2018 – guerra ou não guerra?

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29/12/2017, The Saker, Unz Review e The Vineyard of the Saker

Assim como os primeiros meses de 2017 foram tempos de grandes esperanças, depois da derrota histórica de Hillary Clinton, o ano vai terminando em tom sombrio, quase ameaçador. Não só o pântano afogou Trump facilmente, rapidamente e totalmente, mas, também o Império Anglo-sionista roda zonzo, ainda sem se ter recuperado da derrota humilhante na Síria, e os neoconservadores puseram-se a atacar todo o planeta, com fuzilaria sem fim de ameaças. Além disso, o governo Trump acaba de divulgar uma Estratégia de Segurança Nacional, que mostra claramente que o Império está girando em modo de “paranoia total“.

É perfeitamente óbvio que os neoconservadores estão novamente no controle total da Casa Branca, Congresso e da corporação norte-americana de mídia-empresas. OK, talvez as coisas não estejam tão ruins como estariam se Hillary tivesse sido eleita, mas estão ruins que chegue para que se pergunte se há guerra inevitável para o ano que vem.

Se se acredita na retórica deles, os neoconservadores estão de olhos postos em todos os seguintes países:

 

  • Afeganistão (já prometeram avançada massiva);
  • Síria (ameaças de ataque por EUA-Israel-Reino Saudita; ataque contra forças do Irã e do Hezbollah na Síria);
  • Rússia (desconectar do sistema SWIFT  [de compensações bancárias internacionais]; roubar patrimônio russo nos EUA; ataque contra forças russas na Síria);
  • Irã (renegar o acordo nuclear, atacar forças iranianas na Síria);
  • Donbass (apoio a ataque total pelos ucronazistas contra a Novorrússia);
  • República Popular Democrática da Coreia, RPDC (agressão militar direta e aberta; bloqueio aéreo e naval);
  • Venezuela (intervenção militar “para defender a democracia, os direitos humanos, a liberdade e a civilização”.

Há, claro, muitos outros países também ameaçados pelos EUA em diferentes graus, mas os sete acima são bons candidatos a ataque dos norte-americanos.

Permitam-me dizer imediatamente aqui que listar argumentos pragmáticos contra cada um desses casos de agressão é, nessa altura dos acontecimentos, provavelmente fútil. Se prova alguma coisa, o mais recente desastre deflagrado pelo reconhecimento de Jerusalém pelos EUA prova claramente que os EUA são governados por gente no mínimo tão estúpida e ignorante quanto malévola e arrogante, possivelmente ainda mais. A triste realidade na qual vivemos hoje é tal, que uma superpotência nuclear não conta nem com a mínima inteligência necessária para agir em defesa dos interesses de sua própria segurança nacional. E isso, sim, é realmente assustador.

Semana passada, dei uma examinada no tipo de pensamento que chamei de “o drone ideológico”. Se examinamos agora o tipo de pensamento do establishment da segurança nacional dos EUA, percebemos imediatamente que é quase exatamente idêntico ao do drone ideológico. A principal diferença entre os dois talvez seja que o drone ideológico assume que seus/suas líderes são mentalmente sãos e gente muito honesta, ao passo que as elites não só sabem que os/as líderes são hipócritas e mentirosos absolutos, mas, pior que saberem, entendem que ser hipócrita e mentiroso é sinal de superioridade: os drones acreditam na própria ideologia; mas seus/suas líderes não acreditam em absolutamente coisa alguma.

Tomem o exemplo da Síria. Todos os tomadores de decisões nos EUA conhecem perfeitamente e profundamente os seguintes fatos:

1.      Daech/ISIS/al-Nusra/etc. são criações deles mesmos e as autoridades norte-americanas tentaram de tudo, para salvar esses terroristas.

2.     O esforço conjunto de russos, iranianos e do Hezbollah derrotou completamente o Daech/ISIS/al-Nusra/etc. apesar do apoio dos anglo-sionistas e de seus ataques às forças sírias.

3.     As forças anglo-sionistas que estão na Síria são completamente ilegais.

Pois nada do que sabem perfeitamente bem os impede de dizer e repetir que eles mesmos, não a Rússia, derrotaram Daech/ISIS/al-Nusra/etc. Pensem bem: é cômico – todo mundo sabe perfeitamente bem o que realmente aconteceu na Síria, mas Tio Sam decreta que preto é branco, água é seca e a verdade é mentira. E o mais engraçado é que todos eles sabem que todo mundo sabe. E não dão a mínima! Por quê? Porque creem profundamente em quatro coisas fundamentais:

  • Nós podemos comprar todos e qualquer um.
  • Os que não podemos comprar, nós provocamos para enlouquecê-lo.
  • Os que não enlouqueçam, nós matamos.
  • Nada nos pode acontecer. Vivemos em impunidade total, não importa o que façamos.

