72º Sessão da Assembléia Geral da ONU- “Síria avança firmemente para derrotar o terrorismo”

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Vice-primeiro-ministro da Síria e ministro do Exterior e dos Expatriados Walid al-Moallem Al-Moallem à 72ª Assembleia Geral da ONU, 23/9/2017, Sana, Damasco (vídeo, ar.)

Senhor Presidente da 72ª sessão da Assembleia Geral
da Organização das Nações Unidas,

Gostaria de cumprimentá-lo pela eleição para presidir a atual sessão da Assembleia Geral. Desejo-lhe todo sucesso. Gostaria também de agradecer ao seu antecessor pelo importante papel no timão da Assembleia Geral durante a sessão anterior. Congratulo-me com o Sr. Antonio Guterres pela indicação ao posto de secretário-geral da ONU e desejo-lhe o melhor no exercício de suas responsabilidades a serviço dos princípios e objetivos da Carta da ONU.

Senhoras e senhores,

Nesse momento em que novamente nos reunimos, nosso mundo enfrenta desafios e perigos crescentes todos os dias, e um impasse persistente entre dois conjuntos de forças: forças que visam a controlar e dominar nações e suas riquezas, fazendo o relógio andar para trás, para restabelecer um mundo unipolar, alimentando caos e guerra, e violando leis internacionais e humanitárias; e forças opostas que trabalham incansavelmente para criar mundo mais equilibrado, seguro e justo, que respeite a soberania dos estados e o direito dos povos para exercer a autodeterminação e construir o próprio futuro.

Agora que novamente nos reunimos, muita gente continua a pagar caro, com sacrifício da própria vida, segurança, estabilidade e meios de vida, como resultado de políticas de alguns países. Esses países creem erradamente que possam usar o terrorismo como ferramenta para satisfazer a ganância deles e promover suas agendas, cada vez mais mal pensadas, que não servem aos interesses de nenhum povo, sequer do próprio povo daqueles países. Nenhum povo sofreu mais nas mãos dos terroristas que o povo sírio, o qual, já por seis anos, combateu contra terroristas enviados para lá de todos os cantos do mundo, apoiados por interesses da região e de longe de lá.

Por mais de seis anos, os sírios suportaram o pior imaginável e fizeram terríveis sacrifícios para defender o próprio país contra uma guerra terrorista de brutalidade sem precedentes, que não poupou ninguém e nada, atacando inocentes, serviços, a infraestrutura e o patrimônio cultural. Apesar disso tudo, a Síria está determinada, mais que nunca, a erradicar o terrorismo em todas as partes do país, sem exceção, graças aos sacrifícios de nosso exército e à coragem de nosso povo.

Senhor presidente,

desde o início da guerra, a política de nosso estado foi seguida em duas principais trilhas: combater o terrorismo e trabalhar incansavelmente para construir solução política que ponha fim ao banho de sangue e restaure a estabilidade.

Quanto ao contraterrorismo, o Exército Árabe Sírio ao lado das suas forças de apoio e aliados obtém avanços diários, limpando nossos territórios e arrancando de lá os terroristas. Contudo a ameaça dessa praga persiste, cobrando a vida de sírios todos os dias e consumindo os recursos do país. Temos todos de compreender que o terrorismo que subjaz à ideologia extremista takfirista continuará a crescer como um tumor em todo o mundo e a assombrar nossos povos, a menos que todos demonstremos genuína vontade de cooperar para enfrentarmos juntos o terrorismo.

No front político, o governo sírio não poupou esforços desde os primeiros meses da crise para deter o banho de sangue. O sucesso das reconciliações locais não teria sido possível sem o apoio político da liderança e os vários decretos de anistia assinados pelo presidente Bashar al-Assad, que permitiram que todos que se armaram depusessem as armas e retomassem a vida normal.

Essas reconciliações bem-sucedidas permitiram que dezenas de milhares de deslocados internos e refugiados voltassem para casa e ajudassem a melhorar as condições de vida de grande número de sírios que foram vítimas dos crimes terroristas. Síria está determinada a escalar os esforços de reconciliação sempre que possível, porque é o melhor meio para aliviar o sofrimento dos sírios e restaurar a estabilidade e a normalidade.

Senhoras e senhores,

desde o primeiro dia o governo sírio considerou positivamente todas as iniciativas para pôr fim à guerra. Contudo, essas iniciativas eventualmente falharam, depois que estados que apoiaram e abasteceram o terrorismo decidiram persistir em suas políticas agressivas contra a Síria e seu povo.

Quanto aos processos de Astana e Genebra, o governo sírio mostrou seriedade e compromisso e fez seu melhor para garantir as condições necessárias ao sucesso de todos esses esforços para alcançar os mesmos objetivos.

