Ataque à Síria: Opções dos anglo-sionistas

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(relatório intermediário) ATUALIZADO 10/4/2018,

The Saker, The Vineyard of the Saker

Parece inevitável e iminente um ataque anglo-sionista contra a Síria. Sempre é possível alguma ação de contenção que venha de algum general supostamente menos insano, realista e patriota, se houve, no Pentágono, mas não contem com isso (consultei dois dos meus amigos mais bem informados sobre o assunto, e os dois me disseram que “sem chance”). É ingenuidade contar com gente que fez a vida obedecendo ordens para que, de repente, recuse-se a obedecer alguma ordem e, no processo, arruíne a própria carreira. Além do mais, a maioria do que se tem hoje no Pentágono não são tipo almirante Fallon, mas, mais, aquela gente tipo “franguinha lambe cu” [orig. an ass-kissing little chickenshit] à moda Petraeus. Talvez não preguem abertamente ataque à Rússia, mas farão o que os mandarem fazer. Exatamente o que disse recentemente o comandante do CENTCOM (“fazemos o que nos mandam fazer“).

Contudo, que tipo de opções de ataque os neoconservadores norte-americanos e seus capangas israelenses escolherão, isso, sim, provavelmente está em discussão nesse momento. Aqui vão as opções básicas:

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1) Repetição do ataque do ano passado contra a base da Força Aérea Síria em Shayrat. Seria certamente a melhor opção, e garantiria que os neoconservadores salvassem a cara, embora só simbolicamente; a opção tipo “mamãe veja como eu sou durão”. Podem também atacar a mesma base T4 que os israelenses atacaram há alguns dias, só que com mais mísseis. E, só para fazer a coisa parecer muito “democrática”, talvez peçam a franceses, britânicos e israelenses que participem do ataque.

2) É tarde demais, militarmente falando, para tentar reverter a situação em campo, mas atacar mais bases da Força Aérea Síria, nodos de comunicação, defesas aéreas, etc. é, sim, uma opção. Os terroristas “do bem” e os terroristas “do mal” avançariam; e os sírios e aliados lutariam para “tapar os buracos” que fossem criados. Não é ação capaz de mudar o resultado da guerra na Síria, mas prolongaria o caos e a carnificina associada ao caos.

3) Atacar os iranianos. É a grande favorita de israelenses e neoconservadores, mas é também opção muito mais arriscada, porque se o ataque for bem-sucedido, os iranianos terão número altíssimo de potenciais alvos norte-americanos contra os quais retaliar; e o mesmo vale para o Hezbollah. Mas esse ataque aplacaria os odiadores-de-Irã, pelo menos temporariamente, e daria a Trump a chance de mostrar que sujeito “durão” e “big” ele é.

4) Ataque em grande escala contra militares sírios e contra o governo (incluindo instalações da presidência do país). Aqui, falo de centenas de mísseis cruzadores na primeira onda. Os alvos incluiriam além de alvos puramente militares (depósitos de munição, concentrações de soldados, etc.), também “infraestrutura de apoio ao regime”, i.e. civis e tudo que torna possível a vida dos civis: usinas de energia, de purificação de água, de comunicações, pontes, estradas, portos, escolas e hospitais (“objetivos do regime camuflados”), etc. Basicamente, é o que EUA/UE/OTAN fizeram contra a Sérvia, e o que os israelenses fizeram várias vezes contra o Líbano: assassinar o maior número possível de civis para fazê-los pagar por apoiarem “Assad, o Animal”. É tradição histórica anglo e judaica, várias vezes verificada, por falar de assassinar civis.

5) Ataque deliberado contra posições russas e iranianas na Síria, para “castigar” russos e iranianos por apoiarem os ataques químicos de “Assad, o Animal”.

Claro, também é possível uma combinação das opções acima. Em termos genérico, as opções 1, 2 e 3 podem (condicional: “talvez”) ser administráveis. Só a opção 1 é (relativamente) segura. Opções 4 e 5 são absolutamente insanas e provavelmente resultarão em escalada extremamente perigosa.

Consideremos a coisa de outro ponto de vista.

Qual seria o objetivo de um ataque anglo-sionista?

Acho que todos concordamos que ninguém acredita seriamente que aconteceu algum ataque químico; e que todo mundo sabe que não passou de ataque encenado (ataque sob falsa bandeira) já previsto por Nikki Haley e pelos russos há semanas. Quanto a algum tipo de reversão completa da derrota que os EUA sofreram na Síria, ou de algum tipo de reconquista por EUA/OTAN, esqueçam. Não são opções realistas, militarmente falando.

Assim sendo, do que se trata realmente?

1) Política interna dos EUA: Trump quer acalmar os neoconservadores e parecer “durão”.

2) Fazer sírios, iranianos e russos pagarem por terem derrotado os terroristas “do bem” e também os “do mal”.

3) Acalmar os israelenses sempre sedentos de sangue e morte, e criar um bom pretexto para renegar o acordo nuclear com o Irã.

4) A necessidade de ‘dar vida’ a retórica (é uma força frequentemente ignorada, mas, de fato, quando um governo vive de cuspir frases paranoicas e absurdos carregados de ódio contra outro país, quase sempre essa necessidade doentia de ‘dar vida’ à retórica está presente e ativa. Repetir “Assad, o Animal” e nada fazer contra ele, incomoda e não parece de bom tom, pelos critérios de O Donald).

5) Alguma esperança de realmente conseguir matar Assad (é pouco provável: as defesas aéreas russas-sírias integradas sempre alertarão as forças sírias, no caso de qualquer aproximação).

6) Fazer novamente valer, pelo exemplo, a noção de que os EUA são o fortão e o mauzão do quarteirão, e que nem Irã nem Rússia podem modificar esse ‘fato’. Assustar Rússia e Irã, para que se submetam (eu sei, é ideia estúpida, mas neoconservadores não são gente lá muito brilhante!).

Acho que não se deve super intelectualizar tudo isso. Francamente, não acho que o pessoal da Casa Branca seja muito esperto, e o nível de planejamento de que são capazes e não vão muito além de “se você só tem um martelo, tudo vira prego”. Agora, a Casa Branca só tem um martelo: o desejo doentio de violentar, atacar, ferir, punir. Só ódio e arrogância infinita. Quando a onde e como o martelo atacará – meu palpite não é melhor que o de vocês. Tentar prever ações de psicopatas em surto de delírio é exercício de futilidade. Além do mais, logo saberemos. Sem demora.

[assina] The Saker

ATUALIZAÇÃO 1: RT noticia que Rússia e EUA estão ambos encaminhando projetos de Resoluções ao Conselho de Segurança da ONU. Os dois projetos de Resoluções exigem investigação internacional; a OPCW anunciou a decisão de enviar uma missão à Síria, para levantar dados. RT também diz que, segundo um jornal russo, está marcada para a próxima semana uma reunião de alto nível Rússia-EUA sobre a Síria. Talvez (quem sabe? Apenas talvez…) a insanidade pode ainda ser contida?

Traduzido por Vila Vudu

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