Além de gente inteligente, há outro tipo de gente que também desapareceu completamente do establishment de segurança nacional dos EUA: gente de honra/coragem/integridade. Tomemos o exemplo perfeito: Tillerson.

Não há como convencer alguém de que Tillerson seja idiota. Não é. O homem provou muitas vezes que é inteligente e até talentoso. E mesmo assim, pôs-se como capacho de Nikki Haley. Nikki Haley – essa, sim, é perfeita, total completa imbecil! Tillerson não é imbecil. Mas falta a Tillerson a honra/coragem/integridade básica para exigir que essa imbecil terminal seja imediatamente despedida ou, caso não consiga demiti-la, para dar meia volta e sair do gabinete para sempre, batendo a porta com toda a força. Não. Nada disso. O homem deixa-se ficar lá, exposto a sucessivas humilhações. Ah, sim, provavelmente pedirá demissão. Mas quando vier a demissão já não valerá coisa alguma, será um não evento, simples triste patética conclusão de um mandato completamente fracassado como secretário de Estado.

O mesmo vale para os militares: nem um, um, que fosse, encontrou no próprio caráter a indignação que o levasse a se demitir, como protesto contra o fato de os EUA estarem profundamente envolvidos, intimamente envolvidos com os responsáveis – pelo menos segundo a teoria da conspiração oficial –, pelo 11/9. Ninguém. De fato, as forças especiais dos EUA estão trabalhando ombro a ombro com os assassinos na al-Qaeda, todos os dias. E nenhum desses “patriotas” teve a honra/coragem/integridade de sair a público e denunciar o crime.

Imbecis e covardes. Também acho que sejam traidores do próprio país e do próprio povo. Patriotas, não são.

Imbecis delirantes berrando ordens, e covardes sem honra obedecendo cegamente e executando-as sem pensar.

Esse é o cenário com o qual estamos lidando. Como Trump tuitaria “Nada bom!”

Infelizmente, esse combo é muito difícil de deter ou de trazer à razão.

Mesmo assim, em algum lugar, em algum grau, esses sujeitos devem saber que as probabilidades operam contra eles. Se por mais não for, essa longa fieira de derrotas militares e de embaraços políticos que vão do patético ao ridículo já poderiam ter sugerido a eles que a inação pode ser preferível à ação, sobretudo no caso de gente completamente sem noção de coisa alguma. Além do mais, modo simples para avaliar riscos é dizer que riscos são produto da probabilidade multiplicada pelas consequências (R = P x C).

Não acho que os tomadores de decisão nos EUA pensem mesmo formalmente desse modo, mas num nível bem visceral é bastante claro, até para os tipos drones ideológicos. Se assumimos que seja o caso, podemos reexaminar os sete países listados acima como são vistos pelos tomadores neoconservadores de decisões (não por mim! Eu já delineei os riscos de atacar esses países em artigo que escrevi nesse verão):

Aqui, alguns pontos:

Afeganistão é direto e menos controvertido: haverá uma avançada no Afeganistão, resultará em mais sacos de cadáveres, não será obtido, custará um dinheiro escandaloso e ninguém dá bola.

Síria é situação tentadora, mas o maior risco é que as forças dos EUA se verão face a face com forças do Irã e do Hezbollah, as quais sonham há décadas com esse encontro e farão o melhor uso político possível das forças dos EUA que consigam capturar ou matar. Sinceramente, enfrentar em combate os iranianos ou o Hezbollah é opção apavorante. Perguntem aos israelenses. JJ

Rússia opção 1: há rumores de que os EUA desconectariam a Rússia do sistema internacional de compensações SWIFT ou roubariam (polidamente, se fala em ‘congelar’) fundos e patrimônio russo nos EUA, que circulam já há muito tempo. E os russos têm feito todos os tipos de rugidos ameaçadores, mas tudo muito vago, o que me leva a crer que a Rússia talvez não tenha boas opções para retaliar; dessa vez o bafo quente sopra de Moscou. Claro, Putin é grão-mestre estrategista e, claro, imprevisível, e trabalha cercado de gente muito, muito esperta e experiente. Talvez tenham alguma coisa na manga, que não consigo ver, mas suspeito fortemente que, diferente de mim, a comunidade de inteligência dos EUA já deve saber muito bem o que seja. Não sou economista e há aí muita coisa que não sei. Por isso avaliei esse risco como “desconhecido” para mim.