Somos encorajados pelo processo de Astana e as resultantes “zonas de desescalada” e esperamos que nos ajudem a alcançar a real cessação de hostilidades de grupos terroristas separados. Como o ISIL, a Frente Al-Nusra e outros desses grupos que concordaram com unir-se ao processo de Astana. Esse será o real teste de o quanto esses grupos e seus patrocinadores são comprometidos e sérios. Até aqui, a Turquia, sob Erdogan, persistiu em suas políticas agressivas contra o povo sírio e continuou a trabalhar sob a ilusão de que o terrorismo poderia servir às suas agendas subversivas na Síria e em outros países da região. A posição da Turquia está em absoluto contraste com o papel positivo e construtivo que tiveram Rússia e Irã.

Não obstante seu compromisso com o memorando das “zonas de desescalada”, a Síria reserva-se o direito de responder a qualquer violação cometida pelo outro lado. A Síria também destaca que essas zonas são arranjo temporário que não devem violar a unidade territorial da Síria.

O governo sírio reafirma seu compromisso com o processo de Genebra e avanços posteriores nessa trilha. Esse processo ainda não deu os frutos esperados, na ausência de oposição nacional genuína que possa ser parceira no futuro da Síria, e porque países que influenciam o outro lado continuam a bloquear qualquer progresso significativo.

Senhor presidente,

é realmente lastimável que esses países que bloqueiam uma solução na Síria sejam membros dessa organização internacional, inclusive membros do Conselho de Segurança.

O governo sírio sempre insistiu em que qualquer solução na Síria tem necessariamente de respeitar os princípios sírios não negociáveis, que são uma linha vermelha para todos os sírios. Esses princípios incluem a completa rejeição do terrorismo; a unidade territorial da Síria e seu povo; e a rejeição de qualquer interferência externa em decisões políticas sobre o futuro da Síria. Só os sírios têm o direito de tomar tais decisões, seja já, ou no futuro.

Senhoras e senhores,

ao longo de décadas, Israel manteve continuadamente essas ações inescrupulosas criminosas violentas, com Israel sempre protegida pela mais completa impunidade.

Essa entidade usurpadora ocupou territórios árabes na Palestina e no Golan por mais de 70 anos, e tem cometido crimes horrendos contra civis inocentes. Israel não parou por aí. Interveio publicamente na crise síria desde os primeiros dias. Israel garantiu todas as formas de apoio a gangues de terroristas takfiristas, inclusive fundos, armas, materiais e equipamento de comunicação. Israel também bombardeou posições do Exército Árabe Sírio para ajudar as agendas terroristas. A coordenação entre Israel e as gangues terroristas alcançou o auge quando grupos terroristas decidiram atacar itens da defesa área síria usados para defesa da Síria contra a agressão israelense. O apoio ilimitado que Israel garantiu a terroristas na Síria não foi surpresa. Afinal Israel e os terroristas partilham os mesmos interesses e objetivos. Mas permitam-me esclarecer.

É ilusório acreditar que a crise na Síria nos afastará, por um momento que seja, de nosso inalienável direito de recuperar o Golan Sírio, voltando às linhas de 4/6/1967.

Por mais de seis meses, estados e partidos que estavam por trás da guerra na Síria, continuaram a distribuir mentiras e acusaram falsamente o governo sírio de usar armas químicas, apesar de a investigação conduzida pela Organização para a Proibição de Armas Químicas ter constatado que a Síria eliminara completamente seu programa químico. Tudo isso é prova suficiente de que há ativa intenção de macular a imagem real do governo sírio aos olhos da opinião pública internacional, e de produzir sempre novos pretextos para continuar a agressão contra a Síria e a favor dos terroristas e seus apoiadores.

Esse foi precisamente o caso quando os EUA acintosamente atacaram a base aérea de Shayrat, sob o pretexto de que ali haveria armas químicas que teriam sido usadas num suposto ataque a Khan Shaykhun. E como foi o caso depois de cada uma das várias acusações desse tipo, confirmamos nossa prontidão para receber equipes de investigadores da ONU e colaborar com eles.

Senhoras e senhores,

alguns países muito falam sobre combater o terrorismo na Síria e dizem que têm no coração os interesses sírios. Estabeleceram “coalizões” e fizeram dúzias de conferências sob os títulos mais enganadores, como “amigos do povo sírio”. É irônico que sejam os mesmos países que derramam sangue sírio ao apoiar terroristas, bombardear civis inocentes e destruir seus meios de vida.

A chamada “Coalizão Internacional” liderada pelos EUA, que foi criada há três anos para, supostamente, combater grupos terroristas como o ISIL, matou mais mulheres e crianças sírias inocentes que terroristas, e destruiu infraestrutura vital que os sírios haviam precisado de anos para construir. E também usaram bombas de fósforo e outras armas internacionalmente proibidas, diante dos olhos do mundo inteiro.

Não podemos compreender o silêncio da comunidade internacional ante esses crimes. A comunidade internacional não condenou nem se moveu para pôr fim àqueles crimes, por mais que o governo sírio tenha apelado ao Conselho de Segurança, para que assumisse sua principal responsabilidade de manter a paz e a segurança internacionais. O governo sírio requereu que o Conselho implementasse suas próprias resoluções sobre o contraterrorismo, especialmente a Resolução n. 2.253, e impedisse a Coalizão de cometer mais crimes contra os cidadãos do meu país.

