A Maldição do Fogo

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A análise dos fatos e um entendimento retórico dos acontecimentos no Oriente Médio apontam no sentido de mais violência contra a Síria. A Liga Árabe reduzida ao Conselho de Cooperação do Golfo assumiu seu papel aberto de agressor querendo legitimar o trafico de armas e mercenários, constrangendo o Líbano e a Jordânia a se envolverem com máxima intensidade no cenário militar.

O silêncio relativo da Turquia provém de sua tentativa em atuar primeiro num acordo com os curdos e em seguida declarar uma zona de proteção a uma “Benghazi Síria”, situada no extremo nordeste do País. Uma região recuada em dimensões delimitadas, com governo de oposição tutelado pelo Qatar & Cia, será demograficamente curda com vitrine islâmica fundamentalista. É ingenuidade acreditar que o fortalecimento do poder local dos curdos terá maior inimizade com um Governo em Damasco do que com Ancara. A História do Império Otomano não sai das lembranças árabes, curdas, armênias, gregas e até cipriotas.

Há grandes preparativos para uma nova rodada de violência contra as forças armadas da Síria. Desta vez sem a mobilização civil que tem demonstrado um revés crescente aos princípios pregados pelas guerrilhas fundamentalistas, principalmente depois dos ataques à Damasco. Os ataques deliberados aos cleros em suas mesquitas e igrejas, aos hospitais, universidades e praças públicas, apontam a ruptura dos idealistas de libertação de certos oposicionistas com os revolucionários fundamentalistas islâmicos, inclusive nos agrupamentos tutelados em Istambul, Doha e Paris.

O acompanhamento diário da mobilização do Exército Sírio e as duras perdas sofridas pelos agrupamentos dos militantes fundamentalistas demonstram a impossibilidade de repetir a experiência líbia seja ela pelo norte, oeste ou pelo sul. Nem os Estados Unidos ou a OTAN pensam nisso, muito menos a Rússia, China e o Irã deixarão isso acontecer. A expectativa é uma ação militar explosiva dos grupos armados orquestrados pelas mídias de Hollywood e suas filiais em Doha e Riyad numa tentativa de reverter uma desvantagem militar crescente. A contra ação do Exército Sírio apoiado pelos Comitês Populares e sua nova estrutura de retaguarda popular será mais dura porque irá deixar os grupos armados perante duas saídas: serem dizimados ou fugirem para as fronteiras ainda permeáveis: O Líbano e a Jordânia.

É ilusão achar que o fogo na Síria permanecerá entre suas fronteiras. Esse é o desespero dos Generais da Morte e os Monarcas do Ódio e da Vergonha.

Por Assad Frangieh.

Fonte: www.elmarada.com.br

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