Rússia opção 2: a reação da Rússia à derrubada, pela Turquia, de um jato SU-24 em 2015, pode ter dados aos políticos e comandantes dos EUA a ideia de que poderiam fazer o mesmo, e safar-se. De fato, sim, talvez possam. A grande diferença no caso do SU-24 é que a Rússia tem defesas aéreas formidáveis instaladas na Síria, que são terrível ameaça às forças dos EUA. Além do mais, se avião russo for atacado e os russos respondem com mísseis terra-ar, o que farão os EUA? Atacarão uma bateria de S-400 russos?

Os EUA também estão em situação difícil no confronto ar-ar. Se o F-22 é avião de excelente superioridade aérea, também é fato que tem uma enorme fragilidade: foi projetado para ataques de longa distância e para atirar primeiro, antes de ser detectado (comento aqui só o F-22, porque é a única aeronave dos EUA capaz de desafiar os Su-30SM/Su-35). Mas se as regras de combate dizem que antes de disparar contra aeronave russa o F-22 tem de emitir aviso claro ou, alternativamente, o ataque tem de acontecer de curta distância, especialmente contra um Su-30SM ou Su-35. Outra grande fragilidade do F-22 é que, diferente do Su-30/Su-35, esse tipo de aeronave não circuitos para guerra eletrônica real (o INEWS do F-22 não dá nem para a saída). Em inglês claro, significa que o F-22 foi concebido para maximizar a capacidade de voar abaixo dos radares, mas ao custo de sacrificar todos os demais aspectos de guerra aérea (poder de radar, hipermanobrabilidade, guerra eletrônica, engajamento passivo, etc.). Esses temas rapidamente se tornam muito técnicos e complicados, mas creio que todos concordamos que os neoconservadores não dão sinal de aguda preocupação com os riscos que se geram pelas forças russas na Síria, e que, muito provavelmente, sentem que podem esmurrar facilmente o nariz dos russkies, e que os tais russkies têm de aguentar sem revidar. Comandantes norte-americanos locais talvez sintam coisa diferente, mas isso também é inteiramente irrelevante. Mesmo assim, avalio o risco aqui em nível ‘médio’ mesmo que, potencialmente, a coisa toda possa levar a guerra termonuclear catastrófica, porque não acho que os neoconservadores creiam que os russos escalarão muito (afinal de contas, quem começa a 3ª Guerra Mundial por causa de um avião derrubado?!). Avalie: se você fosse o comandante da força-tarefa russa na Síria, o que você faria se os EUA derrubassem uma de suas aeronaves (não esqueça que se assume que você seja comandante responsável e inteligente, não um maníaco alucinado sacudidor de bandeirão)?

O que absolutamente não vai parar é a demonização de pleno espectro da Rússia; assim sendo o relacionamento entre os dois países se deteriorará sempre mais. A Rússia de Putin é uma espécie de Mordor que representa todos os males e está por trás de todos os males. Denunciar e odiar explicitamente a Rússia são movimentos que se converteram hoje em uma espécie de sinalizador de virtude. Dado que todas as elites políticas norte-americanas endossaram essa fobia, e é quase absolutamente improvável que isso mude em futuro próximo.

Irã: Trump anunciou que quer o fim do acordo e, embora absolutamente não possa fazer nada tecnicamente e legalmente, não é homem de se preocupar com pouca coisa. Os EUA já desistiram há muito tempo de fingir que respeitam qualquer tipo de lei, inclusive a lei internacional. Além disso, dado que Trump é claramente shabbos-goy de Israel, acho que se pode assumir com segurança , sim, acontecerá.

Donbass: Será que os ucronazistas finalmente atacarão? Bem, já estão atacando há muitos meses! Não só nunca pararam de bombardear o Donbass, mas têm essa nova (pseudo) estratégia de “pulo do sapo“, que consiste em mover forças militares na zona neutra, atacar uma cidade indefesa e depois declarar grande vitória contra a Rússia. Estão também se rearmando, reorganizando, reagrupando e reforçando suas forças no Leste. Como resultado, os ucronazistas têm vantagem de 31 contra os novorrussos. Contudo, não se deve analisar tudo isso do ponto de vista dos ucronazistas nem do ponto de vista novorrusso. Devemos, isso sim, analisar esse quadro do ponto de vista dos neoconservadores:

Pelo modo como vejo as coisas, nos três casos os anglo-sionistas vencem claramente, mas claramente a opção #2 é a pior possível; e a opção #3 é a melhor. Na verdade, os anglo-sionistas têm pouco a perder num ataque ucronazista contra a Novorrússia. A população ucraniana, claro, tem muito a perder. Nesse momento, os EUA e vários países europeus estão entregando, por mar, vários tipos de armas aos ucronazistas. Essa é mais uma não notícia, dado que isso já é feito há anos. Além disso, armas fabricadas no ocidente não farão grande diferença, pelo menos desde um ponto de vista militar, se por mais não for, porque sempre será muito mais fácil para a Rússia enviar mais armas em qualquer categoria. A diferença real é política: embarcar “armas letais” (como se existissem armas não letais!) é simplesmente uma luz verde para iniciar o ataque. Esperemos que os ucronazistas estejam ocupadíssimos combatendo uns contra outros e que a derrota humilhante que já sofreram os impeça de tentar novamente, mas, sim, vejo como bastante provável um ataque total dos ucronazistas contra o Donbass.

RPDC: Esse é o grande não sabido. Com alguns oponentes, pode-se assumir como fato absoluto que, se preciso, o povo lutará até o último homem (iranianos, russos, Hezbollah). Mas regimes autoritários tendem a ter ponto de ruptura muito baixos, a menos, claro, que convença o próprio povo de que não lutam por um ou outro regime em especial, mas pelo próprio país. Acho que ninguém sabe com certeza o que farão os norte-coreanos se forem atacados, mas não vejo sinal que autorize a assumir simplesmente que os norte-coreanos não lutarão. Do que tenho ouvido, as lembranças da carnificina que forças dos EUA promoveram contra o povo norte-coreano durante a guerra na Península Coreana ainda estão bem vivas. Eis o que me escreveu recentemente um funcionário da inteligência na região:

A gritaria do governo Trump é patética. Se fosse um filme, não a vida real, seria engraçado (é engraçado de qualquer jeito, mas eu, porque estou *******, não acho muita graça). A parte triste é que nenhum selecionador de artistas conseguiria criar melhor fachada de propaganda para a Coreia do Norte usar: em todos os sentidos, inclusive fisicamente, é a caricatura perfeita do mal, comerciante arquicapitalista imperialista. É como se Hitler tivesse voltado à vida e, dia sim, dia não, sem nem ligar para o que faz, ameaçasse destruir os EUA (e com poderes para fazê-lo).

Se esse especialista está certo, e não tenho motivos para duvidar que esteja, nesse caso é bem razoável assumir que algum desgosto que o povo norte-coreano nutra contra suas elites governantes é amplamente superado pelo ódio que os norte-coreanos sentem pelos EUA.

[BARRA LATERAL: O mesmo especialista fez comentários interessantes sobre minha avaliação das consequências de uma guerra na Península Coreana. Eis o que escreveu:

O Japão é alvo importante, por várias razões. A maior delas é que há muitas bases dos EUA no Japão que seriam usadas para introduzir mais soldados dos EUA e/ou dirigir a guerra, mas há também o fato de a Coreia do Norte (e, na verdade, também a maioria dos sul-coreanos) odeia(m) o Japão. Não me atreveria a dar aulas de história (que você provavelmente conhece), mas é desamor muito justificado. Ainda que a guerra ficasse confinada à Península, o que não acontecerá, a economia global sofrerá duro baque, porque uma quantidade ridícula da cadeia de suprimentos global passa pela Coreia do Sul (a qual, só ela, oscila entre 15ª e 10ª economia do mundo). Dito sem melhor pesquisa, acho que Incheon (a oeste de Seul) é o mais movimentado aeroporto, pelo menos na região – que é importante entroncamento internacional, e Busan e Incheon são alguns dos mais movimentados portos no mundo – quero dizer é que Busan está entre os 5 maiores, mais movimentado até que os portos japoneses.

Todos os produtos chineses que vão para os EUA fluem pelo Mar do Japão – e teriam de ser deslocados para outras rotas. E muitos dos componentes para os eletrônicos mais ensandecidos são de fato produzidos na Coreia do Sul, e viajam para ser montados na China –, o que significa que aí haveria problema grave a resolver. Significa que, mesmo que só nós fôssemos jogados ao mar, ainda assim seria má notícia para a economia global.

Sua avaliação da ameaça que advém da artilharia e das forças especiais é praticamente igual à minha. Uma das coisas que sempre achei mais curiosas é o modo como as pessoas subestimam “a artilharia da 2ª Guerra Mundial”. Considerada em conjunto, “a artilharia da 2ª Guerra Mundial” matou provavelmente mais gente que qualquer outro sistema de armas em toda a história moderna (a menos que se esteja falando de armas em termos muito gerais, incluindo coisas como ‘arma branca’ e ‘arma de mão’). Afinal, você não está menos morto porque sua casa foi derrubada por um obus 152, não por um J-DAM.]

