Por Tânia Abdallah
PARTE 1 – Cegando os adversários:
O Irã adotou a estratégia militar de “cegar” as forças adversárias através da destruição massiva de sistemas de radar antes de lançar ataques mais amplos. Já obtendo frutos disso, podem verificar que o Irã intensificou seus ataques a partir do dia 6 de Março.
Os países do Golfo ( exceto Omã) tem seus sistemas de defesa aérea THAAD ou Patriot.
Os dois radares mais importantes:
Catar (Alerta Antecipado)- “O Gigante”

AN/FPS 132 foi destruído por drones iranianos Shahed,
O foco deste radar, é a distância extrema. Ele é de uma estrutura grande e fixa, tipo prédio de 3 andares.
Ele tem longo alcance, e consegue ver objetos a mais de 5.000km de distância. Ele serve para dizer:
“Atenção, algo decolou do lrã agora!”. Ele dá o
aviso inicial, mas não é ele quem “mira” o míssil para ser abatido .
Esse radar AN/FPS 132 foi destruído por drones iranianos Shahed, no primeiro dia, 28/2, e custa 1.1 bilhões de dólares.
Jordânia (Controle de Tiro)- “O Olhão “:
Tipo AN/TPY2
Este outro radar, o foco dele é a identificação e mira. Ele tem um alcance menor (cerca de 1.000 a 2.000 km), mas é muito mais “inteligente”. Tipo AN/TPY2.Funcionava como o cérebro de uma rede integrada de defesa Ele conseguia distinguir qual parte do míssil é a bomba e qual parte é apenas o tanque de combustível vazio, orientando o míssil interceptador do THAAD ou do Patriot exatamente onde bater. É móvel e tem o tamanho de um caminhão grande. Esse, também foi destruído pelo Irã no dia 1. Custo: 500 milhões de dólares .
A destruição e os danos causados aos radares na Jordânia e no Catar afetaram diretamente a segurança de outros países como Bahrein, Kuwait, Emirados Árabes e Arábia Saudita. Esses sistemas fazem parte de uma rede integrada de defesa aérea que funciona como um “guarda-chuva” para toda a região. O objetivo dessa rede (chamada pelos EUA de Middle East Air Defense Alliance) é que, se um radar na Jordânia “vê” um lançamento, ele envia os dados instantaneamente para as baterias no Bahrein ou no Kuwait, etc. Agora mais outros radares AN/TPY2 foram destruidos pelo Irã nos Emirados e Arábia Saudita. Essa corrente foi quebrada.
Agora, cada pais está lutando “sozinho” com seus radares de curto alcance, o que explica
por que tantos drones e mísseis conseguem atingir os alvos, mas não foi só isso.
O Irã mirou também: Nos radares de vigilância AN/TPS 59.

radar de vigilância AN/TPS 59
Esses atuam como sensores de suporte e alerta precoce para sistemas Patriot, THAAD e outros. O AN/TPS-59 utiliza uma antena montada em um suporte móvel. No entanto, em instalações fixas ou semi-permanentes (como a de Manama, no Bahrein), essa antena costuma ser protegida por um radome — uma estrutura esférica que protege o equipamento contra as condições ambientais. Esses radares foram destruídos inteiramente ou parcialmente no Bahrein, Jordânia, Kuwait, Arábia Saudita e Emirados.
Nos terminais SAT COM AN/GSC 52B: A”Espinha Dorsal” da Comunicação: Funcionam como o elo principal entre as bases terrestres no Oriente Médio e a constelação de satélites de defesa americanos (as grandes cúpulas brancas)
Por que o Irã atacou as “bolas brancas” (SATCOM)?
Porque se você destrói o SATCOM, a base fica isolada. Ela ainda pode ver os inimigos chegando (pelo radar), mas não consegue avisar ninguém, não recebe ordens de fora e não consegue transmitir as imagens do que está acontecendo. É como tirar o celular e o Wi-Fi de alguém. Foram destruídos no Catar, Arábia Saudita, Bahrein, etc.
Conclusão deste item: O Irã apagou o radar de aviso e quebrou os óculos de mira da defesa americana no golfo
PARTE 2- Saturando os alvos – drones suicidas.
A estratégia iraniana não focou apenas em destruir os radares, mas em
criar um colapso logístico e técnico através da “matemática da saturação”. Enxames de drones suicidas saturam e sobrecarregam os sistemas Patriot e THAAD. Aproveitando as janelas de recarga do sistema defensivo, mísseis balísticos ou hipersônicos ( pouco usados) lançados simultaneamente atingiam o alvo de maior valor.
PARTE 3- Esgotando as reservas de mísseis interceptadores
Os EUA cogitam trazer de outros países fora do Golfo sistemas THAAD, Patriot (Coreia do Sul). Há uma falta crítica de mísseis interceptadores de reposição. Gastaram em apenas 3 dias o equivalente a 1 ano de produção. Fiz um pequeno levantamento de preço, capacidade de produção, alcanse e altitudede alguns interceptadores:
SM3 (sistema Aegis) para navios: 14 a 28 milhões de dólares cada. Produção atual: 12 (Doze) por ano. Alcance 2500km e Altitude 1000km
THAAD- 12 a 13 milhões de dólares cada. Produção: 96 por ano (Oito por mes). Alcance: 200km e Altitude: 150km
PATRIOT: 4 milhões de dólares cada. Produção: 620 por ano. Alcance: 30 a 60km para mísseis balísticos.
SM6 que é exclusivo para navios: 4 milhões de dólares cada. Produção: 500 por ano. Alcance 370km.
O número mínimo de interceptadores lançados por alvo é 2 mas pode chegar a 10 para garantir neutralização. Assisti vários vídeos com 8 a 10 mísseis interceptadores tentando atingir um míssil iraniano.
PARTE 4 – Mísseis “surpresa”.
Embora o Irã ainda não tenha apresentado seus novos mísseis ( um deles tem o nome de O Vingador) usou o KHORRAMSHAHR ( ou Kheibar). É um míssil balístico capaz de carregar ogivas pesadas de 1500 a 1800kg ou multiplas ogivas independentes ( de fragmentação), até 80 ogivas que saturam os sistemas de defesa. Tem como características: Atinge velocidades hipersonicas fora da atmosfera (até Mach 16) e cerca dr Mach 8 na entrada. Seu design é focado em superar os sistemas de defesa como os Arrows por velocidade e manobrabilidade. Imune a sistema de guerra eletrônica que tentam desviar os mísseis na fase final do voo. Possui tecnologia que permite armazenar o combustível no tanque por anos, reduzindo o tempo de preparação para lançamento ( menos de 12 minutos)