Senhoras e senhores, ao tempo em que a coalizão fracassou e não conseguiu qualquer progresso significativo contra o grupo terrorista do ISIL, o Exército Sírio, com seus aliados e amigos conseguiu alcançar ganhos significativos reais e conseguiu expulsar os terroristas de grandes partes do deserto sírio. Em movimento que foi considerado importante avanço estratégico, o Exército conseguiu recentemente romper o sítio que foi imposto pelo ISIL há mais de três anos à cidade de Deir Ezzor e seus moradores. Essa realização melhorará significativamente a situação humanitária na cidade e contribuirá para a luta contra o terrorismo em geral.

Já declaramos mais de uma vez que é impossível combater o terrorismo sem coordenação com o governo sírio. É o único meio para obter ganhos reais na guerra ao terrorismo. Qualquer presença de tropas estrangeiras em solo sírio, sem o consentimento do governo é considerada uma forma de ocupação, uma agressão e uma flagrante violação de leis internacionais e da Carta das Nações Unidas.

Senhor presidente,

a guerra que os países e grupos terroristas mais poderosos fazem contra a Síria não é apenas guerra militar. Já assumiu outras formas, não menos brutais ou agressivas, para quebrar a vontade do povo sírio e puni-lo pelo firme apoio popular ao Exército em seus esforços para defender a independência política e a unidade territorial da Síria. Por essa razão, esses países impuseram sufocante bloqueio econômico à Síria, em flagrante violação da lei internacional, destruir os meios de vida e aumentar o sofrimento dos sírios.

Essas medidas unilaterais coercitivas foram impostas a setores vitais, sobretudo aos serviços de saúde. A Síria teve sistema avançado de assistência à saúde. Hoje porém os sírios já não têm acesso a muitos tipos de medicamentos, inclusive usados em doenças graves, de difícil tratamento, como o câncer. Essas sanções são sinal claro da hipocrisia de alguns países que choram pelos sírios, ao mesmo tempo em que praticam uma modalidade diferente de terrorismo.

O problema dos refugiados é uma das consequências do terrorismo. Dado que a Síria carecerá dos esforços de todos os sírios ao longo do próximo período, o governo sírio deu alta prioridade ao retorno dos sírios às suas casas. Para tanto, o governo sírio embarcou na missão de liberar e garantir a segurança das áreas que foram ocupadas pelos terroristas, e melhorar as condições de vida de todos os sírios.

Senhor presidente,

dado o fracasso da ONU, que não consegue fazer respeitar a própria Carta e os princípios da lei internacional, todos devemos considerar a ideia de reformar essa organização internacional, de modo a capacitá-la para realmente desempenhar seu papel e defender os direitos legítimos contra a lei da selva que alguns tentam impor

Nossas nações anseiam por um muito mais seguro e mais cuidadosamente preservado, estável e próspero. Tal mundo continuará como mera fantasia enquanto certos países continuarem a crer que poderiam andar a espalhar o caos, a criar problema e a impor suas vontades como bem entendam, sempre na mais completa impunidade.

Senhoras e senhores,

meu país, ao lado de seu povo forte e firme e de seu bravo exército, apoiado por nossos aliados leais, está marchando firmemente rumo ao cumprimento da missão de derrotar o terrorismo. A libertação das cidades de Aleppo e Palmyra, o fim do cerco de Deir Ezzor e a erradicação do terrorismo de várias partes da Síria prova que a vitória final está já ao nosso alcance.

Tenho confiança que, quando acabar essa guerra injusta contra a Síria, o exército sírio entrará para a história como o Exército que heroicamente derrotou – com suas forças de apoio e seus aliados – os terroristas que vieram de tantos países para o nosso e contaram com o apoio dos países mais poderosos do mundo, dos quais receberam armas, dinheiro, treinamento e garantia de proteção política.

Aqueles terroristas tentaram, e falharam, impor sua ideologia retrógrada a uma nação poderosa que, por décadas, foi um ninho de civilização.

Os anais da história relembrarão por gerações essas vitórias do povo sírio e sua firmeza diante da bárbara campanha terrorista e de tantas medidas injustas, que só lhe trouxeram sofrimentos e o privaram do mínimo básico para sobreviver. O povo sírio não cedeu terreno, contra tudo e todos e contra todas as probabilidades, porque os sírios sabíamos que essa era uma guerra que visava a fazer desaparecer o nosso país e com ele nós, o povo sírio. Os sírios são um exemplo a ser seguido por todos quantos tenham de enfrentar, agora ou no futuro, atentados similares que visem a quebrar a vontade de um povo e negar-lhe a soberania e a própria liberdade.

Muito obrigado, Senhor presidente. – FIM DA TRANSCRIÇÃO

Traduzido por Vila Vudu

(Íntegra do discurso, aqui traduzido. Tradução não oficial).

 

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