E é aqui que está o negócio: se você ataca país pequeno e indefeso, você pode ignorar, basicamente, as consequências de errar todos os prognósticos. Mas se tem de lidar com país como a RPDC, nenhum político ou comandante militar que não sofra de deficiência das faculdades mentais aceitará o risco de calcular mal. Problema é que onde se trata de imbecis delirantes e de covardes sem honra – pode-se esperar que alguém aí mostrará o tipo de cautela necessário para enfrentar ameaça desse porte?! Sinceramente não vejo quem, nem como. Na verdade, só vejo motivos para ter certeza de que não mostrarão nenhum tipo de cautela.

Lembram-se do “mamão com açúcar, no Iraque” [ing. “Cakewalk in Iraq“]? A expressão, cunhada por um dos meus professores na SAIS [Johns Hopkins School of Advanced International Studies], Ken Adelman, ilustra maravilhosamente o modo como opera a mente neoconservadora: só ideologia e palavreado, e para o inferno a cautela. Hoje todos sabemos o quanto aquele “mamão com açúcar” acabou custando ao povo iraquiano e ao povo norte-americano: bem mais de um milhão de mortos, ao Iraque, bem mais de cinco trilhões de dólares, aos EUA. Que diabo de mamão com açúcar?!

A verdade é que no ponto em que estamos, ninguém sabe qual pode ser o resultado de um ataque dos EUA à RPDC, nem mesmo os norte-coreanos. Bastará isso para conter os imbecis delirantes e covardes sem honra que hoje estão na cabine de comando do Império? Quem souber a resposta, que fale!

Venezuela: por mais que as elites norte-americanas odeiem a Venezuela, o país não é alvo lucrativo ou, melhor dizendo, a Venezuela é excelente alvo para subverter, mas provavelmente não é bom alvo onde intervir. A violência na Venezuela interessa diretamente aos EUA, mas intervenção militar direta provavelmente não. Meus contatos informam que os militares venezuelanos não são santos (a maioria deles são corruptos), mas também dizem que a disposição popular para resistir contra os “Yankees” é tão forte, que qualquer intervenção militar disparará imediatamente uma feia guerra de guerrilhas, (para nem falar do desgaste político, com revide, no resto da América Latina).

A verdade é que os EUA talvez até tenham os meios para intervir militarmente na Venezuela, mas também têm outras opções muito melhores.

Para concluir, resumamos tudo até aqui.

Há chances altas de que, em 2018, os EUA:

 

  • Escalarão a guerra no Afeganistão;
  • Renegarão o acordo nuclear com o Irã; e
  • Apoiarão ataque dos ucronazistas contra a Novorrússia.

É bastante provável que os EUA também:

  • Derrubarão aeronave russa sobre a Síria.

Acho pouco provável que os EUA:

 

  • Invadam a Síria; e
  • Invadam a Venezuela.

Sou incapaz de avaliar se os EUA:

  • Expulsarão a Rússia do acordo SWIFT [de compensações internacionais] ou confiscarão bens russos; e
  • Atacarão a RPDC.

Francamente, não confio muito nessa tentativa de analisar desenvolvimentos possíveis em 2018. Toda minha educação sempre se baseou num pressuposto central crucial: o outro lado é racional. É pressuposto grave a assumir, mas valeu como verdade fundamental durante a Guerra Fria. Hoje já tendo a crer que psiquiatras e psicólogos estão talvez mais bem equipados para prever movimentos futuros dos governantes em todo o Império Anglo-sionista, que analistas militares. Mais que isso, a história mostra que a combinação de imbecis delirantes com covardes sem honra é a fórmula clássica para derrotar impérios. Bom exemplo disso já se viu no desmanche do Império Soviético.

Ante o mais recente fiasco de Trump, desisti de qualquer esperança de ver algum presidente dos EUA dar qualquer contribuição positiva para o bem-estar do povo dos EUA ou do resto do planeta.

Cabe agora claramente a Rússia e China o dever de fazer tudo que possam para impedir que os EUA iniciem novas guerras ainda mais catastróficas e imorais. É tarefa muito, muito difícil; e, francamente, não sei se podem conseguir tal coisa. Espero que possam. É o melhor que tenho a dizer.

[assina] The Saker

Traduzido por Vila Vudu

 

 

 

 

 

 

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