS poderiam ser a contribuição dos EUA, ao lado do esforço diplomático em Genebra.

Seja como for, construímos nossa reação militar baseados na forte possibilidade de que tropas de solo árabes muito provavelmente invadirão a Síria. Essas forças, sob o pretexto de derrotar o ISIS, não alcançarão Raqqa do dia para a noite. Apoio logístico e movimentação de tropas da Jordânia para a Síria exigem de 3 a 4 meses até serem completados. Nesse caso, espera-se, como cenário possível, que essas forças avançarão da Jordânia para al-Badiyah e continuarão para o norte na direção de Raqqa. Qualquer contato potencial com forças sírias levará a uma guerra maior.”

“Não excluímos o fato de que Forças Especiais Sauditas possam atuar por trás das linhas do ISIS para orientar ataques aéreos ou realizar ataques em pequena escala. Pelo menos, essas forças só podem contribuir para derrotar o ISIS, se orientarem para alvos específicos. Qualquer ataque que enfraqueça o ISIS é considerado vantagem para nós. A coalizão comandada pelos EUA pode bombardear o ISIS a qualquer momento. Mas não queremos tropas em solo.

Mais importante que isso, nenhum jato entra em espaço aéreo sírio sem coordenação prévia com os russos; sem isso, será tomado como alvo potencial. Esse é mais um fato a considerar. Por tudo isso, ninguém está querendo ver guerra em grande escala, principalmente o presidente Obama, que atentamente cuidou de não se envolver na guerra síria durante os últimos dois anos”.

O primeiro-ministro russo Dimitry Medvedev disse: “todas as partes devem sentar à mesa de negociações, em vez de causarem a eclosão de nova guerra mundial” batendo os tambores de guerra na Síria. O alerta russo veio depois da confirmação, por um porta-voz do ministro de Defesa saudita, Ahmad Asiri, “de que o Reino Saudita anunciou o estabelecimento da nova aliança islamista para combater o terrorismo e está pronto para efetuar operações de solo em aéreas dentro da coalizão liderada pelos EUA na Síria.”

“O objetivo das forças árabes é dividir a Síria em duas partes: “o Garbistão (lado ocidental) e o Xarquistão (oriental), semelhante ao que foi feito em Berlim depois da 2ª Guerra Mundial. Na metade “Garbistão”, o exército sírio continuaria a combater contra a al-Qaeda e aliados, com apoio da Rússia. Na metade Xarquistão, os árabes estabeleceriam suas forças para impor mudança de regime e desestabilizar o regime de Assad. Enquanto isso, as forças do governo sírio estão a 60km de Raqqa, e a Turquia está a 180 km da principal cidade do ISIS.

Significa que, se a ideia de derrotar o ISIS for genuína, a coalizão dos EUA não precisa intervir e caminhar o longo percurso da Turquia ou da Jordânia até Raqqa. Contudo, a corrida até Raqqa já começou, com ou sem a possibilidade de alguma intervenção árabe-turca”.

Segundo minha fonte, “as portas do inferno estarão abertas nos próximos três meses na Síria contra al-Qaeda e aliados e também contra o ISIS. Como acertado em Genebra entre Rússia e os EUA, qualquer que seja o cessar-fogo acordado, em nenhum caso incluirá os jihadistas e aliados deles. Se os grupos da dita ‘oposição’ síria não se separarem da al-Qaeda, serão considerados alvos legítimos, porque se uniram como um só grupo e serão tratados como tal”.

Al-Qaeda na Síria, conhecida como Frente al-Nusra, é parte da Jaish al-fateh, coalizão de grupos sírios que operam no norte da Síria. Al-Qaeda e movimentos jihadistas estão enviando reforços para o norte de Aleppo nas últimas 48 horas, mas mantinham forte presença em torno de Nubbl e Zahraa – as duas cidades onde os russos e aliados já romperam o cerco imposto há mais de três anos e meio. Os combatentes da Al-Qaeda retrocederam de volta para o norte de Aleppo, combatendo em Tal-Rifaat, e outros para o sul de Zahraa, onde há combates em Andan e Hay’yan.

Segundo minha fonte, inteligência humana e de sinais confirmaram que “Arábia Saudita instruiu a oposição síria associada e não associada com a al-Qaeda para que não apresentem qualquer proposta nas negociações de Genebra, e não entreguem sem luta nenhuma cidade na Síria. O tempo é fator crucial.

Arábia Saudita manterá o apoio militar que dá à oposição, até, no mínimo, que se seja eleito o novo presidente dos EUA.

Todos esperam que a batalha fique ainda mais intensa, com todos lutando pelas próprias posições. É sinal claro de que a guerra está ainda longe de acabar”.



[1] “Depois, os nazarenos tomarão toda a Índia e governarão ali durante um século. Mas quando, sob governo deles, a tirania e a inovação religiosa se tornarem crescentes, um Rei do Ocidente (Shah-i-Gharbi) virá para destruí-los. Seguir-se-á uma guerra terrível entre os dois, e muito sangue será derramado. O Rei da Terra do Ocidente (Shah-i-Gharbistan), ajudado por um Jihad, triunfará; não há dúvida de que os cristãos serão derrotados. É o que digo em 880 Hijri [da Hégira, corresponde ao ano de 1502 da era cristã], e tudo isso acontecerá depois de 1280 [1902 da era cristã]” [NTs].

[2] “Até 2013: “República Popular do Xarquistão. A República Socialista Soviética Autônoma Xarqui foi criada em 1918, como parte do Turquestão; em 1925, foi separada e estabeleceu-se a RSSA Xarqui [esse nome, associado ao sufixo persa “-stão” (“região”), gerou o nome Xarquistão]. Em 1936, o Xarquistão foi renomeado, passando a chamar-se República Socialista Soviética (RSS) do Xarquistão, localizada no nordeste do Cazaquistão. O Xarquistão tem fronteiras com Rússia, China e Cazaquistão” [NTs, com informações de http://conworld.wikia.com/wiki/Sharqistan ].

 

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